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PF desvenda mistério de bolsas com cocaína encontradas no litoral do ES

Em operação deflagrada nesta terça-feira (23), Polícia Federal informou que os criminosos jogaram a droga no mar durante uma perseguição policial

Vitória
Publicado em 23/11/2021 às 10h51
Tráfico
Bolsa com cocaína encontrada no litoral Norte do ES. Crédito: Polícia Federal

Polícia Federal desvendou a origem das bolsas de cocaína que apareceram no litoral baiano e capixaba entre maio e julho de 2021. No mês de junho, foram encontrados mais de 30 quilos de pasta base de cocaína na Praia de Pontal do Ipiranga, em Linhares, Norte do Estado. As investigações mostram que os criminosos jogaram a droga no mar durante uma perseguição policial.

O material encontrado no litoral foi investigado dentro da Operação Mar Aberto, deflagrada nesta terça-feira (23), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de cocaína. 

BOLSAS DE DROGA NO MAR

No dia 6 de junho, foi encontrada uma bolsa misteriosa com sinais de corais se formando e carregada com cocaína. O material era semelhante a outras bolsas vistas no litoral da Bahia em meses anteriores.

À época, a Polícia Civil afirmou que as investigações preliminares apontaram para a relação da bolsa encontrada no Espírito Santo com as localizadas no litoral baiano.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal informou que esse material foi jogado em alto-mar pela tripulação de uma embarcação que estava sendo perseguida pela corporação. Em vídeo, o Superintendente Regional da PF no Espírito Santo, delegado Eugênio Ricas, fala sobre a operação e as bolsas com drogas.

"Aqui no Espírito Santo, nós demos cumprimento a um mandado de busca e apreensão em Itapemirim. A operação de hoje, que desarticulou essa grande organização criminosa resolve o mistério das bolsas de cocaína, que de maio a julho chegaram ao litoral capixaba, uma vez que uma das embarcações que foi abordada durante as investigações se desfez daquelas bolsas com cocaína, jogou na água e a maré fez com que a cocaína chegasse ao litoral capixaba", explicou.

"A associação criminosa vai responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico e podem pegar até 25 anos de cadeia. O mais importante: está sendo dado cumprimento a medidas de bloqueios de bens. A única medida da gente vencer o crime organizado é descapitalizando as organizações criminosas", completou. 

Superintendente da PF/ES comenta sobre a operação Mar Aberto

A embarcação saiu de Itajaí, em Santa Catarina, foi carregada no litoral do Recife, em Pernambuco, com 2,8 mil quilos de cocaína e seguiu viagem rumo à costa da África. Ao ser perseguida, dispensou as bolsas em alto-mar e a polícia não conseguiu apreender carga ilícita na embarcação.

Há registro de que, até o momento, foram recuperadas 17 bolsas náuticas intactas, carregadas com 442 quilos de cocaína.

Tráfico
Cerca de 2,8 toneladas de cocaína estavam em um barco  abordado em Santa Catarina. Crédito: Polícia Federal

OPERAÇÃO MAR ABERTO

Por meio da simulação de operações de pesca, os criminosos tentavam movimentar toneladas de cargas de cocaína para alto-mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e da Europa, de acordo com as investigações. No Estado, a ação ocorre na cidade de Itapemirim, na Região Sul.

Cerca de 100 policiais federais cumprem 20 mandados de busca e apreensão nos Estados de Santa Catarina (Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Porto Belo, Florianópolis, Itajaí, Navegantes e São José), Paraná (Curitiba e Matinhos) e Espírito Santo, além de seis mandados de prisão preventiva de outros investigados.

Na ação, autorizada pela 1ª Vara Federal de Itajaí, também estão sendo sequestrados veículos, imóveis e duas embarcações de pesca industrial, pertencentes ao grupo criminoso.

As investigações tiveram início em outubro de 2020 e possibilitaram identificar uma organização criminosa que se apossou de barcos de pesca industrial para transportar grandes quantias de cocaína para o exterior.

Além da aquisição de embarcações de grande autonomia e capacidade de armazenamento de carga, a organização contratou, em vários pontos do país, tripulações especializadas na atividade de navegação marítima para realização de longas travessias intercontinentais.

Durante pouco mais de um ano de investigação, a Polícia Federal identificou três barcos pesqueiros, além de operadores logísticos e gerentes operacionais em solo.

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