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Família chora a morte de jovem espancado em Santa Teresa: "Covardia"

Pais e irmã do adolescente de 15 anos dizem não entender o motivo de tamanha violência e pedem Justiça. Grupo confessou que espancou jovem e enterrou corpo

Tempo de leitura: 5min
Colatina
Publicado em 06/05/2022 às 16h11
Daniele Grameliche, irmã de João Paulo, lamenta a morte do adolescente
Daniele Grameliche, irmã de João Paulo, lamenta a morte do adolescente. Crédito: Fabrício Christ

A família de João Paulo Grameliche da Silva, adolescente de 15 anos que foi morto e enterrado em uma cova rasa em Santa Teresa, tenta entender o que motivou tamanha violência com o garoto e pede Justiça aos cinco suspeitos detidos. O crime chocou a cidade capixaba, local onde a família mora. Segundo familiares, o jovem foi morto após sair de casa para comprar chips.

Em entrevista à TV Gazeta, pai, mãe e irmã do adolescente classificaram o crime como uma "covardia". Segundo eles, João Paulo costumava andar de bicicleta por toda a cidade e não "mexia com ninguém".

Daniele Grameliche

Irmã de João Paulo

"Ele era um menino bom, não fazia mal a ninguém. Um menino brincalhão. Todo mundo conhece ele em Santa Teresa. Ele andava de bicicleta, andava pela cidade toda. Nunca foi de dormir fora, na casa dos outros"

A dor da família e as lembranças do adolescente também foram compartilhadas pelo pai de João Paulo, Valmir Cardoso da Silva, que definiu a morte como uma covardia.

Pais de João Paulo choram a perda do filho em Santa Teresa
Pais de João Paulo dizem que o filho era um "menino de ouro". Crédito: Wando Fagundes

Valmir Cardoso da Silva

Pai de João Paulo

"Muita tristeza o que fizeram com meu filho, muita tristeza. Fizeram uma covardia com ele. Nunca pensamos que aconteceria isso. Meu filho era um menino de ouro em casa. Ia para rua, voltava, não mexia com ninguém. Ficamos sentidos"

Segundo a irmã, Daniele Grameliche, apesar de ter 15 anos, João Paulo parecia ser ainda mais novo. Ela disse que independente do que pode ter acontecido, "não precisava dessa maldade".

"Para três fazerem o que fizeram, é muita covardia. Ele é um menino, tem 15 anos, mas parece que tem uns 9 ou 10. Ele era fraco, frágil, não precisava dessa maldade toda com ele, independente do que ele fez, do que aconteceu, não precisava dessa maldade", afirma.

João Paulo Grameliche da Silva, de 15 anos, desapareceu na última sexta-feira (29) e foi achado morto nesta quinta-feira (5), em Santa Teresa
João Paulo Grameliche da Silva, de 15 anos, desapareceu na última sexta-feira (29) e foi achado morto nesta quinta-feira (5), em Santa Teresa. Crédito: Acervo da família

A irmã ainda chorou por Justiça, pedindo que os suspeitos fiquem detidos e respondam pela morte de João Paulo.

A mãe, Maria de Fátima Grameliche, contou que não há explicação para a morte do filho. "Agora eu quero Justiça, eles presos na cadeia. Para eles pagarem o que fizeram com meu filho, é o que eu quero", diz.

JOÃO PAULO FOI ESPANCADO ANTES DE SER MORTO

João Paulo Grameliche da Silva, de 15 anos, encontrado morto nesta quinta-feira (5) após ficar desaparecido por quase uma semana na Zona Rural de Santa Teresa, teria sido assassinado por um grupo de jovens. Segundo a Polícia Militar, um menor de 16 anos confessou que ele e outros dois jovens — de 20 e 22 anos — espancaram, deram garrafada e esfaquearam o adolescente e, no dia seguinte, enterraram o corpo do garoto em cova rasa.

