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Chefões da Telexfree são denunciados por lavar dinheiro em compra de imóvel de empresa de eventos

Investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal aponta também para recebimentos de aluguéis ilícitos

Publicado em 19/12/2019 às 18h56
Atualizado em 19/12/2019 às 21h35
Carlos Wanzeler e Carlos Costa, donos da Telexfree. Crédito: Reprodução 
Carlos Wanzeler e Carlos Costa, donos da Telexfree. Crédito: Reprodução 

Erramos: Na primeira versão desta matéria, publicada às 18h56, informamos que os empresários foram denunciados por lavar dinheiro em show do Paul MacCartney, em relação direta. Mas a denúncia do MPF se restringe à lavagem de dinheiro pelos empresários com imóvel da empresa que fez o show. A informação correta foi publicada às 21h31.

Os chefões da Telexfree, Carlos Wanzeler e Carlos Costa, foram denunciados nesta quinta-feira (19) por lavagem de dinheiro com a empresa Capixaba Eventos. De acordo com a acusação do Ministério Público Federal, Costa e Wanzeler foram acusados de utilizar a pessoa jurídica Capixaba Eventos, em 2014, para adquirir um imóvel, em frente à sede do Ministério Público Federal, no valor de R$ 2.350.000,00.

A empresa envolvida no esquema é a mesma que promoveu o show do ex-beatle Paul McCartney em novembro de 2014, em Cariacica, conforme revelou a reportagem de A Gazeta em outubro deste ano. Existe um inquérito na Justiça Federal que apura se os donos da Telexfree usaram o show do ex-Beatle no estádio Kleber Andrade para lavar dinheiro. A apuração destes fatos segue num outro inquérito, desmembrado pela Justiça. 

O imóvel que de acordo com o MPF foi usado para lavar dinheiro, um prédio de dois pavimentos, localizado na Avenida Princesa Isabel, 117, no Centro de Vitória, é utilizado como estacionamento.

O MPF afirma que o montante foi pago em três parcelas: como entrada, R$ 500 mil; depois, em duas ocasiões, foi entregue o valor restante de R$ 1.850.000,00, tudo em dinheiro em espécie. Todo o pagamento teria sido feito por uma pessoa contratada pelos acusados, com a finalidade de ocultar a propriedade, a disponibilidade e a movimentação do dinheiro.

Além disso, segundo a denúncia, entre novembro de 2014 e novembro de 2019, Carlos Costa e Carlos Wanzeler teriam ocultado, por 60 vezes, o recebimento de produto indireto de crime, consistentes nos aluguéis do imóvel adquirido. Os valores eram recebidos em dinheiro em espécie, mantendo ocultos o recebimento e a movimentação posterior dos recursos.

A partir de setembro de 2019, conforme as investigações, o próprio Carlos Wanzeler teria começado a receber os aluguéis, diretamente. Nos meses de outubro e novembro, por exemplo, o denunciado teria ido pessoalmente até o imóvel para pegar o dinheiro.

Atualmente, existem 19 ações penais, além dos desmembramentos, referentes ao esquema da Telexfree na Justiça. Com isso, mais de 30 pessoas já foram denunciadas pela Procuradoria por cometer algum tipo de crime ao participar do esquema.

Em um primeiro momento, os crimes financeiros e contra a economia popular foram praticados no Brasil por meio da empresa Ympactus, que teve suas atividades em território nacional suspensas em 13 de junho de 2013, numa decisão da 2ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, no Acre.

OUTRO LADO

O advogado Renan Lima, que defende Carlos Wanzeler e Carlos Costa, informou para A Gazeta que ainda não foi notificado da denúncia e que os clientes não foram citados até o início da noite desta quinta.

"A gente tem conhecimento que esses são os fatos que levaram à prisão dos dois, que foi revogada hoje (quinta). Mas, independentemente disso, eu posso garantir que esses fatos serão esclarecidos da melhor maneira possível, assim como feito anteriormente. Eles (Costa e Wanzeler) sempre prestaram todos os esclarecimentos à Justiça e também neste momento não vão se omitir de responder", disse.

telexfree

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