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PF faz operação no ES contra grupo que exportava cocaína em barcos de pesca

Além do Espírito Santo, a ação da PF foi desencadeada em Santa Catarina e no Paraná. Segundo as investigações, envolvidos usavam embarcações pesqueiras em rotas internacionais para o transporte da droga

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/11/2021 às 08h41
Tráfico
Cerca de 2,8 toneladas de cocaína estavam em um barco, com quatro tripulantes do ES, abordado em Santa Catarina. Crédito: Polícia Federal

Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Mar Aberto, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de cocaína. Por meio da simulação de operações de pesca, os criminosos tentavam movimentar toneladas de cargas de cocaína para alto-mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e Europa, de acordo com as investigações. No Estado, a ação ocorre na cidade de Itapemirim, na Região Sul.

Cerca de 100 policiais federais cumprem 20 mandados de busca e apreensão nos Estados de Santa Catarina (Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Porto Belo, Florianópolis, Itajaí, Navegantes e São José), Paraná (Curitiba e Matinhos) e Espírito Santo, além de seis mandados de prisão preventiva de outros investigados. Na ação, autorizada pela 1ª Vara Federal de Itajaí, também estão sendo sequestrados veículos, imóveis e duas embarcações de pesca industrial, pertencentes ao grupo criminoso.

As investigações tiveram início em outubro de 2020 e possibilitaram identificar uma organização criminosa que se apossou de barcos de pesca industrial para transportar grandes quantias de cocaína para o exterior.

Além da aquisição de embarcações de grande autonomia e capacidade de armazenamento de carga, a organização contratou, em vários pontos do país, tripulações especializadas na atividade de navegação marítima para realização de longas travessias intercontinentais.

Tráfico
Toneladas de cocaína foram apreendidas em operações recentes da PF em barcos que fariam o transporte da droga em rotas internacionais. Crédito: Polícia Federal

Durante pouco mais de um ano de investigação, a Polícia Federal identificou três barcos pesqueiros, além de operadores logísticos e gerentes operacionais em solo.

BARCO COM CAPIXABAS

No dia 3 de julho, uma embarcação com tripulantes do ES foi abordada na foz do rio Itajaí-Açu, carregada com 2,8 toneladas de cocaína ocultas sob densa camada de gelo. Na oportunidade, 07 tripulantes foram presos em flagrante. Em uma segunda fase da investigação, deflagrada em 16 de setembro e denominada operação Coroa, outros 07 envolvidos também foram presos, todos ligados a atividades logísticas de facilitação à operação de tráfico.

Santa Catarina
Sete tripulantes, incluindo capixabas, estavam neste barco no qual 2,8 toneladas de cocaína eram escondidas na câmara fria. Crédito: Divulgação/Polícia Federal

Em 20 de julho, outra embarcação foi abordada por equipe da Polícia Federal junto à costa da cidade de Porto Belo/SC, sendo localizados 844 quilos de cocaína no porão da embarcação, ocultos dentre as redes de pesca. Naquela oportunidade foram presas em flagrante 08 pessoas.

Uma terceira embarcação, também originária da frota pesqueira de Itajaí, estava sendo monitorada desde sua estada junto ao porto de Natal/RN, de onde partiu em 27 de fevereiro. Em aproximação ao litoral de Recife, teria sido carregada com 2.800 quilos de cocaína e seguiu viagem rumo à costa da África. Perseguida em alto-mar, a tripulação teria dispensado as bolsas náuticas que continham a droga, não sendo possível a apreensão da carga ilícita naquela oportunidade.

Posteriormente, entre os meses de maio e julho, bolsas de cocaína começaram a chegar no litoral da Bahia e do Espírito Santo, onde foram sendo encontradas pela população local. Há registro de que, até o momento, foram arrecadadas 17 bolsas náuticas intactas, carregadas com 442 quilos de cocaína.

Tráfico
Bolsas com cocaína foram encontradas no litoral Norte do ES e o Sul da Bahia. Crédito: Polícia Federal

As investigações apontam que, ao longo de um ano, a organização criminosa tentou exportar para os continentes africano e europeu ao menos 6,5 toneladas de cocaína. As provas que estão sendo coletadas auxiliarão na identificação dos financiadores da atividade criminosa, dentre outros eventuais participantes.

Por suas condutas, todos os investigados devem responder pelos crimes de tráfico internacional e associação para o tráfico, com penas somadas de 8 a 25 anos de prisão, além do perdimento dos bens utilizados nas ações criminosas ou adquiridos com o proveito destas.

MISTÉRIO RESOLVIDO

Em vídeo, o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas, explicou que a ação desencadeada no Estado explica o fato de bolsas com a droga terem surgido entre o litoral do Sul da Bahia e o Norte capixaba. De acordo com o chefe da PF, a cocaína encontrada foi descartada por uma destas embarcações investigadas na operação Mar Aberto.  

Superintendente da PF/ES comenta sobre a operação Mar Aberto

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