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Médico envenenado sobre a secretária: “Ela é uma serpente, encanta qualquer um. Me traiu covardemente”

Médico envenenado sobre a secretária: “Ela é uma serpente, encanta qualquer um. Me traiu covardemente”

Aos 90 anos, o renomado cardiologista Victor Murad enfrenta o trauma de ter sido vítima do que acredita ser um plano calculado de envenenamento com arsênio e fraude financeira

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 05:56

Médico Victor Murad, de 90 anos, acusa a ex-secretária de envenená-lo com arsênio
Médico Victor Murad, de 90 anos, acusa a ex-secretária de envenená-lo com arsênio Crédito: Reprodução/Fantástico

O que deveria ser uma aposentadoria tranquila dedicada ao legado de seis décadas na medicina transformou-se em um enredo de crime e sobrevivência para o médico Victor Murad. Aos 90 anos, o renomado cardiologista e um dos fundadores da Sociedade de Cardiologia do Espírito Santo enfrenta o trauma de ter sido vítima do que acredita ser um plano calculado de envenenamento e fraude financeira, supostamente arquitetado por sua secretária de confiança, Bruna Garcia. O médico, que teve sua história revelada pela colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta,  falou pela primeira vez, para o Fantástico, por meio da equipe da TV Gazeta.

Foi uma crueldade o que ela fez comigo. Uma crueldade. Me traiu terrivelmente

Victor Murad

Médico

Bruna Garcia não era uma funcionária comum. Ela chegou à clínica de Murad em 2013, com a recomendação da própria mãe, que trabalhou como faxineira do médico por 20 anos. Ao longo de 12 anos, conquistou a confiança cega do cardiologista, tornando-se a gestora absoluta de suas finanças.

Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Ela encanta qualquer um. É uma serpente

Victor Murad

Médico

Segundo as investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a vítima não tinha acesso a transações digitais, como o PIX, delegando tudo à secretária. Essa autonomia permitiu que Bruna desviasse mais de R$ 500 mil através de transferências para parentes, uso de cartões de crédito e empréstimos bancários não autorizados.

Envenenamento

As suspeitas começaram a surgir no ano passado, quando o dr. Victor e sua esposa tentaram realizar uma operação bancária e descobriram que o saldo era insuficiente. Ao questionar o banco, o médico ouviu do gerente que estava "gastando demais". Na realidade, o dinheiro financiava o padrão de vida de Bruna, com viagens de luxo a Paraty, passeios de barco e estadias em hotéis de montanha.

No entanto, o crime financeiro era apenas parte do plano. Para evitar que os desvios fossem descobertos, o Ministério Público afirma que Bruna passou a envenenar o médico com arsênio, uma substância altamente tóxica que pode causar arritmia, anemia e morte.

“Esses desvios estavam na iminência de serem descobertos. Com o objetivo de ocultar a responsabilidade, matá-lo poderia ajudar a evitar que as fraudes viessem à tona", explicou ao Fantástico o promotor Rodrigo Monteiro.

Enquanto a secretária desfrutava de "banhos de espuma" custeados pela vítima, o estado de saúde do dr. Victor declinava rapidamente. Ele apresentava sintomas graves que intrigavam a família e o levaram diversas vezes à emergência.

Eu estava piorando e não sabia o porquê. Cheguei a vomitar sangue. Fiquei com anemia, fraqueza nas pernas e meu tremor de Parkinson aumentou drasticamente

Victor Murad

Médico

A peça-chave para a descoberta do crime foi encontrada após Bruna pedir demissão. Uma funcionária localizou um frasco de arsênio em uma sala que servia de depósito. A defesa do médico solicitou exames periciais imediatos. Como o arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina, a prova definitiva veio da análise capilar. Peritos da Polícia Científica analisaram fios de 15 centímetros, confirmando que o médico foi envenenado sistematicamente por pelo menos um ano e três meses. Segundo as investigações, a substância era colocada discretamente na água de coco e nas refeições servidas na clínica.

Justiça e defesa

A ex-secretária do médico, Bruna Garcia, é a principal suspeita do crime
A ex-secretária do médico, Bruna Garcia, é a principal suspeita do crime Crédito: Reprodução/Fantástico

Bruna Garcia está presa desde outubro do ano passado. Ela responde por tentativa de homicídio qualificado e fraude financeira. A investigação também revelou que o veneno foi comprado com uma nota fiscal em nome do marido da ex-secretária, embora a polícia tenha concluído que ele não sabia da finalidade da compra.

O advogado que defende Bruna Garcia, James Gouvea, nega as acusações.

"Ter um laudo de envenenamento não comprova que Bruna o envenenou. Pode ter sido outra pessoa ou acidental. Ela afirma que toda a movimentação financeira era de conhecimento e autorizada pelo médico. Vou dizer que ela é inocente, o processo foi mal investigado, o processo foi mal conduzido pela acusação”, sustenta o advogado de defesa.

Esperança

Ainda se recuperando das sequelas físicas em casa, dr. Victor Murad espera que o caso vá a júri popular.

"Ela te mata sorrindo", define o médico, que hoje luta para retomar a saúde após sobreviver à maior traição de sua vida.

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