A mãe de Maya Simor Pereira, —
bebê encontrada morta com lesões no corpo em maio deste ano, em Cariacica, quando tinha apenas 1 ano de idade, — foi presa na sexta-feira (22) após cumprimento de um mandado de prisão preventiva. Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Eliana Aparecida Simor Pereira, de 19 anos, é apontada como suspeita de homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, tortura e impossibilidade de defesa da vítima. Quando for julgada, há ainda possibilidade de aumento da pena da mulher, considerando que Maya era menor de 14 anos.
A decisão que determinou a prisão de Eliana e a manutenção da detenção de Thiago destaca que o crime contra Maya foi de “extrema relevância e periculosidade”. O texto, despachado pela juíza Eliana Ferrari Siviero, aponta ainda que a mãe da bebê presenciava agressões praticadas pelo pai contra a neném, “mas não impedia que a mesma passasse pelas torturas praticadas, sendo conivente com todas as agressões sofridas e, quando era confrontada [por terceiros], mentia para proteger Thiago”.
A denúncia ainda revela que a bebê era castigada desde os seis meses de vida e chegou a ter um dos braços quebrados em uma das agressões, sendo que os pais só a levaram ao hospital uma semana depois. Maya ainda tinha a higiene básica negligenciada, pois sempre era vista suja de fezes e de urina.
Na descrição dos autos, que a reportagem de A Gazeta teve acesso, consta que, no dia do crime, Thiago ficou responsável por alimentar a filha, ao passo que, após uma crise de choro da criança, ele a agrediu e a arremessou violentamente sobre a cama, deixando-a à própria sorte. Ainda segundo os autos, Eliana estava na residência e ouviu toda a agressão, no entanto, só foi verificar o estado de Maya horas depois, encontrando-a já morta.
De acordo com a Secretaria da Justiça (Sejus), Eliana está detida no Centro Prisional Feminino de Cariacica e Thiago segue preso no Centro de Detenção Provisória de Marataízes.
À Polícia Militar (PMES), a jovem relatou que estava em casa com o marido e o sogro, mas que saiu com o esposo durante a tarde. Após notar que a criança não reagia, o avô acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192), que confirmou o óbito e identificou sinais de violência no corpo da vítima. A perícia da Polícia Científica foi acionada.
A mãe e o avô foram levados para a Delegacia Regional de Cariacica. O pai da bebê não foi localizado, mas, um dia depois, se apresentou na unidade e confessou o crime (
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Após a morte de Maya, a Polícia Civil chegou a informar que a mãe foi ouvida e liberada, por não haver elementos que justificassem prisão em flagrante. Na época, uma tia da bebê contou à reportagem que a mãe da criança relatou em depoimento que seu companheiro batia na filha desde que ela tinha sete meses e também chegou a agredi-la em algumas ocasiões e que ela não teria relatado por medo dele.
Eles moravam em Cariacica, próximos da família há poucos meses, sendo que antes viviam no interior de Santa Leopoldina, na Região Central Serrana do Espírito Santo.