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Nova cédula

Nota de R$ 200: valor pagava em 1994 quase 1 ano de viagem no Transcol

Ter esse valor no bolso naquela época seria como ter R$ 1.145,75 hoje (valor corrigido pelo IPCA). Veja comparação com outros produtos e serviços

Publicado em 02 de Setembro de 2020 às 08:09

Redação de A Gazeta

Publicado em 

02 set 2020 às 08:09
O Banco Central (BC) lançou nesta quarta-feira (02/09) a nova nota de R$ 200,00 com a imagem do lobo-guará.
O Banco Central (BC) lançou nesta quarta-feira (02/09) a nova nota de R$ 200,00 com a imagem do lobo-guará. Crédito: Raphael Ribeiro/BCB
Nesta quarta-feira (2), começa a circular a nova cédula de R$ 200, de cor cinza e ilustrada com a imagem do lobo-guará. A notícia do lançamento gerou controvérsia em um momento em que países, incluindo o Brasil, têm aumentado as iniciativas para o uso de tecnologia nas transações comerciais.
Entre as justificativas apresentadas pelo Banco Central está, principalmente, a necessidade de ampliar a quantidade de papel-moeda disponível no mercado, decorrente dos pagamentos do auxílio emergencial.
Segundo dados da instituição, entre os períodos pré e pós-pandemia, a circulação de dinheiro vivo cresceu 29%, chegando ao maior patamar desde 2001.
Embora, no passado, a inflação exagerada tenha provocado a criação de notas mais altas, governo e especialistas concordam que ela se encontra sob controle. Contudo, é fato que os preços subiram bastante nos 26 anos desde que o real foi implementado no país.

INFLAÇÃO E TEMPO DESVALORIZARAM A MOEDA

“A nova cédula acaba sendo um indicativo (de desvalorização) muito mais pelo tempo de existência do real do que pela força da moeda. O que R$ 100 compra hoje ele comprava muito mais há 26 anos. Ter uma cédula de R$ 200, hoje, não chega a ser equivalente a ter R$ 100 lá atrás. Lembrando que os R$ 100 valiam 100 dólares naquela época”, compara o economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada nos últimos 26 anos é de 472,8%. Isso significa que o R$ 1 do ano de criação do Plano Real hoje equivale a R$ 5,73.
Nessa lógica, ter R$ 200 no bolso naquela época seria como ter R$ 1.145,75 hoje (valor corrigido pelo IPCA). De forma contrária, com R$ 200, atualmente, é possível comprar o equivalente a R$ 34 há 26 anos.

PASSAGEM DO TRANSCOL ERA R$ 0,30 E LITRO DA GASOLINA, R$ 0,50

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no lançamento da nova nota de R$ 200,00.
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no lançamento da nova nota de R$ 200,00. Crédito: Raphael Ribeiro/BCB
O exercício de lembrar os valores dos produtos no início do Plano Real traz algumas surpresas. Uma passagem de ônibus do Sistema Transcol em 1994 custava R$ 0,30, ou seja, atualmente é 12 vezes mais caro.
Com R$ 200 era possível fazer mais de 660 viagens, quase o suficiente para um trajeto de ida e volta por dia durante um ano.
Atualmente, com o mesmo valor, só dá para passar pela catraca do coletivo metropolitano 51 vezes, o que dá menos de um mês fazendo duas viagens por dia a R$ 3,90 cada.
Ainda no tema dos transportes, os R$ 200 há 26 anos rendiam cerca de 400 litros de gasolina (R$ 0,50 o litro em 1994). De carro, era possível chegar no Recife, em Pernambuco, e voltar só com esse valor.
Hoje, com a mesma quantia, dá para colocar só 46 litros. O que rende uma viagem muito mais curta, no máximo até São Mateus, aqui no Estado.

CESTA BÁSICA ERA R$ 64

Da mesma forma, enquanto R$ 200 eram suficientes para comprar três cestas básicas em 1994 (e ainda sobrava troco), hoje mal daria para pagar metade de uma.
Segundo dados do Dieese, em agosto deste ano, a cesta básica em Vitória custava, em média, R$ 484,50. Há 26 anos, o preço era próximo de R$ 64.

40% DA POPULAÇÃO CAPIXABA GANHAVA MENOS DE R$ 200 POR MÊS EM 1994

Só por esses dados dá para perceber que carregar esse valor no bolso era raríssimo quando o real foi implementado no Brasil.
Na verdade, o Caged mostra que, em 1995, 40% dos trabalhadores capixabas ganhavam menos R$ 200 no mês. Não há dados referentes a 1994.
Como o salário mínimo era de R$ 64,79 – subindo para R$ 70 no mesmo ano –, muitos capixabas precisavam trabalhar mais de três meses para conseguir reunir essa renda.
Hoje, o mínimo é de R$ 1.045 – 16 vezes maior do que era há 26 anos. E ele cresceu bem mais que a inflação do período, que foi de 472,8%.
Nota de R$ 200 tem itens e informações que permite identificar se é verdadeira
Nota de R$ 200 tem itens e informações que permite identificar se é verdadeira Crédito: Banco Central/Youtube/Reprodução

PERDER VALOR É NATURAL

Segundo o economista Ricardo Balistiero, a desvalorização de uma moeda no tempo é normal. Ele acredita que o desempenho do real é muito bom, considerando que ele existe há 26 anos.
“É natural que essa moeda, assim como as moedas fortes do mundo como o dólar e o euro, também passe por desvalorização ao longo do tempo. Temos que lembrar que, de 1986 a 1994, tivemos seis moedas diferentes no Brasil. Nos últimos 26 anos, tivemos apenas uma. É um desempenho muito bom”, avalia.

SENHORIAGEM

Ricardo credita o lançamento da cédula de R$ 200 a uma estratégia de redução do custo de operação do Banco Central.
Essa também é a opinião da economista Arilda Teixeira, da Fucape. Ela explica que emitir papel-moeda com um valor mais alto do que os já existentes faz com que o banco obtenha um recurso maior na senhoriagem.
A senhoriagem, utilizada por todos os bancos do mundo, vem da diferença entre o valor que custou produzir aquele papel e o valor que está escrito na face dele.
“Imprimir dinheiro é um processo produtivo que tem um custo para ser feito na Casa da Moeda. Só quando o dinheiro entra no Banco Central é que ele tem o valor. Se você manda produzir uma cédula que tem um valor mais alto que o custo de produção dela, o Banco Central fica com a diferença, que é uma receita de senhoriagem”, esclarece a economista.
Produzir uma nota de R$ 20 ou uma nota de R$ 100 custa praticamente a mesma coisa. Imprimindo a de maior valor, é possível gastar menos injetando a mesma quantidade de dinheiro no mercado.
“Já que ia ter que imprimir dinheiro por conta do auxílio emergencial, o Banco Central usou esse artifício para atenuar os gastos emergenciais na pandemia”, afirma Arilda.

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