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Fim da linha: suspeito de estuprar meninas nos EUA é preso em Cariacica

De acordo com as investigações, o crime teria sido praticado reiteradamente pelo homem durante os últimos dois anos contra as vítimas, de 8 e 12 anos

Publicado em 13/09/2021 às 06h50
Polícia Federal e Polícia Civil deflagram a Operação Dead End e prendem foragido internacional acusado de abuso sexual contra crianças nos Estados Unidos
Polícia Federal e Polícia Civil deflagram a Operação Dead End e prendem foragido internacional acusado de abuso sexual contra crianças nos Estados Unidos . Crédito: Divulgação/Polícia Federal

Um homem de 44 anos foi preso no Espírito Santo acusado de estuprar duas meninas nos Estados Unidos. A prisão aconteceu na Operação Dead End, deflagrada por agentes da Polícia Federal e da Polícia Civil do Espírito Santo na última sexta-feira (10). De acordo com informações obtidas pela TV Gazeta, o homem foi localizado nos fundos de uma casa, em que estava morando com a esposa e com a filha, em Cariacica. O preso é brasileiro e não teve o nome divulgado por ser parente das vítimas.

Segundo as investigações, o crime foi praticado reiteradamente por dois anos. As vítimas são duas meninas, de 8 e 12 anos. Ainda de acordo com a apuração da TV Gazeta, o homem acusado de estupro morava na casa delas no estado americano de Nova Jersey, nos Estados Unidos, porque é primo dos pais das garotas.

MENINA CONTOU PARA AMIGA

Uma das vítimas, a adolescente de 12 anos, gravou um vídeo quando sofria investidas do acusado. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (13), o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil, Diego Bermond, explicou como o vídeo fez com que a família descobrisse e as autoridades chegassem até o acusado.

“No dia 27 de maio, uma das vítimas, a adolescente de 12 anos, se trancou no banheiro porque havia investidas do indivíduo em desfavor da adolescente. Então, ela se trancou no banheiro e gravou essas investidas. Depois, ela apresentou esse vídeo para uma amiga e, logo após, foi noticiado para a mãe esses fatos. Logo em seguida, a mãe confrontou o estuprador e conseguiu constatar que esses crimes aconteciam há pelo menos dois anos”, disse.

O delegado continua: “Ela se trancou no banheiro porque já estava sendo molestada. Depois, ele tentou fazer com que ela abrisse a porta, tentou fazer com que ela tirasse foto das partes íntimas dela e enviasse para o celular dele. Logo depois, ela abriu a porta e ele continuou molestando essa adolescente. No final do dia, ela acabou noticiando os fatos para uma amiga, inclusive enviando o vídeo para essa amiga. Essa amiga tomou providências, informou para a mãe”, afirmou.

PF contou com apoio da Polícia Civil em operação pra prender suspeito de abusos nos EUA

ACESSÓRIO SEXUAL E VÍDEOS EM COMPUTADOR

Após o ocorrido, as autoridades americanas foram até a casa onde o homem vivia e lá encontraram mais elementos durante as investigações. Entre eles, um acessório sexual e vídeos de pornografia infantil no computador do acusado.

“Logo após a notícia desses fatos, a polícia americana foi na casa dele e encontrou um acessório sexual, que batia com as mesmas características que as vítimas tinham falado que ele utilizava para abusá-las. E, além disso, foi encontrado no laptop dele, apreendido pela polícia americana, 164 vídeos que caracterizam crime na legislação penal”, informou.

O delegado afirmou que a Polícia Civil do Espírito Santo aguarda o envio destas provas para incluir no inquérito já aberto para investigar os crimes. Enquanto isso, o acusado deve continuar preso.

“A Polícia Civil está esperando o compartilhamento das provas produzidas nos Estados Unidos. Nós temos ali a entrevista da vítima, da mãe das vítimas, a tradução desses documentos. Nós representamos por 30 dias a prisão e vamos pedir a prorrogação dessa prisão que é o tempo hábil e suficiente para que a gente receba esses elementos e, posteriormente, a Justiça tenha todos os elementos necessários para a condenação desse indivíduo”, ressaltou.

PRISÃO NO BRASIL

A Justiça dos Estados Unidos emitiu o mandado de prisão no dia 11 de junho deste ano, mas o acusado fugiu pela fronteira do México. Então, a polícia americana pediu ajuda à Polícia Federal do Brasil, que conseguiu localizá-lo na Região Metropolitana de Vitória.

A PF, então, acionou a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente para a instauração de inquérito e início de uma investigação conjunta com a Agência de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations – HSI) dos Estados Unidos, para que as provas produzidas no país americano fossem enviadas às autoridades brasileiras.

Ao mesmo tempo, investigações realizadas pelos agentes no Espírito Santo foram suficientes para solicitar um pedido de prisão temporária contra o acusado, pois ele vinha sendo acompanhado por agentes da Polícia Federal que detectaram a possibilidade de uma nova fuga.

A polícia também cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do acusado, pois além da acusação de estupro, ele é investigado por armazenar e distribuir material contendo cenas de sexo explícito ou pornográfico envolvendo crianças e adolescentes na internet.

De acordo com a Polícia Federal, o acusado fugiu para o Brasil na expectativa de não ser julgado e preso pelas autoridades americanas, pois sendo brasileiro, não poderia ser extraditado.

Em tradução livre, a operação “Dead End” significa fim da linha.

O homem poderá responder pelos crimes de estupro de vulnerável, transmissão de material pornográfico envolvendo criança ou adolescente, e posse de material pornográfico envolvendo criança ou adolescente. Se somadas, as penas podem chegar a 25 anos de prisão.

HOMEM NEGOU CRIME EM ENTREVISTA

Em uma entrevista concedida para um portal na internet, o homem negou as acusações. "As acusações são falsas. Eu não abusei de nenhuma criança. Posso sim ter falado algumas coisas, pela apresentação de alguns vídeos, tem eu conversando com a menina. Ela fala em inglês, eu não falo nada em inglês. Em alguns vídeos, ela fala algumas coisas, que eu tento discordar em algumas falas. Tem muita parte nos vídeos que foram cortadas, que não estão no contexto. Eu não sei se isso foi uma armação, não posso explicar. Mas a Justiça pode explicar", disse. 

Atualização

13 de Setembro de 2021 às 12:50

A Polícia Federal divulgou mais detalhes sobre o caso após coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (13). O texto foi atualizado. 

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