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Usar máscara cirúrgica para se proteger do coronavírus é eficaz?

A reportagem de A Gazeta conversou com o presidente da Sociedade de Infectologia do Espírito Santo, o infectologista Alexandre Rodrigues da Silva, que esclareceu as medidas que precisam ser adotadas

Publicado em 27/02/2020 às 20h36
Máscara cirúrgica não é indicada para todas as pessoas porque, em vez de proteger, pode aumentar o risco de contaminação. Crédito: Reprodução | Freepik
Máscara cirúrgica não é indicada para todas as pessoas porque, em vez de proteger, pode aumentar o risco de contaminação. Crédito: Reprodução | Freepik

Os casos suspeitos de coronavírus no Espírito Santo deixaram os capixabas em alerta, mas a pergunta que não quer calar é: somente a máscara cirúrgica, que muitas pessoas passaram a usar, é eficaz na prevenção da doença?

A reportagem de A Gazeta conversou com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia no Espírito Santo, Alexandre Rodrigues da Silva, para esclarecer a questão. "O recomendado é cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, e manter as mãos sempre limpas para evitar a propagação do vírus", diz.

Ele afirma que o uso da máscara é eficaz quando é bem utilizada e em situações de real necessidade. "Pensando em uma situação geral, não é indicada para todo mundo comprar e usar. Ela é um instrumento recomendado como prevenção para quem já está com o vírus não passar para outras pessoas", aponta o presidente.

Alexandre Rodrigues da Silva

Presidente da Sociedade de Infectologia no ES

"A máscara é para quem está doente, para não transmitir quando fala e tosse. Se alguém chegar no serviço de saúde, deve receber essa máscara para evitar a disseminação. Isso vale tanto para alguém com coronavírus, quanto para um paciente gripal ou com tuberculose "

E EM CASA?

Se tiver alguma pessoa da sua família, que mora com você, infectada pela doença, a orientação é de que o uso da máscara seja feito. "Isso é indicado para todos que estão a menos de um metro de um paciente com o vírus confirmado", explicou Alexandre.

Alexandre Rodrigues da Silva

Presidente da Sociedade de Infectologia do ES

"Enquanto prevenção para pegar avião, andar na rua, a indicação não existe. O grande problema é a febre pela compra da máscara. É um sentido equivocado da proteção "

MÁSCARA É PARA TODOS?

Alexandre diz que é importante ressaltar que a máscara não está indicada para todos porque as pessoas vão adotar uma sensação de falsa proteção. "Na hora que ela está utilizando a máscara e não higieniza a mão, compartilha objetos, acaba contaminando a própria máscara", observa.

Para quem está com a suspeita da doença, é importante prestar atenção no tempo de uso da máscara para que ela não perca a eficácia. "Não tem tempo fixo para máscara ser trocada. Ela pode saturar em mais ou menos tempo. Se tiver quente, será saturada mais rapidamente. É aquela coisa: a gente sente a nossa respiração úmida e isso satura a máscara, dá uma sensação de sufocamento. Depende da temperatura, de como a pessoa está respirando", pontua Alexandre Rodrigues.

"Com o tempo e muito uso, a máscara vai ficando saturada, pesada, suada, molhada. E aí ela perde o fator de proteção. Então a pessoa vai estar usando uma máscara sem poder de filtragem", completa o infectologista.

A pessoa que escolher utilizar a máscara deve continuar com os cuidados de lavar e higienizar as mãos."Quando ela não higieniza as mãos e manipula a máscara por fora, se tiver tido contato com alguém contaminado, a máscara pode ter vírus por fora. Por isso que a máscara, pensando em uso individual na comunidade ou na população, pode trazer malefício maior que benefício", destaca Alexandre.

ESCASSEZ DO PRODUTO

O afã de muitas pessoas para compra de máscaras está levando à falta do produto para quem realmente necessita. O secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, relatou nesta quinta-feira (27) que municípios comunicaram a ausência de máscaras em unidades de saúde porque os fornecedores não têm para disponibilizar devido ao aumento da demanda.

"O sistema de saúde é afetado por um movimento da sociedade que não é necessário. A máscara não é a forma da população de maneira geral se prevenir", conclui  Fernandes.

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