A qualidade do gasto público é perceptível e incontestável quando a arrecadação de impostos se traduz em serviços eficientes para o cidadão. Mas o contribuinte brasileiro ainda se sente pouco contemplado, assistindo desiludido o dinheiro que sai do seu bolso entrar nos cofres da União sem garantia de retorno.
Mais uma vez, a campanha eleitoral precisa ser palco para propostas concretas nesse sentido. Candidatos que se omitirem sobre suas escolhas para uma agenda de eficácia do gasto público mostrarão uma desconexão com a realidade: com uma dívida pública que pode chegar a 82,5% do PIB no final deste ano, repensar as despesas brasileiras é cada vez mais urgente. Algum nível de ajuste é necessário.
Distorções políticas precisam ser superadas, com um processo amplo de revisão de despesas. O excesso de gastos adjacentes no país dissolvem a capacidade de investimento do Executivo onde há necessidade real, nas áreas que tocam a vida das pessoas. No ano passado, um levantamento do Movimento Pessoas à Frente colocou o Brasil no topo de um ranking de supersalários pagos ao funcionalismo público, o que impõe a reforma administrativa que há tempo demais não consegue ser concretizada.
Também persiste o peso de emendas parlamentares, direcionando verbas de forma descentralizada e sem critérios técnicos. São gastos que comprometem as despesas livres do governo, enquanto disparam as despesas obrigatórias, como previdência, salários e benefícios sociais. Assim, a capacidade de investimento governamental é estrangulada. É o povo que sai perdendo.
Não pode faltar coragem política para empunhar a bandeira da responsabilidade fiscal. Aquela em que o dinheiro público aplicado mostre resultados palpáveis para a maioria da população.A qualidade do gasto é o que permite fazer mais com menos, não o contrário.
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