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Entenda a guerra do tráfico nos morros de Vitória

Desde o último fim de semana, os moradores do Morro do Alagoano têm o sono interrompido por tiroteios. Por trás da cena de violência há uma trama de vingança pessoal, disputa por poder e expansão do tráfico

Publicado em 17 de Agosto de 2018 às 20:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 ago 2018 às 20:58
Policiais militares fazem segurança no Alagoano Crédito: Fernando Madeira
A disputa de facções criminosas pelo controle da venda de drogas no Morro do Alagoano e em Caratoíra, em Vitória, tem acarretado em constantes tiroteios nas últimas semanas na região. Por trás da guerra está o interesse nos bairros, já que ambos possuem boa visibilidade e acessos complicados, o que dificulta a presença da polícia na região.
Alagoano e Caratoíra são disputados por duas facções. De um lado estão os traficantes do PCV (Primeiro Comando de Vitória), que atuam no Complexo da Penha, que é composto por Bairro da Penha, Bonfim, Itararé, São Benedito e Gurigica. Do outro estão os chamados "rejeitados", grupo formado por pequenos traficantes que foram expulsos do Alagoano e que agora querem vingança.
ENTENDA
 
A gestão dos "negócios" do PCV está nas mãos de Fernando Moraes Pereira Pimenta, conhecido como Marujo. Marujo recebe ordens para executar os planos de Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, principal liderança de sua organização criminosa, que está preso no Presídio de Segurança Máxima II.
O líder do PCV, Beto, conta com o apoio de outros traficantes que comandam o tráfico na Grande Vitória, como Frajola, de Terra Vermelha, Marcelinho, de Viana e Moderninho, de Piedade. Beto e seus comparsas são ainda o braço na Grande Vitória do PCC (Primeiro Comando da Capital), uma das maiores organizações criminosas do Brasil.
Além do interesse estratégico pelo Alagoano/Caratoíra para a expansão dos negócios, Beto e seus aliados querem ainda vingar a morte de um amigo, morto sem autorização da facção. Trata-se de Antonio Campelo Sodré, o Tucano, traficante assassinado no mês passado em um ponto de ônibus em Viana. Ele era ligado ao PCV, e liderava o tráfico no Alagoano e tinha substituído outro comandante do tráfico local, o Gu, também assassinado.
Ocorre que Gu, antes de morrer, foi o responsável por expulsar os homens que posteriormente formaram os tais "rejeitados". Eles se uniram aos traficantes vizinhos dos morros do Cabral, do Quadro e de Bela Vista. Juntos querem agora retomar comandar o tráfico de Alagoano/Caratoíra, que está sem chefia.
Os rejeitados teriam ainda abraçado o desejo de vingança de um pequeno traficante local, João, morador de Caratoíra, que teve a família assassinada durante a greve dos policiais, em fevereiro de 2017, enquanto estava na prisão. Solto há algumas semanas, ele se uniu ao grupo que também vem prometendo uma limpeza geral, com a expulsão dos atuais traficantes. Há uma suspeita até de que os rejeitados estejam por trás do assassinato de Tucano, o que estaria provocando ainda mais a raiva do grupo de Beto.
Para piorar a situação, Antonio Campelo, que teve várias passagens por presídios federais, era ainda o responsável por guardar a parte do dinheiro da organização criminosa destinada ao PCC. Valores que estavam com ele no dia em que foi assassinado e que acabaram desaparecendo. O sumiço gerou outro motivo de conflito entre os traficantes do Complexo da Penha e os rejeitados.

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