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'Deus não falhou', diz irmão de Araceli após morte de Dante Michelini

'Deus não falhou', diz irmão de Araceli após morte de Dante Michelini

Carlos Cabrera Crespo desabafou após receber a notícia da morte de Dante de Barros Michelini, encontrado decapitado em um sítio no Espírito Santo

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 11:58

 - Atualizado há uma hora

Dante Micheline foi absolvido no julgamento do caso Araceli
Dante Micheline foi absolvido no julgamento do caso Araceli Crédito: TV Gazeta

"Só queria que meus pais estivessem vivos para ver que Deus não falhou." Foi com esse desabafo que Carlos Cabrera Crespo, irmão da Araceli, reagiu ao receber à notícia da morte de Dante de Brito Michelini, de 76 anos, um dos absolvidos pelo assassinato da menina, ocorrido em 1973. Ele concedeu entrevista exclusiva à repórter Viviane Machado, do g1 ES. O corpo de Dante foi encontrado decapitado e carbonizado em um sítio em Meaípe, em Guarapari, na terça-feira (3). 

Dante foi um dos acusados e, posteriormente, absolvido pela Justiça, no caso do assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, um dos crimes mais emblemáticos de violência contra a criança do País. Para o irmão de Araceli, em conversa exclusiva ao g1 ES, o crime ocorrido há quase 53 anos foi mal investigado e teve falhas básicas, como falta de perícia.

"O que dizer? Um crime mal investigado onde não fizeram sequer, ao que me consta, perícia em vários locais. No carro dos suspeitos, onde supostamente minha irmã foi levada e dopada", disse Carlos. Ele afirmou ainda que, embora a Justiça tenha falhado para a família, agora fica um sentimento de "justiça divina".

A justiça dos homens falhou, mas eu sempre soube que a justiça divina tarda mas não falha. Deus deixou esta pessoa viver bastante tempo para ele sofrer na consciência dele o mal que ele fez. Se é que ele tinha consciência. Deus tarda, mas não falha nunca

Calos Cabrera Crespo

Irmão de Araceli Cabrera Crespo

Morte de Dante

A causa da morte de Dante de Brito Michelini ainda está sendo investigada e é tratada como homicídio pela Polícia Civil. A cabeça não havia sido localizada até a última atualização desta reportagem. Na manhã desta quinta-feira (5), a corporação divulgou que o corpo havia sido oficialmente identificado por meio de exame papiloscópico realizado no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória.

Dante era membro de uma das mais tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo. Inclusive, o avô dele, de mesmo nome, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória. Ao longo dos anos, a família se recusou a falar sobre o assunto com a imprensa diversas vezes.

Em um raro registro, o pai dele, Dante de Barros Michelini, falou em 1993 da sua versão da razão pela qual seu nome e de seu filho foram ligados ao caso Araceli. "Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local", falou, na época.

Dante foi um dos três principais acusados pela morte de Araceli. A menina tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em 1973. Em 1980, Dante de Brito Michelini chegou a ser condenado, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Após nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O crime acabou sendo arquivado e nunca teve responsáveis punidos. Em memória à menina Araceli, o dia 18 de maio foi instituido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000.

Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas no Brasil.

Websérie do caso Araceli

Em 2023, A Gazeta publicou uma websérie com quatro episódios contando todos os detalhes do caso Araceli. Confira abaixo:

Aos 8 anos, Araceli sumia nas ruas de Vitória logo após sair do colégio. Primeiro episódio da websérie conta a história da infância da menina, que virou símbolo da luta contra a violência sexual após seu desaparecimento
Na sequência da websérie, são apresentados depoimentos que indicam falhas na investigação e outros assassinatos; há também relatos sobre o encontro do corpo de uma criança
Terceiro episódio revela que Ministério Público denunciou três membros de famílias influentes em Vitória pelo estupro e assassinato de Araceli, mas julgamento foi anulado, e o crime acabou prescrevendo
A morte da menina marcou a história do Espírito Santo, mas não impediu que outros casos acontecessem; quarto episódio da websérie fala como a violência sexual contra crianças e adolescentes é cotidiana

*Com informações da repórter Viviane Machado, do g1 ES

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