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Falsificação de CNH no ES: como traficantes 'nasciam de novo'

Traficantes com mandados de prisão em aberto encomendavam serviço de organização criminosa que atua em todo o país; casal que falsificava documentos foi preso em Vila Velha

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 23/06/2022 às 18h17
Perito da Polícia Civil mostra que papel usado em falsificação tinha selo de segurança
Polícia vai investigar se papel usado em falsificação era original. Crédito: Júlia Afonso

Para escaparem da Justiça, traficantes foragidos de diversos Estados do Brasil estavam recorrendo a uma organização criminosa que falsificava documentos de forma tão profissional que era quase impossível de descobrir. Com nomes falsos, eles "nasciam de novo" e conseguiam circular tranquilamente pelas ruas.

Polícia Civil conseguiu desmontar um dos laboratórios da facção, localizado no bairro Novo México, em Vila Velha, no último dia 9. Um casal foi preso. No local, foram apreendidos computadores e impressoras profissionais, que, somados, estão avaliados em mais de R$ 20 mil.

O esquema foi divulgado nesta quinta-feira (23). De acordo com o delegado Gabriel Monteiro, chefe da Divisão Patrimonial, a investigação durou cerca de seis meses e começou após o número de apreensões de documentos falsos aumentar no Espírito Santo.

A dupla falsificava documentos de identidade e carteiras de habilitação. Eles pegavam dados de pessoas reais e inocentes e colocavam uma foto 3x4 do criminoso que encomendava o serviço. Normalmente, os "clientes" eram traficantes ou foragidos da Justiça, com mandados de prisão em aberto.

"O papel (usado para imprimir os documentos), se não é o original, é um papel de altíssima perfeição. Mesmo passando por luminol e luz negra, dava para ver a marca d'água, tudo", ressaltou o delegado Gabriel Monteiro.

Peritos mostraram em vídeo (veja acima) que, mesmo sob luz negra, dá para ver os selos de segurança, iguais aos que existem em documentos originais: a falsificação estava sob qualquer suspeita.

Agora, a polícia quer descobrir se o papel usado pelos golpistas era o original ou não. "O papel, nós vamos encaminhar para a perícia para saber se é original, da gráfica que manda para as polícias civis desses Estados. Ou, se não for, queremos saber como eles estão produzindo esse papel de tanta qualidade", pontuou Monteiro.

Gabriel Monteiro

Delegado chefe da Divisão Patrimonial

"A única coisa que tem desses criminosos nos documentos é a foto 3x4. Os dados inseridos são de pessoas aleatórias, de bem, que não possuem passagens criminais. Esses indivíduos nasciam de novo."

TRAFICANTE DO ES HAVIA ENCOMENDADO SERVIÇO

Dentre os 26 documentos prontos encontrados com o casal preso, uma das fotos chamou a atenção: era de um traficante do Espírito Santo, já conhecido pela polícia. "Não conseguimos identificar traficantes de outros Estados, pois teríamos que fazer uma pesquisa maior. Mas os próprios presos informaram que também fazem esses documentos para (criminosos de) outros estados", disse o delegado. O nome do traficante não foi divulgado.

Baseado nos papeis apreendidos, a polícia acredita que a organização atua no Espírito Santo, Rio de JaneiroSão PauloBahiaGoiás e Paraná.

DE QUEM ERAM OS NOMES?

De acordo com a polícia, os dados inseridos nos documentos eram de inocentes. Vítimas de uma fraude, elas podem ter sérios problemas no futuro, já que, de posse desses documentos, os criminosos conseguiam abrir contas bancárias, pedir empréstimos e até se envolver em ocorrências policiais, tudo no nome dessas pessoas.

Além disso, de posse de documentos de identidade falsos, os criminosos podiam até mesmo tirar documentos verdadeiros, como carteiras de habilitação.

"É um prejuízo enorme. A partir do momento em que ele abre uma conta bancária no nome da pessoa, ela vai ser investigada. Aí, até comprovar que não é essa pessoa, é um grande transtorno", alertou o delegado.

MÁSCARA PARA DIVULGAR SERVIÇO NA INTERNET

Máscaras foram apreendidas em Novo México, Vila Velha, com o casal preso por falsificar documentos
Criminoso usava máscara para cobrir o rosto e ensinar golpes na internet. Crédito: Júlia Afonso

Para divulgar os serviços de falsificação, o criminoso de 27 anos gravava vídeos usando uma máscara que cobria o rosto. De acordo com as investigações, ele publicava em grupos de WhatsApp dizendo que fazia os documentos falsos e até ensinava os "clientes" a aplicarem golpes, como abertura de contas.

Para a polícia, o casal disse que cobrava R$ 500 por documento. Os investigadores acreditam que esse valor era bem mais alto, já que uma identidade falsa é valiosa no mercado clandestino. 

O casal foi autuado em flagrante por organização criminosa, falsificação de documento público, receptação e por ter equipamentos para falsificação. O homem já tinha passagem por extorsão mediante sequestro, e a mulher dele, de 25 anos, tinha mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas em São Paulo.

Além da perícia do papel, as investigações seguem para identificar mais integrantes da organização criminosa.

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