A Polícia Militar informou que chegou aos três suspeitos durante o policiamento no início da tarde desta quinta-feira. Em uma rua que dá acesso ao Morro do Tadeu, no bairro Centenário, policiais abordaram o jovem de 22 anos que, ao notar a aproximação da viatura, arrumou um objeto que estava junto à cintura dele. Na abordagem, o indivíduo deu nomes diferentes e, como ele não estava com nenhum documento, os militares foram até a cada dele, onde estava sua carteira de identidade

Ainda de acordo com a PM, ao chegarem ao imóvel, os militares sentiram um forte odor de maconha. O suspeito afirmou ser usuário de drogas e disse que morava com outras duas pessoas, também usuárias, afirmando ainda que possivelmente teria uma quantidade mínima de droga na casa. Após buscas, os policiais encontraram embaixo uma faca suja de sangue escondida embaixo de um botijão de gás. Também foram apreendidas, embaixo de um colchão, quatro buchas de maconha embaladas e prontas para a venda, R$ 1.927 em espécie e sete celulares.

MENOR CONFESSOU ASSASSINATO

Na casa, havia outras quatro pessoas: dois adolescentes de 16 e 20 anos e duas jovens de 16 e 18 anos. Segundo a PM, foi dada voz de prisão aos três maiores de idade e, neste momento, o menor tentou fugir. Ele foi contido pelos militares, que o questionaram sobre o desaparecimento de João Paulo.

O adolescente confessou aos policiais que, na última sexta-feira (29), ele os jovens de 20 e 22 anos levaram João Paulo para uma mata que fica no alto do morro, onde o espancaram. De acordo com a PM, o menor relatou que o rapaz de 22 anos golpeou a vítima na cabeça com uma garrafa de vidro e, em seguida, desferiu diversas facadas no adolescente e o deixou caído no chão.

Ainda segundo o relato do menor de 16 anos, no sábado (30), os três retornaram ao local e enterraram o corpo de João Paulo em uma cova rasa. A versão foi confirmada pelas duas adolescentes. Seguindo a indicação do jovem, os militares encontraram o local onde o corpo estava enterrado.

A Polícia Militar informou que todos os envolvidos foram encaminhados para a 12ª Delegacia Regional de Santa Teresa.

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL 

A Polícia Civil informa que a suspeita, de 18 anos, e os suspeitos, de 20 e 22 anos, conduzidos à 12ª Delegacia Regional de Santa Teresa, foram autuados por tráfico de drogas, associação para o tráfico e ocultação de cadáver, visto serem os crimes que estavam em situação flagrancial. Os três foram encaminhados para o sistema prisional. 

A adolescente de 15 anos e o adolescente de 16 anos responderão por ato infracional análogo aos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e ocultação de cadáver. Eles foram apresentados ao Ministério Público, que decidirá se os adolescentes ficarão ou não internados.

Em depoimento, os suspeitos asseguraram que a motivação do crime foi por dívida de droga. O corpo do adolescente foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, para ser necropsiado e, posteriormente, liberado para os familiares. O homicídio segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Santa Teresa.

DESAPARECIMENTO

João Paulo Grameliche da Silva desapareceu há seis dias, na Zona Rural de Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo. A mãe do adolescente, a dona de casa Maria de Fátima Couto Grameliche da Silvadisse, contou para a reportagem de A Gazeta, que o filho saiu de casa por volta das 14 horas, com uma bicicleta preta e sem celular.

A mãe registrou um boletim junto à Polícia Civil no último domingo (1º). Na ocasião, a Polícia Civil informou que o desaparecimento estava sendo investigado pela Delegacia de Polícia de Santa Teresa, e que realizada diligências com o intuito de localizar o adolescente.

Segundo a PC, em nota nesta quinta-feira (5), a ocorrência está sendo confeccionada pela Polícia Militar para ainda ser entregue na Delegacia de Polícia de Santa Teresa. E somente após a ocorrência ser entregue, a corporação poderia ter informações do procedimento que será adotado pelo delegado responsável pelo caso.

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