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Vereador cassado é preso após confusão em João Neiva, no ES

Lucas Recla estava com uma pistola 9mm. Um policial ordenou que ele entregasse a arma para conferência da numeração, no entanto,  ele o agrediu e disse que ninguém pegaria a arma dele

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 30/04/2022 às 12h27

Lucas Recla, cujo mandato de vereador em João Neiva foi cassado na última terça-feira (26), foi preso, na tarde desta sexta-feira (29), no centro do município, no Norte do Estado. O histórico do Boletim Unificado (BU) divulgou que Lucas agrediu policiais civis enquanto estava armado.

Ex-vereador Lucas Recla é preso em João Neiva, no Norte do ES
Lucas Recla estava portando uma pistola 9mm. Crédito: Reprodução \ Instagram @lucasrecla

De acordo com o BU, policias civis receberam um mandado de intimação para ser entregue a Walter Rico Rei. No local informado, em um apartamento no centro de João Neiva, a polícia encontrou Lucas Recla na varanda e o questionou se ele seria Walter. Lucas respondeu que não e informou o nome dele.

Nesse momento, os policiais pediram que Lucas descesse do local em que estava para atendê-los. Após quase dez minutos, Lucas desceu e os policiais questionaram novamente se ele seria Walter. “Ele respondeu que não, que o nacional Walter não morava lá e nunca morou”, registrou o BU.

Em seguida, a polícia perguntou se Lucas conhecia Walter, ele disse que sim, mas que não morava ali. Lucas quis saber o motivo de a polícia estar procurando Walter naquele endereço. Ele foi informado que “o endereço de Walter estava como sendo aquele e, inclusive, estava no mandado de intimação, assinado pelo delegado”.

ARMA

No momento em que a polícia estava saindo do local, Lucas, contudo, se exaltou, conforme está registrado no BU, e disse: “Se você não me conhece eu sou autoridade política dessa cidade, sou vereador Lucas e também estou armado”.

Um policial perguntou se Lucas possuía porte de arma. Ele, então, retirou uma carteira com brasão de vereador e mostrou o documento argumentando que havia tirado na Polícia Federal.

O policial, porém, comunicou que aquele documento era somente o registro da arma e não o porte, e solicitou que Lucas entregasse a arma. “Lucas desobedeceu essa ordem e disse que não entregaria a arma, pois o documento era federal”, informou o BU.

A polícia ordenou mais uma vez para que ele entregasse a arma para conferência da numeração, no entanto, como consta no BU, Lucas empurrou o policial, atingiu a boca dele, causando sangramento, e disse que ninguém pegaria a arma dele.

De acordo com o registro do BU, os policiais resolveram abordar e seguraram Lucas pelo braço. “Lucas resistiu à abordagem policial, se exaltando, momento em foi necessário a utilização de técnicas de imobilização policial em uso progressivo da força. [...] Diante do risco, sobretudo porque o abordado dizia estar armado, foi necessário imobilizá-lo e algemá-lo”. Uma pistola 9mm foi recolhida.

DELEGACIA

Lucas foi levado à delegacia de João Neiva, onde as algemas foram retiradas. “Logo após retirar as algemas, Lucas iniciou novamente uma algazarra dizendo que não era bandido, que não poderia ter sido algemado, que era uma autoridade política da cidade, e pegou o celular para fazer uma filmagem”, divulgou o boletim.

O delegado, então, decidiu conduzir o detido até a delegacia de Aracruz. Segundo a Polícia Civil, Lucas Recla está preso na Delegacia de Polícia (DP) de Aracruz, porém, informou que é provável que ele participe de uma audiência de custódia ainda neste sábado (30).

MANDATO CASSADO

Lucas Recla (PSL) teve o mandato cassado na sessão extraordinária da última terça-feira (26), na Câmara Municipal de João Neiva. A Câmara votou pela cassação do mandato de Recla por quebra de decoro parlamentar.

O presidente Tonon afirmou que o processo foi aberto porque o parlamentar disse que havia uma organização criminosa entre os vereadores. “Ele disse que a Câmara tinha uma organização criminosa e não apresentou documentos para provar. Isso configura uma quebra de decoro. No ano passado, ele já tinha cometido desrespeito a vereadores na hora das votações. Ele quer obrigar os vereadores a votar do jeito que ele quer."

A Prefeitura de João Neiva informou, por nota, que a cassação do vereador partiu da Câmara de Vereadores e que foi um procedimento interno. “O motivo para a cassação foi interno, do próprio Poder Legislativo. O Poder Executivo sempre mantém diálogo aberto com os parlamentares, e respeitando a decisão soberana da Câmara de Vereadores da cidade”, concluiu.

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