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Publicado em 1 de julho de 2024 às 09:37
Após conflitos entre facções rivais, que começaram no Morro do Jaburu e se estenderam até as avenidas Vitória e Leitão da Silva, terem assustado moradores de Vitória no último fim de semana, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Eugênio Ricas, disse em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta, nesta segunda-feira (1°), que os criminosos foram preparados, como se fossem para uma operação de guerra. >
Eugênio Ricas
Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa SocialSegundo o secretário, as quatro pessoas que morreram durante os conflitos — sendo três desses em confronto com policiais e um antes da chegada das forças de segurança — têm passagem pela polícia e foram encontradas com armas. >
"Criminosos muito bem armados que não têm medo de desafiar a polícia. Desafiam as organizações rivais e tentam tomar o poder. Mas nós estamos conseguindo dar uma resposta a altura. O que eu gostaria de dizer para a população é que os nossos policiais estão mais bem preparados, mais bem equipados. Nessa operação, nenhum policial foi ferido", disse Ricas.>
Eugênio Ricas
Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa SocialO secretário foi questionado sobre qual estratégia estaria sendo adotava para evitar que cenas como a da madrugada de sábado (29) se repitam. Ele destacou a prisão das lideranças do crime e o trabalho de inteligência realizado pela Polícia Civil, que, nas palavras dele, "consegue realizar prisões de líderes de organizações criminosas sem disparar um tiro sequer". >
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"A estratégia tem sido fazer prisões qualificadas e nós temos conseguido. Como a prisão do líder da organização criminosa, desestrutura a lógica do poder do tráfico de drogas, muitas vezes, acaba acontecendo isso aí", se referindo aos confrontos do fim de semana. >
Segundo Eugênio Ricas, já era previsto que as organizações ficassem desestabilizadas e houvesse confrontos desde a prisão de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, apontado como liderança criminosa nos bairros da Penha e Bonfim, ligado à cúpula da liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV).>
De acordo com o secretário, a polícia tem conseguido realizar prisões de lideranças do crime, mas os confrontos acontecem, porque não há vácuo de poder nessas organizações criminosas. "Sempre que uma liderança de organização criminosa é presa, ou é morta por algum motivo, outras pessoas tentam tomar o território", disse.>
O secretário explicou que o confronto foi entre facções daqui, instaladas no Espírito Santo, mas que sofrem influência de facções de outros Estados. "O PCV sobre influência do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, o TCP tem influência do PCC (Primeiro Comando da Capital), que é majoritariamente do São Paulo, mas são facções daqui. Pessoas daqui", disse. >
Ele reforçou ainda que o objetivo dos criminosos é obter mais território e, com isso, ter mais pontos de venda de drogas. Além disso, Ricas destacou a atuação policial. "Efetivamente o que aconteceu ali foi uma briga entre duas facções, o Primeiro Comando de Vitória que atacou uma região dominada pela TCP, o Terceiro Comando Puro. O que temos para falar de positivo é que a Polícia Militar estava ali e interveio a tempo. Se não fosse a PM, o banho de sangue teria sido muito maior. A polícia conseguiu chegar a tempo", afirmou. >
De acordo com o secretário, já havia um planto de contingência com patrulhamento realizado pelo Batalhão de Missões Especiais (BME) e da Força Tática da Polícia Militar e, por isso, foi possível intervir a tempo, na visão dele. >
A quantidade de armas apreendidas do confronto entre as facções, no sábado, é outro ponto que chama a atenção. Foram 3 fuzis, uma espingarda calibre 12, uma submetralhadora, 8 pistolas e munições, de acordo com o secretário. Ele foi questionado sobre a origem dessas armas. Ele explicou como o tráfico de armas no Brasil era mapeado. >
"Não haviam armas de fabricação caseira. Foram encontradas pistolas importadas e fuzis também. Originalmente, há um mapeamento feito pela Polícia Federal de que armas longas vinham dos Estados Unidos e que armas curtas vinham do Paraguai. Essa sempre foi a característica do tráfico de armas para o Brasil", disse. >
Depois, o secretário fez críticas à flexibilização da legislação armamentista. "O que acontece é que nos últimos quatro anos, houve uma flexibilização grande nas legislações armamentistas. Isso fez com que muitas pessoas tivessem acesso a armas. Pessoas que adiquiriram legalmente, passaram armas para os criminosos. Houve uma infestação de armas, não só no mercado do Espírito Santo, mas de todo Brasil. Vamos pagar o preço disso por um bom tempo", afirmou Ricas. >
"Não há o que se comemorar. Nessa operação foram quatro mortos. Mas junho teve o melhor resultado da série histórica no que tange ao número de homicídios. Desde 1996, junho teve o melhor resultado. Nós também temos um primeiro semestre de redução histórica", apontou.>
Os números também foram compartilhados pelo governador Renato Casagrande, na manhã desta segunda-feira (1°), em uma rede social. >
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