A Justiça acolheu pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e decretou a prisão preventiva da ex-servidora da Prefeitura de São Gabriel da Palha, no Noroeste do Estado, Dorinda Teixeira Varela Lamas, por descumprimento de medidas cautelares. Ela é investigada pela suposta prática dos crimes de exercício ilegal da medicina, denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime, e é considerada foragida, segundo o MPES.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher teria medicado crianças e adolescentes de um abrigo municipal sem supervisão médica, valendo-se do cargo de coordenação que ocupava na instituição. O caso veio à tona após denúncia encaminhada ao Conselho Tutelar, que levou a situação ao Ministério Público.
A ex-servidora já havia sido presa em fevereiro de 2025, suspeita de intimidar uma testemunha que prestava depoimento na Delegacia de São Gabriel da Palha. Segundo a polícia, ela compareceu horas antes do horário agendado para seu depoimento, fez uma transmissão ao vivo em frente à unidade e, ao entrar na recepção, passou a filmar e fotografar a testemunha. Naquele mesmo mês, a mulher foi solta.
“Ela compareceu antecipadamente, fez uma transmissão ao vivo em frente à delegacia e, ao entrar na recepção, começou a filmar e fotografar a testemunha, numa tentativa clara de intimidação”, afirmou, na época, o delegado Valdimar Chieppe.
O novo pedido de prisão foi decretado em 28 de janeiro deste ano, após Dorinda descumprir as medidas cautelares impostas anteriormente e reiterar condutas consideradas como tentativa de intimidação de testemunhas e vítimas.
Entre as determinações judiciais estava a proibição de se ausentar da Comarca de São Gabriel da Palha por período superior a oito dias, além da obrigação de comunicar à Justiça qualquer mudança de endereço. Conforme o pedido de prisão preventiva, há provas de que ela realizou viagem à Espanha sem autorização judicial, fato divulgado nas redes sociais.
A investigada também publicou fotos de documentos que indicam possuir cidadania espanhola. Segundo o Ministério Público, essa condição poderia dificultar eventual processo de extradição, o que demonstraria intenção de deixar o país para evitar a aplicação da lei penal.
A Prefeitura de São Gabriel da Palha informou, em nota, que a servidora foi desligada tão logo o município teve ciência dos fatos. A administração municipal afirmou ainda que não compactua com atos ilícitos e que está à disposição da Justiça e das autoridades para colaborar com as investigações.
Procurada por A Gazeta para informar se o mandado de prisão foi cumprido, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou que não há registro de nova entrada da mulher no sistema prisional do Espírito Santo. Já a Polícia Civil orientou que a consulta sobre a situação da ex-servidora deve ser feita ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). O sistema foi consultado, mas no site ainda não consta o mandado.
A reportagem tenta localizar a defesa de Dorinda e disponibiliza este espaço para um posicionamento.