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Pessoas não autorizadas circulavam pelo sítio onde Dante Michelini foi morto em Guarapari

Pessoas não autorizadas circulavam pelo sítio onde Dante Michelini foi morto em Guarapari

Segundo as investigações da polícia, devido à extensão da área foi possível concluir que pessoas sem relação com Dantinho usavam a propriedade como local de passagem e circulação

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 19:03

A área extensa da propriedade e as condições encontradas dificultam a investigação sobre a morte de Dantinho Michelini
A área extensa da propriedade e as condições encontradas dificultam a investigação sobre a morte de Dantinho Michelini Crédito: Google Earth

O sítio onde Dante Brito Michelini, de 76 anos, foi encontrado decapitado e morto no dia 3 de fevereiro, na região de Meaípe, em Guarapari, na Região Metropolitana do ES é extenso, antigo e apresentava circulação de pessoas sem qualquer autorização, segundo as investigações iniciais do crime pela Polícia Civil. A característica do local passou a ser considerada um ponto de atenção na elucidação do caso, que ainda busca esclarecer autoria e motivação.

De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, o terreno chamou a atenção das equipes logo nas primeiras diligências. “É uma casa muito antiga e o espaço é bem fechado, tipo floresta, e muito grande o terreno”, afirmou em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (6).

Segundo ele, durante o trabalho no local, os policiais perceberam que a propriedade não era totalmente restrita. "A gente observou que também servia de passagem de pessoas, percebemos isso ontem (quinta-feira). Pessoas passavam sem nenhuma autorização", disse.

Possível data da morte

Dante de Barros Michelini, conhecido como Dantinho Michelini, na década de 70
Dante de Barros Michelini, conhecido como Dantinho Michelini, foi encontrado morto no dia 3 de fevereiro Crédito: CEDOC/ A Gazeta

O corpo de Dante foi localizado já em decomposição, sem a cabeça e com sinais de carbonização. A perícia apontou que a morte provavelmente ocorreu entre os dias 13 e 20 de janeiro. O dia 13 é considerado uma data-chave porque foi a última vez em que o telefone celular de Dantinho foi utilizado. Já no dia 20, moradores relataram ter visto fumaça saindo da propriedade.

Segundo o delegado, o intervalo de tempo entre a morte e a localização do corpo representa um dos principais desafios da investigação. “Tem um hiato muito grande aí”, explicou, destacando que as primeiras 24 a 32 horas de trabalho foram dedicadas exclusivamente à análise da cena do crime e às buscas pela cabeça da vítima, com apoio de cães farejadores especializados em localizar corpos humanos.

As equipes também começaram a ouvir pessoas que tiveram contato com Dante antes da morte. O delegado explicou que, apesar de a vítima levar uma vida reclusa, havia circulação pontual de terceiros no sítio. “A gente sabe que ele tinha duas pessoas que iam lá de tempos em tempos”, disse, citando uma mulher que fazia serviços de limpeza e um homem ligado a ela que esteve na propriedade em dezembro. Ambos foram localizados e levados à delegacia para prestar esclarecimentos.

Outro ponto que passou a ser apurado é a informação de que o sítio estaria à venda, o que pode ter aumentado a circulação de pessoas no local antes do crime. “As primeiras informações que a gente tem é que nesses últimos períodos, ou seja, antes do dia 13, pela lógica, havia a presença de corretores de imóveis indo na propriedade”, afirmou Dutra, acrescentando que familiares também serão ouvidos para esclarecer essa questão.

Decapitação com faca

A Polícia Técnico-Científica confirmou que se trata de um homicídio e que a decapitação foi feita com um instrumento de corte fino. Segundo Dutra, esse detalhe reforça a complexidade do caso. “A maioria dos homicídios são cometidos com disparo de arma de fogo. Então não é uma coisa comum. É algo que nos redobra a atenção”, pontuou.

Imagens revela detalhes de onde foi localizado o corpo de Dante Michelini, em uma casa localizada em Meaípe, Guarapari

Enquanto as buscas pela cabeça da vítima continuam, equipes seguem em campo realizando novas varreduras no terreno, ouvindo testemunhas e atuando no trabalho de inteligência. O delegado reforçou que a investigação exige cautela. “É um trabalho muito técnico que não vai ser fácil, difícil mesmo, mas nós vamos conseguir avançar e apresentar o resultado para a sociedade, mas com calma”, concluiu.

Denúncias que possam ajudar na apuração podem ser feitas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181.

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