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Coronavírus

'A solidariedade nos ajuda muito', diz esposa de professor com coronavírus

Mesmo em total isolamento, sem contato físico com ninguém, casal tem recebido  apoio de amigos, igreja e vizinhos

Publicado em 19 de Março de 2020 às 13:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

19 mar 2020 às 13:55
Primeiro caso de Coronavírus no ES Crédito: Foto: Freepik | Montagem: Geraldo Neto
Ao sentir os primeiros sintomas de coronavírus, um casal de professores de Linhares, que não terá a identidade revelada, foi ao hospital em busca de atendimento. O resultado saiu logo no dia seguinte, atestando positivo para ele e negativo para ela. Desde então, os dois permanecem em total isolamento, sem contato físico com ninguém, mas têm recebido muito apoio de amigos da escola, igreja e vizinhos.  “As pessoas desejam força e torcem para que ele possa melhorar rápido. A solidariedade das pessoas nos ajuda muito”, relatou a esposa do professor, de 47 anos. 
Ela detalha como surgiu a suspeita de que o marido, de 52 anos, estivesse infectado. “Meu marido começou a sentir febre na quarta-feira (11), mas pensamos que seria uma gripe normal, ele tomou analgésico, e a febre passou.  Fomos ao hospital na quinta-feira (12) e, depois,  fizemos o exame. No dia seguinte, saiu o resultado: ele contraiu o vírus e eu, não fui infectada”, contou. 
A professora explica que, desde então, diversos cuidados são tomados dentro de casa, como dormir em quartos separados, usar talheres diferentes, higienização diária de banheiro e troca de roupa de cama constante. Até a conversa passou a ser a distância -  mesmo estando na mesma casa, algumas vezes, os dois se falam por telefone. O casal não mantém contato pessoal com ninguém, nem mesmo com os dois filhos, já que eles moram em São Paulo. Mas, como não podem sair de casa para nada, eles passaram a contar com a ajuda de amigos da escola e de vizinhos.
“Contamos com uma rede de solidariedade na minha casa. Na minha varanda tem uma mesa onde o pessoal da igreja, amigos, professores colocam fruta, verdura e trazem o que estamos precisando. Estamos recebendo mensagem e ligação de pessoas do Rio de Janeiro, Colatina, Baixo Guandu, São Paulo”, destacou, acrescentando que o quadro de saúde do marido apresenta melhora. 
" Contamos com uma rede de solidariedade na minha casa. Na minha varanda tem uma mesa onde o pessoal da igreja, amigos, professores colocam fruta, verdura e trazem o que estamos precisando"
Professora de Linhares, casada com paciente infectado por coronavírus - Cargo do Autor
No entanto, algumas situações durante esse período também chegaram a aborrecer o casal, eles souberam por terceiros que informações falsas sobre eles estavam circulando em grupos de Whatsapp. "As pessoas diziam que nos viam em espaços públicos, como igreja e supermercado. Mas não é verdade. Desde que saímos do hospital cumprimos todas as regras, entre elas o isolamento, isso para que ele consiga ficar bom logo e porque pensamos no coletivo, não queremos contaminar outras pessoas. Apesar de o meu exame ter dado negativo, eu não coloquei o pé no portão”, afirmou. 
Leia abaixo a entrevista completa: 

Como foi o primeiro atendimento no hospital?

Ele começou a sentir febre na quarta-feira (11), mas pensamos que seria uma gripe normal, ele tomou analgésico e a febre passou. Fomos ao hospital na quinta-feira (12), à noite. Como tínhamos a desconfiança de que poderia ser coronavírus, meu marido ficou do lado de fora com a máscara e fui fazer a ficha na recepção. Fui direta e disse que havia suspeitava de coronavírus. Os médicos nos atenderam e disseram para a gente ir para casa porque o pessoal da vigilância sanitária iria no dia seguinte colher o material. Com todo cuidado, colheram o material por volta das 10h.

Quando souberam que o resultado dele foi positivo, qual foi a reação?

A primeira reação foi continuar cumprindo todas as regras: isolamento e higiene. Somente o exame do meu marido deu positivo, mas eu não coloquei o pé no portão. Há uma rede de solidariedade que está nos ajudando muito. Na minha varanda tem uma mesa onde o pessoal da igreja, amigos e professores colocam fruta, verdura e trazem o que estamos precisando. Mas não temos contato direto com eles. 

Como está a saúde dele?

Ele está melhorando, não é uma gripe intensa, ele só está espirrando e com um pouco de coriza. Durante o dia, ele toma muito suco, água e fica de repouso.

Os vizinhos todos já sabem?

Não sei, mas acredito que sim. Muitos estão com janela fechada, mas entendo que estão se prevenindo. Estou tentando levar para o lado que não seja um preconceito, mas um cuidado.

Então não sentem que há preconceito?

Soubemos por terceiros que informações falsas estavam circulando em grupos de Whatsapp. As pessoas diziam que nos viam em espaços públicos, como igreja e supermercado. Mas não é verdade. Desde que saímos do hospital cumprimos todas as regras, entre elas o isolamento, isso para que ele consiga ficar bom logo e porque pensamos no coletivo, não queremos contaminar outras pessoas. Apesar de o meu exame ter dado negativo, eu não coloquei o pé no portão. 
"As pessoas diziam que nos viam em espaços públicos. Mas não é verdade. Desde que saímos do hospital cumprimos todas as regras, entre elas o isolamento, para que ele fique bom logo e porque pensamos no coletivo, não queremos contaminar outras pessoas"
Professora de Linhares, casada com paciente infectado por coronavírus - Cargo do Autor

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