Por conta do avanço dos casos do novo coronavírus em todo o mundo, muitas pessoas que tratam outros tipos de doença estão diminuindo a procura por atendimento. No entanto, especialistas alertam que pacientes não deixem de continuar seus tratamentos, já que a interrupção na medicação ou outro tipo de acompanhamento pode causar o agravamento da doença e até levar à morte.
Segundo o cardiologista Bruno Moulin, médicos de todo o mundo estão registrando uma queda acentuada em atendimentos de pacientes que possuem doenças do coração. Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, o especialista afirma que o cuidado deve ser redobrado, pois além da gravidade da cardiopatia, essa é uma das comorbidades que mais matam pessoas infectadas pelo novo coronavírus.
"Médicos ao redor do mundo estão observando uma queda na procura dos serviços de assistência de pacientes com infarto agudo e com síndromes coronarianas agudas. E de acordo com a informação fornecida pelo Ministério da Saúde ontem (08), de todos os mortos no país por coronavírus, 336 eram pacientes cardiopatas. Em torno de 40 a 50% das pessoas que morrem de coronavírus são cardiopatas. Esses pacientes não podem parar o tratamento"
Diante das recomendações de evitar aglomeração e só procurar a assistência médica em caso de sintomas graves, o médico ressalta os sintomas de doenças do coração e reforça a importância da busca por suporte.
"Foi solicitado que se postergue muita coisa, em todo o mundo, para o atendimento, para evitar sobrecarregar os prontos-socorros. Mas um paciente com dor no peito, com falta de ar, com suor frio, não pode deixar de ir ao pronto-socorro. Ele tem que, no mínimo, fazer contato com seu médico, porque senão a gente vai ter um aumento muito grande nas mortalidades por outras causas que não o coronavírus, como está ocorrendo em outros países"
Diante disso, o cardiologista reforça a necessidade de pacientes cardiopatas seguirem o tratamento e em caso de dúvidas, contactar o médico que realiza o acompanhamento.
Se você conseguir ter um contato com seu médico, procure, vá à clínica que você é atendido, faça contato telefônico com seu médico. Evite acompanhante, isso tanto para o hospital, que está evitando, quanto para a consulta para evitar aglomerações, mas o atendimento é fundamental ser realizado, completou.