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Policiais e bombeiros recusam proposta de reajuste e vão para as ruas protestar

Manifestação ocorreu logo após a reunião da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa. Sindicatos e associações querem recomposição salarial de 45,22% e recusam percentual apresentado pelo estado

Publicado em 10/02/2020 às 18h24
Atualizado em 10/02/2020 às 22h19
Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de  sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini
Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de  sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini

As associações e os sindicatos que representam os policiais militares, civis e bombeiros, além dos inspetores penitenciários e agentes socioeducativos, rechaçaram a proposta de reajuste apresentada  pelo governo estadual na última sexta-feira (07). Eles aproveitaram a reunião da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, realizada na manhã desta segunda-feira (10), para relatar que o percentual proposto não atende a demanda das categorias.

Por volta das 11 horas a galeria da Casa estava lotada, quando teve início a reunião da Comissão. Por volta das 12h40, logo após os pronunciamentos, os policiais e bombeiros decidiram fazer uma assembleia em frente à Casa Parlamentar e de lá seguiram em passeata, até a Secretaria de Estado da Fazenda, localizada na enseada do suá, próximo à praça de Pedágio da Terceira Ponte.

O trânsito foi interditado na Avenida Américo Buaiz, no sentido Centro de Vitória. Depois os policiais e bombeiros seguiram pela Rua Clóvis Machado, que dá acesso à praça de Pedágio da Terceira Ponte, que também ficou temporariamente interditada.

No local, em frente a Secretaria de Estado da Fazenda, eles realizaram uma assembleia, definido por um novo ato na próxima quinta-feira (13), no Centro de Vitória, de onde seguirão para o Palácio Anchieta. No Palácio está agendada uma reunião entre as associações, sindicatos e o governo do Estado.

Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de  sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini
Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini

RECUSA DA PROPOSTA

Os sindicatos e associações reafirmaram que pleiteam um reajuste de 45,22%, percentual que faz parte da proposta por eles apresentada à administração estadual desde o ano passado. 

"O percentual que solicitamos é o que atende as categorias. O que foi proposto não resolve o nosso problema. Chega deste cenário de pior salário do país. Queremos diálogo e o governo não tem nos chamado para conversar", destacou Rodolfo Laterza, presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-ES) e vice-presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (Sindepes).

O presidente da Associação dos Bombeiros (ABMES), Emerson Santana, destacou que o caixa do Estado apresentou superávit de R$ 2,6 bilhões, fora os R$ 911,5 milhões de royalties atrasados  já recebidos. "E a receita líquida corrente vem apresentando crescimento. Estamos em uma situação que permite ao estado conceder reajuste", assinalou.

Júnior fialho, da Assimpol, ponderou que os ânimos das categorias estão ficando acirrados e que falta diálogo. "E não adianta separar as categorias. O reajuste terá que ser para todos", disse. O presidente do Clube dos Oficiais, coronel Marco Aurélio Capita, relatou que o comando da Polícia Militar recusou o reajuste proposto pelo governo, assim como o Alto Comando e as associações dos PMs. "Não aceitamos o reajuste oferecido. Nossa proposta já foi apresentada, queremos  recomposição salarial", destacou.

Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de  sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini
Manifestação de policiais civis, militares e bombeiros, na tarde de sexta-feira. Crédito: Vitor Jubini

Logo depois o capitão Amorim, da Associação dos Subtenentes e Sargentos (Asses), explicou que a defasagem entre os anos de 2008 e 2009 é de 45,22% e que este é o percentual que está sendo solicitado. "Em 2008 um sargento recebia o equivalente a dez salários mínimos, hoje não recebe nem quatro. A maioria dos PMS não consegue pagar nem um plano de saúde. Temos uma tropa doente", observou.

O presidente do Sindiperitos, Antonio Tadeu Nocoletti Pereira, relatou que a situação dos peritos é ainda pior do que as demais categorias. "Estamos 130% abaixo do salário que é praticado no país. A perícia ainda não parou porque estamos nos redobrando", destacou, assinalando que vão realizar uam assembleia para iniciar uma operação padrão.

REAJUSTE OFERECIDO

Na última sexta-feira (07), o secretário de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, informou que a proposta do Estado é de conceder um reajuste para os servidores que atuam na área de segurança de até 30%, parcelado até o final de 2022. A proposta contempla 4% na folha de julho deste ano. O mesmo percentual seria oferecido ainda nos meses de julho dos anos de 2021 e 2022.

Além disto, seria pago no mesmo período, a recomposição salarial, que em dezembro de 2019 resultou em um reajuste de 3,5%. Para os praças da PM - subtenentes, sargentos, cabos e soldados -, haveria ainda um acréscimo de 5%, com a incorporação de escalas de serviço. O projeto teria que ser encaminhado para a Assembleia Legislativa.

Entidades ligadas à Segurança Pública fazem protesto próximo à praça do pedágio. Crédito: Vitor Jubini
Entidades ligadas à Segurança Pública fazem protesto próximo à praça do pedágio. Crédito: Vitor Jubini

OUTRO LADO

Para o governo do Estado a proposta de reajuste oferecida aos servidores da área de segurança - policiais militares, civis e bombeiros, além dos inspetores penitenciários e agentes socioeducativos - "é robusta, com ganho real significativo". A avaliação é do secretário de Estado de Governo, Tyago Hoffmann.

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"É mais de 30% de aumento em quatro anos. É uma proposta que já recompõe o que não foi feito nos quatro anos que antecederam a nossa administração, quando foi concedido penas 5%, em 2018. Chegamos ao limite do que podemos oferecer e vale destacar que poucos estados farão algo parecido, dada a crise que a maioria deles enfrenta. Oferecemos uma proposta robusta e que temos segurança de que podemos pagar", assinala.

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