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Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 18:17
O intervalo de tempo em que Dante Brito Michelini, de 76 anos, pode ter sido assassinado foi delimitado entre os dias 13 e 20 de janeiro, a partir de indícios técnicos e levantamentos iniciais da investigação, conforme divulgou a Polícia Civil nesta sexta-feira (6). O corpo foi encontrado no dia 3 de fevereiro, no sítio onde ele morava, na região de Meaípe, em Guarapari, na Região Metropolitana do ES, já em decomposição avançada, sem a cabeça e com sinais de carbonização.>
Segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, o intervalo foi estabelecido a partir de elementos objetivos reunidos no início da investigação. >
O dia 13 de janeiro é considerado um marco inicial porque foi a última vez em que houve uso do telefone celular de Dante. Já o dia 20 entrou no radar da polícia após relatos de que teria sido vista fumaça saindo da propriedade. >
O delegado explicou que existe um segundo intervalo, ainda, maior que dificulta o trabalho investigativo, já que entre o possível período da morte e o acionamento da polícia passaram-se vários dias. Por isso, as primeiras 24 a 32 horas de trabalho foram concentradas na análise detalhada do local do crime e nas buscas pela cabeça da vítima, que até agora não foi localizada.>
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Para isso, equipes especializadas com cães farejadores foram acionadas, além da perícia técnico-científica, que confirmou tratar-se de um homicídio. Conforme a análise preliminar, houve um corte fino separando a cabeça do corpo, compatível com o uso de uma faca muito afiada, além de indícios de outras lesões na região do tórax.>
“O que a Polícia Técnico-Científica nos trouxe é que ali realmente era uma cena de homicídio e que houve uma secção de corte fino, provavelmente uma faca separou a cabeça do corpo e também um indicativo de lesões perfuro-cortantes na região do tórax”, afirmou Fabrício Dutra.>
A investigação também avançou para reconstruir a rotina de Dante, descrito pela polícia como uma pessoa de hábitos reclusos, que vivia de forma isolada. Segundo o delegado, o acesso ao sítio era bastante restrito, e poucas pessoas frequentavam o local. Entre elas, uma mulher que realizava serviços de limpeza, que esteve na propriedade pela última vez no dia 7 de janeiro. Além da faxineira, um homem ligado a ela, que teria ido ao sítio ainda em dezembro. Ambos foram localizados e ouvidos como possíveis testemunhas.>
A polícia apura informações de que o sítio estaria à venda e que corretores de imóveis teriam estado na propriedade nos dias anteriores ao possível período da morte. A família também será ouvida para esclarecer essa circunstância. “Queremos saber com quem convivia, os últimos a estarem com ele, os contatos que realizou antes de morrer”, disse o delegado, ao destacar que todas as linhas de investigação permanecem abertas.>
Mesmo após os primeiros levantamentos, a Polícia Civil mantém equipes em campo. Segundo Fabrício Dutra, policiais da região, equipes especializadas e setores de inteligência seguem atuando simultaneamente em três frentes: novas buscas na propriedade, identificação de testemunhas e análise de informações estratégicas.>
O delegado ressaltou que se trata de uma investigação complexa, principalmente pelo longo lapso temporal e pelas características do local, uma área extensa, fechada, sem câmeras de segurança e com circulação eventual de pessoas. "É muito precipitado falar qualquer coisa agora diante do cenário que encontramos. Mas as equipes não param. É um trabalho muito técnico que tem que ser feito com calma e que não vai ser fácil", finalizou o delegado.>
Por fim, a Polícia Civil reforça o pedido de colaboração da população. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181.>
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