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Vereador é cassado em sessão marcada por tumulto e agressão no ES

Presidente da Câmara de João Neiva alega ter sido agredido. Ele e uma servidora registraram ocorrência na Polícia Civil. Vereador cassado diz que agiu em legítima defesa

Tempo de leitura: 5min
Linhares
Publicado em 27/04/2022 às 15h14

A sessão extraordinária de terça-feira (26) na Câmara Municipal de João Neiva, no Norte do Espírito Santo, foi marcada por tumulto e virou caso de polícia. Por 10 votos contra um, o vereador Lucas Recla (PSL) teve o mandato cassado. Um vídeo mostra o momento em que policiais tentam apartar uma confusão e é possível ver pessoas com ânimos mais exaltados.

A confusão de iniciou quando quatro vereadores já tinham votado. A sessão precisou ser suspensa e a Polícia Militar agiu para conter o público. O presidente da Casa, o vereador Glauber Tonon (Republicanos) e a auxiliar administrativa da Câmara Bruna Gabrieli Cometti disseram ter sido agredidos por Lucas Recla. Após a confusão, os demais parlamentares finalizaram a votação.

Na manhã desta quarta, Tonon e Bruna foram até a delegacia de Polícia Civil de João Neiva para registrar a ocorrência. O presidente informou que fez exame de corpo de delito, a pedido da polícia.

“Houve essa confusão e nesse tempo ele (vereador Lucas Recla) jogou um copo de água na minha cara. A família dele veio para cima de mim, para me agredir, e tomei um soco na boca do padrasto dele”, disse o presidente.

O presidente e o vereador estavam próximos. Segundo a funcionária, ela tentou separar os dois e foi empurrada por Recla. “Eu estava entre os dois. Quando me virei para ele, ele me empurrou e lançou no chão. Ele disse que era porque eu estava agredindo ele, mas eu nem encostei nele. Tendo em vista o histórico de violência do Lucas e de seu pai, que são conhecidos na cidade, eu solicitei uma medida protetiva”, falou Bruna.

O OUTRO LADO

O vereador Lucas Recla admite que jogou água no presidente da Câmara, mas argumenta que agiu em legítima defesa. “Se tivesse chegado às vias de fato, a polícia interviria. No momento, o presidente veio para cima de mim, me agrediu com palavras, e eu joguei água nele. Uma assistente administrativa entrou no meio e tentou separar a situação. Não sei se foi sem querer, ela colocou a mão no rosto e no meu pescoço. Ela disse que foi agredida, mas os policiais falaram que o que ocorreu foi normal, por causa do tumulto”, ele disse.

Sobre o soco que o presidente relata ter recebido, Recla não confirma, mas reconhece que haviam pessoas que defendiam ele no local. “Possivelmente, diante do tumulto, pessoas que me defendiam se sentiram na necessidade de preservar sua integridade física, e também agiram em legítima defesa”, falou o vereador cassado.

Ele falou que também irá registrar o que aconteceu para que as autoridades policiais tenham ciência e apurem, mas não disse quando.

O vereador cassado alega que rasgou folhas no meio da Câmara porque policiais teriam determinado a suspensão da sessão, mas depois ela foi restabelecida. “Contrariando a decisão das autoridades, não aceitaram suspender a sessão e seguiram com ela. Se é pra rasgar a constituição, vamos rasgar o que está acontecendo aqui”, falou o vereador. O documento da pauta da cassação do mandato não foi destruído.

A Polícia Civil foi procurada para informar se investiga o caso, mas até o momento não respondeu à demanda.

VERSÃO DA POLÍCIA MILITAR

A sessão não foi transmitida pelas redes sociais e não existem, até o momento, registros audiovisuais que mostram agressão física. 

A Polícia Militar informou, em nota, que atendeu ao pedido da Câmara para reforçar o policiamento nas imediações da Casa para o evento de votação de cassação.

Os policiais precisaram intervir quando cerca de 40 pessoas que acompanhavam a sessão iniciaram um tumulto. “A confusão ficou generalizada, inclusive entre os componentes da bancada, e foi solicitado reforço para que fosse possível dar prosseguimento à votação. Após a chegada de reforço, a ordem foi retomada”, concluiu a instituição, que não confirmou os casos de violência.

CASSAÇÃO DO MANDATO

A Câmara votou pela cassação do mandato de Lucas Recla por quebra de decoro parlamentar. O presidente Tonon afirmou que o processo foi aberto porque o parlamentar disse que havia uma organização criminosa entre os vereadores. “Ele disse que a Câmara tinha uma organização criminosa e não apresentou documentos para provar. Isso configura uma quebra de decoro. No ano passado, ele já tinha cometido desrespeito a vereadores na hora das votações. Ele quer obrigar os vereadores a votar do jeito que ele quer."

A única parlamentar que votou contra a cassação do mandato foi a vereadora Simone Dentista (Progressistas).

O vereador cassado acredita que o processo administrativo é de cunho político e que é de interesse do prefeito da cidade, Paulo Sergio de Nardi (Republicanos), o Micula, manter uma base na Câmara.

“Tenho certeza que diante das problemáticas do município, o prefeito quer manter uma base para ele fazer as coisas da forma que ele acha que deve, dentro da própria administração. Há toda uma administração corrompida, contaminada. Foram feitas várias intervenções durante o meu mandato. Alegaram a quebra de decoro parlamentar, mas suprimiram ritos processuais”, disse Recla.

Para A Gazeta, ele afirmou que vai recorrer da decisão na Justiça. “Estou conversando com a minha assessoria jurídica e estamos vendo o que pode ser feito. Vamos recorrer judicialmente para garantir o nosso direito e de forma legítima conseguir reverter isso”, reforçou.

O QUE DIZ A PREFEITURA

A Prefeitura de João Neiva informou, por nota, que a cassação do vereador partiu da Câmara de Vereadores e que foi um procedimento interno. “O motivo para a cassação foi interno, do próprio Poder Legislativo. O Poder Executivo sempre mantém diálogo aberto com os parlamentares, e respeitando a decisão soberana da Câmara de Vereadores da cidade”, concluiu. Sobre a acusação de corrupção, a administração informou que não irá se posicionar.

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