Esta eleição majoritária é especialmente importante no
Espírito Santo do ponto de vista histórico. Algumas escritas seguramente serão
quebradas, enquanto outras poderão cair, a depender dos resultados de outubro. Destacamos cinco.
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ESCRITAS QUEBRADAS
1) Desde 1998...
Na categoria “tabus históricos quebrados”, esta é a primeira vez que os eleitores do Espírito Santo elegerão um governador diferente de Paulo Hartung e Renato Casagrande em quase 30 anos. A última vez
que isso se deu foi na eleição de José Ignacio Ferreira, pelo PSDB, em 1998. Nas últimas seis
disputas estaduais, entre 2002 e 2022, Hartung e Casagrande foram eleitos três
vezes cada um, alternando-se no Palácio Anchieta por quase 24 anos.
A rigor, o ciclo de revezamento de Hartung e Casagrande no cargo
de governador se encerrou em abril deste ano, quando Ricardo Ferraço (MDB) ascendeu
ao poder no lugar de Casagrande, com a renúncia deste para disputar o Senado.
Mas Ricardo não foi eleito governador nas urnas.
Agora, nem Casagrande nem Hartung disputam o cargo de
governador. O primeiro disputa o Senado, enquanto o segundo não é candidato a
nada. Daí podermos afirmar que, pela primeira vez desde Ignacio em 1998, o
governador eleito não será nem um nem outro.
2) Desde 1994...
Além disso, esta é a primeira eleição sem Casagrande nem Hartung
concorrendo ao Governo do Espírito Santo desde a de 1994. Pelo menos um dos
dois foi candidato ao cargo de governador em cada um dos últimos sete pleitos
estaduais.
Em 1998, Casagrande, então vice-governador de Vitor Buaiz (PT),
disputou o cargo pela primeira vez, na corrida vencida por Ignacio.
Casagrande candidatou-se ao cargo cinco vezes, com três
vitórias (2010, 2018 e 2022) e duas derrotas (1998 e 2014); Hartung disputou
três vezes, tendo vencido todas (2002, 2006 e 2014). Os dois tiveram um
confronto direto, na vitória de Hartung sobre Casagrande em 2014.
3) Desde 1990...
Se quisermos ir mais fundo, considerando que em 1994
Casagrande foi candidato a vice-governador de Vitor Buaiz, também podemos dizer
que esta é a primeira vez em 36 anos, desde a eleição de Albuíno Azeredo em
1990, pelo PDT, que o capixaba não tem nem Casagrande nem Hartung figurando em uma das
chapas concorrentes ao Palácio Anchieta.
É o fim de uma era.
ESCRITAS QUE PODERÃO
SER QUEBRADAS
4) Nunca na Nova
República
Já na categoria tabus históricos que poderão ser quebrados, como já discorremos aqui, desde o pleito de 1982, no fim da ditadura civil-militar (1964-1985), foram realizadas 11 eleições diretas para governador, a cada quatro anos.
Nesses 11 pleitos, foram eleitos sete
governadores diferentes: Gerson Camata (PMDB), Max Mauro (PMDB), Albuíno
Azeredo (PDT), Vitor Buaiz (PT), José Ignacio Ferreira (PSDB), Paulo Hartung
(PSB e PMDB) e Renato Casagrande (PSB).
Nenhum deles era um homem público manifestamente de direita.
Alguns até possuíam traços de político de direita, como
Camata e, notadamente, José Ignacio, que fora líder de Collor no Senado e
terminou seu governo filiado ao PFL, em 2022. Mas outras tantas marcas da
própria biografia de Ignacio retiram-lhe o rótulo de direita, como o fato de
ter sido um deputado estadual cassado pela ditadura militar e combatido o
regime na condição de presidente da OAB-ES, além de ter sido fundador do PSDB
de Mario Covas e FHC e de ter sido eleito governador pelo partido socialdemocrata, em 1998.
Nenhum dos sete jamais se declarou de direita.
Conclusão: na Nova República, o Espírito Santo jamais elegeu um governador genuína e manifestamente de direita.
Desta vez, os dois candidatos que chegaram à largada
eleitoral com maiores intenções de voto têm perfil de direita, ou centro-direita:
Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos). De acordo com a última pesquisa da Quaest, publicada por A Gazeta no dia 16 de julho, o governador tinha 37% das intenções, enquanto o prefeito tinha 25%.
Representando a esquerda e o presidente Lula, o deputado Helder
Salomão, do PT, registrou 11% das intenções no mesmo levantamento. Isso na simulação apenas com os
três na cédula, um mês antes do início oficial da campanha (no dia 16 de
agosto). Helder tem se declarado confiante de que chegará ao 2º turno.
Além dos três, concorrem ao Palácio Anchieta Breno Barcelos
(Missão) e Rafael Demuner (Unidade Popular).
5) Nunca na Nova
República (2)
Desde a redemocratização do país (1985), em cinco eleições gerais,
cada estado pôde escolher dois senadores de uma vez. Isso ocorreu em 1986, 1994, 2002,
2010 e 2018. Em nenhum desses cinco pleitos, o Espírito Santo elegeu dois senadores do campo progressista (esquerda ou centro-esquerda).
Desta vez, o tabu poderá ser quebrado,
pois há dois candidatos competitivos desse campo. Na Quaest publicada em 16 de julho, no cenário mais próximo do que se concretizou um mês depois, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) surgiu na liderança isolada, com 31% das intenções estimuladas.
Na mesma sondagem, o senador Fabiano
Contarato (PT), candidato à reeleição, provou que larga com chances de brigar
pela segunda vaga: no cenário mais próximo do que se confirmou, ficou com 9% das intenções estimuladas, tecnicamente empatado com outros postulantes – todos
embolados na briga pelo segundo lugar, àquela altura do processo.
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