"Poder tudo", como descrito no título deste editorial, pode parecer um sinônimo de tirania, e não é disso que se trata. Dentro das balizas democráticas e institucionais, o "poder tudo" nesse caso se relaciona com deter todas as atribuições para resolver todos os problemas do país, o que a própria democracia sabiamente impede.
As soluções para os problemas que o Brasil coleciona dependem, sim, de uma construção coletiva, o que não diminui nem um pouco as responsabilidades de quem almeja o Palácio do Planalto nesta eleições de 2026. O presidente da República é a guia-mestra, quem governa e executa a solução.
O que está posto é que existe uma crise de governabilidade pautada pelo empoderamento do Congresso com as emendas impositivas. Estar na chefia do Poder Executivo, nos últimos dez anos, tem sido lidar com essas limitações que distorcem as atribuições de cada poder, com as mudanças nas dinâmicas orçamentárias. A depender das configurações do Senado e da Câmara após as eleições, a jornada da governabilidade seguirá se impondo ao presidente eleito, com maior ou menor resistência.
E dessa forma a agenda necessária para a superação dos entraves econômicos e sociais fica ao sabor não da boa política, mas de pressões cada vez mais assimétricas. O candidato ao Planalto não deve encontrar céu de brigadeiro, mas terá de abrir caminhos. E essa situação não o exime do trabalho árduo. O Brasil tem pressa.
A contenção do endividamento público sem travar os investimentos essenciais é a conta que precisa ser feita, pois dela depende todo o resto. É possível realizar entregas sociais com mais eficiência no gasto público, sobretudo com uma máquina pública menos inflada com, para ficar no exemplo mais gritante, os supersalários.
O país ainda precisa adentrar uma era de produtividade, com mais estímulos à livre iniciativa, com desburocratização e empregos mais qualificados. Precisa superar a era dos juros altos que emperram o crédito e o investimento. Precisa fazer os salários valerem mais diante de um custo de vida crescente. Acima de tudo, precisa reduzir as desigualdades.
Quem vai estar diante da urna eletrônica em 4 de outubro ainda espera um debate republicano entre os candidatos, mesmo que os sinais emitidos sejam o de uma campanha pautada por ataques. A polarização ainda nubla a percepção da sociedade, mas o que a população quer mesmo ver em debate são propostas que tenham viabilidade. O que o eleitor almeja é ter a inteligência respeitada por todos os candidatos.
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