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Usou empresa de show

Telexfree comprou imóvel via laranja de empresa que trouxe Paul McCartney ao ES

Segundo denúncia do MPF, pirâmide financeira usou uma empresa para comprar um prédio em Vitória, de modo que os chefões ficassem ocultos na transação. Firma é a mesma usada por Carlos Costa e Carlos Wanzeler para o show de Paul McCartney no ES

Publicado em 23 de Dezembro de 2019 às 10:24

Redação de A Gazeta

Publicado em 

23 dez 2019 às 10:24
Carlos Costa, chefão da Telexfree, chegando no DML para fazer exame de corpo delito, após ser preso pela Policia Federal no dia 17 de dezembro. Ele foi solto dois dias depois. Crédito: Ricardo Medeiros
O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) aponta que os cabeças da Telexfree usaram a Capixaba Eventos LTDA para lavar dinheiro sujo por meio da compra de um prédio de dois andares e, em seguida, obter renda com o aluguel do imóvel. A empresa é a mesma que assinou o contrato para a vinda do astro Paul McCartney ao Estado, em 2014.
Na denúncia oferecida pelo MPF/ES na semana passada e já recebida pela Justiça Federal, os réus Carlos Costa e Carlos Wanzeler são citados como os reais proprietários do empreendimento comprado pela firma de eventos. Os R$ 2,350 milhões foram pagos em dinheiro vivo proveniente de atividade ilícita da Telexfree. Atualmente, o imóvel é alugado para um estacionamento rotativo. 
A investigação estima que a locação tenha rendido R$ 380 mil aos chefões da Telexfree entre novembro de 2014 e novembro de 2019. O endereço apontado como meio para lavar dinheiro fica a não mais do que 30 metros da sede do MPF no Estado, no Centro de Vitória.
Apenas Costa e Wanzeler chegaram a ser presos - e soltos dois dias depois. Mas outros dois também viraram réus nessa ação. Um deles é Cleber Renê Rizério Rocha, dono formal da Capixaba Eventos. Como A Gazeta revelou em outubro, Rocha, sem qualquer expertise no negócio, foi inserido na firma em setembro porque era homem de confiança dos chefões da Telexfree.
Antes, a Capixaba Eventos era de Flávio Salles, o produtor musical de quem Costa e Wanzeler se aproximaram para investir em grandes showsA exigência da entrada de Cleber Rocha no negócio foi uma contrapartida dos investimentos, contou Salles.
Segundo a denúncia, Cleber Rocha e a Capixaba Eventos foram usados para, formalmente, realizar a compra do imóvel e receber os alugueis, sem que Costa e Wanzeler pudessem ser identificados nas tratativas. Procurado, Cleber Rocha informou apenas que "todos os fatos serão esclarecidos no momento oportuno".
O quarto réu é o advogado Cícero Thomé. Segundo o MPF, ele foi destacado para identificar imóveis com "boa perspectiva de rentabilidade" e, em um segundo momento, lidar com representantes das empresas que gerenciavam o estacionamento. Assim, contribui para que Costa e Wanzeler, os reais interessados nas negociações, permanecessem ocultos. 
Também segundo a apuração do MPF, Cícero e Carlos Wanzeler procuraram o locatário em setembro deste ano e avisaram a ele que, a partir de então, os pagamentos dos aluguéis deveriam ser feitos em espécie, com repasses realizados em locais pré-combinados. A reportagem não localizou Cícero Thomé.
O advogado de Carlos Costa e Carlos Wanzeler, Rafael Lima, disse que os prazos do Judiciário estão suspensos por causa do recesso de fim de ano e que ele não comentaria o mérito das acusações. Frisou que os esclarecimentos serão feitos em momento oportuno.
"Não vou me manifestar sobre o mérito. Os prazos estão suspensos. Eles vão esclarecer tudo, assim como esclareceram nos demais processos. Ninguém vai tentar ludibriar nada ou ninguém", comentou.

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