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Mãe denuncia aluno que usou IA para criar fotos da filha nua em escola de Vitória

Mãe denuncia aluno que usou IA para criar fotos da filha nua em escola de Vitória

Adolescente teria usado inteligência artificial para manipular foto de três alunas; famílias procuraram a polícia após divulgação entre estudantes

Publicado em 11 de março de 2026 às 11:50

Mãe denunciou aluno que usou IA para criar fotos da filha nua em escola de Vitória
Mãe denunciou aluno que usou IA para criar fotos da filha nua em escola de Vitória Crédito: Fabrício Christ

Um caso de criação e divulgação de falsos "nudes" — fotos que mostram uma pessoa nua — envolvendo estudantes gerou revolta entre famílias em uma escola em Jardim Camburi, Vitória. Segundo a mãe de uma das vítimas, uma adolescente de 14 anos, um aluno manipulou uma foto antiga das colegas usando inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez e passou a compartilhar o material entre outros estudantes.

De acordo com a mãe de uma das estudantes, em relato para a TV Gazeta, a situação teria começado após a filha encerrar um relacionamento com o garoto. Os dois estavam se conhecendo, mas a adolescente decidiu não continuar. “Quando o relacionamento ia evoluir para um namoro, ela disse que não queria. Eu acho que essa foi a motivação do crime”, relatou.

Segundo a  mulher, após o término o estudante insistiu em retomar o contato e, em algum momento, manipulou a imagem com a ajuda de outro colega. A foto utilizada seria antiga e já estava salva no celular do garoto. “Era uma foto de um ano e meio atrás, das três (amigas) juntas no shopping, sorrindo”, contou.

A mãe afirma que os adolescentes utilizaram inteligência artificial (IA) para remover digitalmente as roupas das meninas na imagem. O material começou a circular dentro da própria escola. “Ele foi mandando um por um e também mostrando para outros alunos”, disse.

O caso chegou ao conhecimento da vítima quando um colega viu a imagem e decidiu alertar uma amiga, que entrou em contato com a adolescente. O impacto emocional foi imediato. A adolescente ficou profundamente abalada ao descobrir a manipulação da imagem. “Ela me disse: ‘Parece que eles tiraram a minha roupa de verdade’. E eu respondi que é exatamente isso, porque é uma violência real”, relatou a mãe.

No dia seguinte, as adolescentes procuraram a direção da escola para relatar o ocorrido e pedir providências. Segundo a mãe, os estudantes envolvidos foram chamados para conversar e admitiram ter manipulado a imagem. “Eles chamaram os pais dos meninos para conversar e deram um dia de suspensão. Disseram que iam lidar com isso de forma educativa”, afirmou.

Sentimento de injustiça

Inconformadas com a situação, as famílias das vítimas decidiram procurar a polícia. “A gente procurou a escola e também a polícia, porque a gente sabe que isso é crime e precisa ser respondido judicialmente”, disse.

A mãe conta que a filha segue emocionalmente abalada com o episódio e relata que o sentimento predominante é de injustiça. “O menino saiu da coordenação dizendo que isso não ia dar em nada. Então é muito triste. Toda vez que elas olham para esses meninos e eles cochicham, ela já pensa que estão falando delas.”

O que diz a Polícia Civil

A Polícia Civil informa, por meio da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle), que tomou conhecimento de fatos envolvendo duas adolescentes de 14 anos, cujas imagens teriam sido manipuladas digitalmente e posteriormente divulgadas por outros alunos.

Após conhecimento dos fatos foi registrado um boletim de ocorrência, ocasião em que foram formalizadas as informações iniciais acerca do ocorrido. A partir do registro, foi instaurado procedimento para apuração das circunstâncias narradas, sendo realizadas diligências necessárias para o completo esclarecimento do caso, com a identificação dos envolvidos e análise do material eventualmente utilizado ou divulgado. O estabelecimento escolar está colaborando com as apurações, já tendo encaminhado os documentos requisitados.

Por envolver adolescentes, as informações do procedimento tramitam sob sigilo, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, razão pela qual maiores detalhes não podem ser divulgados neste momento. A Polícia Civil reforça que condutas envolvendo manipulação e divulgação não autorizada de imagens podem configurar ilícitos e são objeto de rigorosa apuração.

O que diz a escola

A reportagem demandou via e-mail, ainda na terça-feira, e tenta contato com a unidade de ensino onde o episódio teria ocorrido para saber quais medidas foram tomadas pela instituição. O texto será atualizado caso haja retorno.

Com informações de Caique Verli, da TV Gazeta

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