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Isolamento

'Nenhum político vai querer ter mortes na mão', diz médico do ES

Infectologista Lauro Ferreira Pinto destaca importância do isolamento em meio à pandemia do novo coronavírus

Publicado em 26 de Março de 2020 às 11:17

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 mar 2020 às 11:17
Médico Lauro Ferreira Pinto
Médico Lauro Ferreira Pinto Crédito: Reprodução/TV Gazeta
O infectologista Lauro Ferreira Pinto destacou a importância de manter o isolamento para conter o avanço do coronavírus no Brasil e também no Espírito Santo. Ele participou do Bom Dia ES, da TV Gazeta, nesta quinta-feira (26). Segundo o especialista, a fala do presidente Jair Bolsonaro para flexibilizar o isolamento não possui embasamento técnico e prejudica o combate à doença.
“Sobre isolamento só de idosos, eu não tenho nenhum modelo que tenha funcionado isso no mundo. Essa é uma discussão técnica. Então, não dá para político sair mandando fazer sem ter uma discussão técnica. Isso não é simples. Como é que vou isolar os idosos de São Pedro, de Terra Vermelha? Ou é só para isolar os idosos da Praia do Canto? Porque se eu não isolo todos os idosos, (o vírus) continua circulando, vai matar um monte. Isso pode ter um preço social altíssimo, de vidas. Eu tenho certeza que nenhum político vai querer ter mortes na sua mão. Essas coisas exigem coordenação e colaboração. Não dá para ser feito em clima de disputa”, disse.
O médico afirma que em todo o mundo o enfrentamento à doença está sendo feito por meio do isolamento. Ele destaca também a particularidade desse vírus, que torna maior a possibilidade de contágio e posteriormente o agravamento dos pacientes.
Médico infectologista Lauro Ferreira Pinto fala sobre o novo coronavírus no Espírito Santo
Médico infectologista Lauro Ferreira Pinto fala sobre o novo coronavírus no Espírito Santo Crédito: FRED LOUREIRO/SECOM-ES - arquivo

FÁCIL CONTÁGIO

“Não tem nenhuma nação do mundo, não tem nenhum lugar que tenha conseguido enfrentar isso sem isolamento. Esse é o terceiro coronavírus que causa pandemia. Teve o Sars em 2002, teve a Mers em 2012 e agora esse. A diferença é que ele tem mais carga viral e mais receptor aqui em cima. Os outros eram mais no pulmão. Então, só passava quando a pessoa tava muito grave, muito encatarrada, hospitalizada. Esse não. Quando começa, talvez até antes dos sintomas, já tem muito vírus na garganta, a pessoa que fala cuspindo pode passar para outra, se tossir ou espirrar. Pega bem mais fácil que os anteriores, pega um pouco parecido com a gripe”, explicou.

TESTES

Ainda de acordo com o especialista, a única forma de flexibilizar o isolamento é por meio de testes, mas diz que isso demorou a ser feito aqui no Brasil.
“A única forma de modular o isolamento é você ter teste. E aí, infelizmente, nós demoramos muito para fazer isso. Esse teste de PCR é um teste molecular, que faz nas secreções, que descobre a pessoa bem no início, que vê os contatos. Em janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde correu atrás para fazer os testes, porque a gente tem condições de fabricar eles aqui. Mas a Fiocruz não autorizou, o Ministério da Saúde não autorizou. Só quando começou a acontecer o que está acontecendo na Itália e na Espanha que liberaram, há duas ou três semanas. E aí o Estado tá fazendo um esforço enorme para fazer muito teste”, finalizou.

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