ASSINE

Criminosos clonam site de leilões de carros e aplicam golpes no ES

O site de uma empresa que realiza leilões no Espírito Santo foi clonado. O fake usa logomarca e nome exatamente iguais aos da empresa. Atenção: o site verdadeiro termina com '.com.br'

Vitória
Publicado em 20/11/2020 às 19h03
Atualizado em 20/11/2020 às 20h52
Vítimas teriam tido prejuízos de até R$ 115 mil
Criminosos clonam site de leilões de veículos no ES. Crédito: Reprodução

Já imaginou acreditar que está pagando barato por um automóvel e não recebê-lo? É o que vem acontecendo com consumidores capixabas enganados por criminosos que clonaram o site de uma empresa que realiza leilões no Espírito Santo. A Buaiz Leilões, cujo leiloeiro responsável é o Alexandre Buaiz Neto, registrou ocorrência na polícia e vem alertando os clientes para atentarem ao domínio: o site oficial termina em ".com.br", enquanto o falso tem apenas ".com". No site fake, são oferecidos veículos a condições atraentes, e os carros disponibilizados no endereço virtual não apresentam restrições, vindo, supostamente, com IPVA já pago e livre de sinistros.

De acordo com o relato de uma das vítimas, uma aposentada que preferiu não se identificar, nesta sexta-feira (20), pela manhã, foi informada de que teria arrematado um carro pelo valor de R$ 19 mil. Para a sorte dela, decidiu verificar as condições do veículo na loja, antes de efetuar o pagamento.

"Existe um leilão na Barra do Jucu, o Buaiz Leilões. Entrei no site, me cadastrei e comecei a participar, sem perceber nada de errado. Hoje (20) arrematei um carro dando um lance. Por sorte, moro em Vila Velha. Recebi mensagem no celular e disse que queria ir ver a compra", iniciou.

Depois de algum tempo de espera, a vítima recebeu o pedido para que efetuasse o pagamento do valor. "Eles me falaram que ia chegar o número da conta bancária por e-mail para a transferência, porque o leilão deve ser pago no dia do arremate e eu pegaria o carro 48h depois. Falei com meu filho para vermos o carro pessoalmente. Chegando lá no pátio, o pessoal do Buaiz explicou a situação, dizendo que era um site fake, que eles usam logomarca e nome exatamente iguais aos da empresa, só que o site verdadeiro termina com '.com.br'. Liguei para a delegacia de defraudações e me falaram para fazer denúncia online. O pessoal da Buaiz disse até que eles aplicaram o mesmo golpe antes no valor de R$ 115 mil, a vítima nunca mais vai ver o dinheiro", lamentou.

APARÊNCIA QUASE IDÊNTICA

Vítimas teriam tido prejuízos de até R$ 115 mil
Site oferece motos, carros e caminhões. Crédito: Reprodução

A aparência do site falso é muito semelhante à do site oficial, com algumas pequenas alterações. A página fake oferece motos, carros e caminhões que, após dívidas de financiamento, teriam sido recuperados pelo banco.

De acordo com o advogado responsável pelo setor jurídico da Buaiz Leilões, Luiz Buaiz Neto, a empresa oficial tomou conhecimento dos golpes há aproximadamente três semanas, quando registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil.

"Não consigo nem precisar quantas ligações de telefone já recebemos desde então, mas passaram de 100, perguntando se nosso site é aquele. Em relação às vítimas que tiveram efetivamente perda financeira, soube de 15 a 20, mas nem todas entram em contato. Logo quando soubemos, fizemos um boletim e o repassamos para todos que entraram em contato com a gente. Também entramos em contato com a delegacia de crimes cibernéticos, mas ainda não tivemos retorno efetivo", afirmou.

Segundo o jurista, esta modalidade de crime não é uma novidade. "Já faz mais de quatro anos que os criminosos têm feito essa abordagem com outros sites de leilões, até demorou com a gente. Até o site do Detran já foi clonado. Eles fazem isso com site de leilão porque passa uma expectativa de oportunidade às pessoas, de que poderão comprar algo por um preço abaixo do valor de mercado. As pessoas acham então que vão se dar bem e se deixam levar pelas informações que o site passa. Além disso, ainda usam a credibilidade que o leiloeiro original tem", explicou.

Para ele, não é difícil escapar de um golpe assim. "Para nós, existem indícios muito claros. A própria oferta de veículo com garantia, sem sinistro, IPVA pago, são características que a gente não vê geralmente. A premissa que se deve ter é a de pesquisar quem é o leiloeiro, olhar o edital com atenção. No nosso caso, ficamos um período curto sem visitação presencial por causa da pandemia, mas de maneira geral isso é permitido aos clientes. No caso deles, depois que a vítima faz o depósito, eles param de atender. Então funciona no gatilho, em pouco tempo falam que a pessoa é o vencedor e ficam pressionando a pagar logo e em nome de alguém desconhecido. E mesmo assim a pessoa paga, por descuido", alertou.

Buaiz Neto também relatou que os valores de prejuízo aos consumidores variou bastante, em geral em quantias em torno de R$ 20 mil  a 30 mil. "É algo similar a uma rede social. O criminoso pega as imagens, coloca o nome, cria outra página. Não tem como a gente se proteger disso, bloqueando esse tipo de ação para evitar que aconteça. Até existe um filtro feito por empresas que regulamentam os IPs (protocolos de internet) e nós nos reportamos a elas, mas é um volume gigantesco de reclamações que elas recebem por dia. Também já avisamos a todos os clientes, colocamos banner no site e divulgamos nas redes sociais. É importante que o consumidor saiba se realmente está tratando com um leiloeiro. No nosso caso é o Alexandre Buaiz Neto", finalizou.

Demandada sobre o caso pela reportagem, a Polícia Civil informou que não conseguiria ter acesso à ocorrência nesta sexta-feira (20), uma vez que foi registrada em Guarapari e que hoje é feriado no município.

Espírito Santo Grande Vitória Polícia Civil Crimes Eletrônicos crime espírito santo estelionato leilão veículos

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.