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Tiroteio na Piedade: traficantes queriam invadir a Fonte Grande, diz polícia

Segundo o tenente-coronel Borges, criminosos do Moscoso passaram pelo Morro da Piedade para chegar ao Morro da Fonte Grande, onde fariam ataque

Publicado em 04/02/2020 às 16h14
Atualizado em 04/02/2020 às 19h47

O intenso tiroteio que assustou os moradores do Morro da Piedade, na noite desta segunda-feira (3), foi provocado por traficantes do Moscoso que queriam invadir o Morro da Fonte Grande. A afirmação é do tenente-coronel Borges, do 1º Batalhão da Polícia Militar. Segundo ele, os criminosos passaram pelo local, se depararam com o policiamento na região e houve o tiroteio.

OUÇA A EXPLICAÇÃO DO TENENTE-CORONEL

"Apesar de não ser a maior comunidade, a região da Piedade fica em um lugar estratégico, entre locais onde o tráfico de drogas tem rivais. Por isso, nós temos um policiamento constante por lá, com duas subidas diárias, exatamente com intuito de proteger quem mora no morro e no entorno dele", explicou Borges.

De acordo com ele, a Polícia Militar não tinha conhecimento de trocas de tiros desde junho do ano passado, quando duas casas foram incendiadas, também por causa da rivalidade de grupos ligados ao tráfico de drogas. Por isso, o tiroteio desta segunda-feira (3), foi considerado um "ponto fora da curva" da realidade no Morro da Piedade.

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Tenente-coronel Borges

Comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar

"Nós tivemos um aumento de confrontos armados, mas não no Morro da Piedade. Esta foi uma tentativa de ataque feita por pessoas de fora e que está sendo investigada"

Com duas subidas diárias ao Morro da Piedade, a Polícia Militar já realizava um trabalho de caráter mais comunitário na região, segundo o tenente-coronel Borges. "É uma rotina que temos desde 2018. Temos contato com os moradores e nossas ações repressivas já não eram as principais", explicou.

Para o caso de situações como essa, ele disse que a população deve buscar abrigo e evitar ficar perto de janelas. "Se possível, também indicamos que as pessoas se abaixem, porque, ainda que esteja meio distante, é possível que sejam atingidas, principalmente se o calibre da arma for muito alto”, garantiu.

ARMAMENTO PESADO

Tanto os vídeos, quanto os áudios do tiroteio recebidos por A Gazeta, impressionam: são dezenas de tiros, acompanhados da aflição  e do medo de quem estava por perto, na região do Morro da Piedade. De acordo com alguns moradores locais, os disparos começaram por volta das 19h15 e só terminaram cerca de 20 minutos depois.

Questionado a respeito dos registros, o tenente-coronel Borges foi categórico. “Pelo próprio som das gravações é possível perceber: tinham armas de grosso calibre entre as que foram usadas ontem durante o tiroteio. As cápsulas que nós encontramos também demonstram isso”, garantiu.

VEÍCULO DE FUGA?

Ainda durante a noite desta segunda-feira (3), a Polícia Militar recebeu a informação de que um veículo deu fuga às pessoas que haviam feito a tentativa de ataque. "Com o apoio do Cerco Eletrônico, encontramos o veículo no Centro de Vitória e fizemos a abordagem; mas, infelizmente, as pessoas não estavam mais no carro", contou o tenente-coronel Borges.

Para não prejudicar as investigações, a identidade do motorista está sendo preservada. "Em um primeiro momento, ele afirmou que era motorista de aplicativo, mas verificamos que ele não tinha cadastro junto ao serviço, e depois ele confirmou que tinha transportado pessoas do Moscoso para fora da comunidade", revelou.

GUERRA DO TRÁFICO: BREVE HISTÓRICO

Em 2018, os moradores de Caratoíra e do Morro Alagoano sofreram com tiroteios, também por causa da disputa do tráfico de drogas. O local estava tentando ser reconquistado pelo Primeiro Comando de Vitória, que estava à frente do Complexo da Penha e que já havia dado apoio aos traficantes da Fonte Grande, na conquista do Morro da Piedade.

Porém, tentando impedir esse avanço da organização ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), estavam outros grupos criminosos menores, que formaram alianças e eram responsáveis por algumas regiões da cidade, incluindo Moscoso. Ou seja, de um lado do confronto estavam Fonte Grande e Piedade; e do outro, Moscoso.

Por enquanto, não é possível afirmar que o cenário permanece o mesmo e que o tiroteio seria uma nova tentativa de expansão – mas a ligação com o tráfico de drogas é certa. “Estamos com uma investigação para tentar identificar o alvo desse ataque e também a origem exata dele”, explicou o tenente-coronel Borges.

SOB INVESTIGAÇÃO

Procurada, a Polícia Civil informou que o tiroteio seguirá sob investigação do 1º Distrito de Polícia de Vitória e que nenhum suspeito foi detido até a tarde desta terça-feira (4). A organização também garantiu que o serviço de inteligência monitora atividades criminosas e investiga o tráfico de drogas em todo o Estado, inclusive na Região de Piedade e no Morro do Moscoso.

DISQUE-DENÚNCIA (181)

Tanto por parte da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar, há um pedido para que a sociedade colabore com denúncias através do telefone 181 ou do site oficial do Disque-Denúncia. “Se você souber onde estão as armas, ou para onde uma pessoa envolvida foi, denuncie, que as ações serão tomadas”, pediu o tenente-coronel.

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