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Justiça nega liberdade a policiais militares presos com drogas em Vila Velha

O pedido foi feito pela defesa deles, mas foi negado pelo plantão do Tribunal de Justiça. Soldado e cabo foram flagrados com armas falsas e drogas dentro de unidade da PM

Publicado em 17/10/2020 às 15h56
Atualizado em 17/10/2020 às 16h21
Carro da Polícia Militar em frente ao Quartel General da PM
Carro da Polícia Militar em frente ao Quartel General da PM. Crédito: Carlos Alberto Silva - Arquivo

Em menos de 24 horas, duas chances de liberdade do soldado Leonardo Verbeno Pereira e do cabo Werlem Charles Andrade Ramosto, ambos da Polícia Militar do Espírito Santo, foram negadas pela Justiça. Os dois estão presos desde o início da manhã de quinta-feira (15), quando foram encontradas drogas com eles dentro da unidade policial onde encerram e iniciam o expediente, em Vila Velha. 

A prisão de dois policiais militares durante uma operação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) aconteceu dentro da 2ª Companhia do 4ª Batalhão da Polícia Militar, em Praia das Gaivotas, Vila Velha. O objetivo era cumprir mandado de busca e apreensão contra os militares, mas durante a abordagem foram localizados drogas e simulacros de armas, o que ocasionou as prisões em flagrante.

Na sexta-feira (16), o setor jurídico da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado (ACS-ES), da qual o soldado e o cabo são associados, entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) para a soltura dos dois militares. O desembargador de plantão, no entanto, indeferiu o pedido por volta de 1h deste sábado (17). 

Por volta das 13h, os policiais passaram por audiência de custódia e também não conseguiram a autorização do juiz para que ficassem em liberdade durante as investigações. 

"O Ministério Público representou pela manutenção da prisão, mesmo tendo bons antecedentes, residência e emprego fixo. A associação vai continuar prestando todo o suporte necessário aos militares e familiares. Lamentamos que permaneçam detidos", afirmou Cabo Eugênio, presidente da Associação de Cabos e Soldados. 

A PRISÃO

De acordo com o relatório da detenção, os dois PMs estavam em uma viatura, dentro da 2ª Companhia do 4º Batalhão quando foram abordados pelos agentes.

Quatro buchas de maconha e um pino de cocaína estavam escondidos debaixo do tapete do motorista. Além de um pen drive, cujo conteúdo não foi divulgado.

Ainda durante as buscas, os representantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) localizaram na mochila do cabo Werlem uma arma de fogo falsa. Já na mochila do soldado Verbeno também havia uma pistola falsa e sete pinos de cocaína. Nas residências deles, nada de ilegal foi encontrado.

Ambos foram autuados em flagrante no Artigo 290 do Código Penal Militar e encaminhados para o presídio do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. 

"COISA MAIS COMUM", DIZ DIRETOR DA ASSOCIAÇÃO

Após a conversão da prisão em flagrante  dos militares  para preventiva, em audiência de custódia,  o diretor jurídico da associação de cabos e soldados, Cabo Carlos,  se manifestou em entrevista à repórter Larissa Avilez. "A associação se sente revoltada. Nesse momento, os PMs estão sendo tratados como traficantes, mas devido ao efetivo isso é do dia a dia, é a coisa mais comum", declarou o diretor jurídico.

Cabo Carlos deu detalhes desse procedimento de juntar drogas na viatura durante o expediente. "O policial assume às 19 horas, ele chega em um lugar que é altamente controlado por traficantes, que fogem. Os policiais que trabalham de verdade reviram bueiros e muros. Nessas buscas, é comum encontrar um pino ou uma bucha de maconha. Se toda vez que encontrar um pino for para o DPJ, isso será incompatível com o sistema. O estado ficaria nem polícia na rua, acusariam de operação tartaruga. Para os policiais não incorrerem nisso e não deixarem a viatura, eles acumulam durante a noite e entregam de uma vez só. Não seria o correto, mas não tem jeito", explicou. 

E completou sobre a situação dos PMs presos por tráfico: "Vamos supor que seja o caso de tráfico. O traficante com quilos de drogas é liberado pela Justiça enquanto o policial com um pino, não", observou. 

O QUE DIZ A PM

A investigação das condutas dos PMs foi instaurada pelo Gaeco, do MPES, com cooperação da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela Vara da Auditoria Militar e deveriam ser cumpridos no local de trabalho e também no domicílio dos militares.

A Polícia Militar afirmou que, a partir de agora, o juiz da Vara de Auditoria Militar determinará a manutenção ou não da prisão e que, paralelamente a isso, será instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta dos militares.

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