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Publicado em 19 de fevereiro de 2021 às 22:46
- Atualizado há 5 anos
Na tentativa de interferir na Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro indicou na noite desta sexta-feira (19) o general Joaquim Silva e Luna como novo presidente da estatal. Se confirmado pelo conselho de administração da companhia, ele substituirá Roberto Castello Branco.>
Na quinta-feira (18), Bolsonaro já havia dito que promoveria mudanças na Petrobras quando anunciou isenção de impostos federais sobre o diesel e o gás de cozinha. O presidente disse que "não tem quem não ficou chateado com o reajuste" de preços de combustíveis anunciado pela estatal e fez críticas a Castello Branco.>
Para analistas, no entanto, a decisão de Bolsonaro dá um mau sinal aos investidores e prejudica a imagem da companhia. O temor é que a onda de intervencionismo cresça no governo.>
Segundo a consultora econômica Zeina Latif, a gestão do atual presidente da estatal vinha agradando o mercado e contribuindo para a valorização da Petrobras no mercado. Ele criticou o anúncio de Bolsonaro justamente por não se basear na performance do gestor ou da empresa, e sim, em uma agenda de controle sobre a política de preços. >
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Zeina Latif
Consultora econômicaO especialista em governança corporativa Adriano Salvi concordou e apontou que a Petrobras, como uma sociedade de economia mista, antes de ser controlada pelo governo, é uma empresa de capital aberto, ou seja, tem acionistas. Isso significa que a empresa não pode se sujeitar a vontade de um acionista controlador, no caso, o governo federal, que tem a maioria das cadeiras no conselho de administração.>
"Fica a questão agora se ela (Petrobras) está ali para atender ao objetivo social dela ou se vai cumprir o interesse da política econômica do governo. Vivemos isso no governo Dilma quando, por interferência, a Petrobras segurava o aumento de preços de combustíveis", disse.>
Salvi complementou: "Daqui pra frente a companhia pode ser vista com desconfiança. Se o novo presidente vai cumprir sua função de administrador ou estará ali pra fazer a vontade do governo, que é o acionista controlador". >
O economista-chefe da Apex, Arilton Teixeira, também demonstrou preocupação com uma onda de interferências, não só na petroleira, mas em outras estatais.>
Segundo ele, há muitas evidências de gestões anteriores que comprovam que a interferência nos preços praticados pela Petrobras são danosas para a empresa e para a economia brasileira. >
"A manipulação de preços nunca foi o caminho. Infelizmente o ocorrido de hoje mostra que o governo não aprendeu. Continua querendo manipular a Petrobras. Não está preocupado com o povo de forma nenhuma. A consequência dessa manipulação, o rombo, todo mundo vai pagar, inclusive quem tem baixa renda". >
Ele explica ainda que a alta do preço dos combustíveis pouco em a ver com a atuação da estatal ou de Castello Branco e é uma consequência do reaquecimento do mercado internacional, que fez o preço do barril de petróleo subir bastante nos últimos meses, e da política fiscal brasileira.>
"Os brasileiros adoraram a política de juros baixos, mas ela tem a consequência que é o dólar alto e volátil. Com esses dois componentes, ou o preço do petróleo sobe ou o dólar sobe. No fim das contas, a gasolina e demais derivados de petróleo aumentam de preço", esclareceu. >
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