A técnica de enfermagem que utilizou algodão aquecido no pé de um bebê, provocando graves queimaduras, foi indiciada por lesão culposa — quando não há intenção criminosa. A conclusão é da Polícia Civil, que divulgou detalhes da investigação sobre o caso nesta quarta-feira (8). O nome da profissional não foi revelado.
O chefe da corporação, Darcy Arruda, reforçou que a profissional de 34 anos não teve o propósito de ferir o paciente recém-nascido, porém "agiu com negligência e imprudência", utilizando método não recomendado pelo Conselho de Enfermagem e Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, onde o caso foi registrado.
Segundo a delegada que conduziu a investigação, Thais Cruz, a técnica de enfermagem narrou em depoimento que o bebê estava com temperatura baixa e que ela precisava medir a glicose dele, por isso decidiu aquecer o algodão na parte superior do berço térmico, onde o recém-nascido estava.
"O berço tem onda de calor que esquenta. Ela passou o algodão na estrutura, viu que estava esquentando e descartou um pedaço mais amarelado. Depois dividiu o restante, checou a temperatura na mão e colocou dentro da meia do bebê, acreditando que não estava muito quente", contou a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
O resultado da perícia
Apesar disso, a perícia realizada pela Polícia Científica não conseguiu apontar com precisão o que causou a combustão do algodão, mas a investigação indicou que o aquecimento do material sobre o berço térmico e o contato direto com o bebê foram determinantes para o ferimento, explicou o chefe da Polícia Civil.
Profissional abalada e em choque
A delegada da DPCA destacou que a técnica de enfermagem ficou bastante abalada no depoimento. Durante o processo de investigação, testemunhas ouvidas também narraram que a profissional entrou em choque quando viu que queimou o bebê — que havia nascido naquele mesmo dia.
"Em todo o interrogatório ela só chorava e assumiu que, na boa intenção de aumentar a temperatura para fazer o exame de glicose, fez essa técnica que diz ter aprendido. Percebi que ela não teve intenção, mas agiu com negligência", avaliou Thais Cruz.
A prática que a profissional disse ter aprendido não é recomendada pelo Conselho de Enfermagem nem pela rede estadual hospitalar do Espírito Santo.
A Polícia Civil enviou a conclusão da investigação para o Ministério Público, que deve apresentar denúncia ao Juizado Especial Criminal. "O crime prevê pena de dois meses a um ano de detenção, mas o procedimento pode resultar em acordo de reparação de dano ou outras medidas alternativas", finalizou Arruda.