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Publicado em 11 de janeiro de 2020 às 18:52
- Atualizado há 6 anos
Com leilão previsto para acontecer no quarto trimestre de 2020, a BR 262, uma das principais rodovias que cortam o Espírito Santo, não deve ter um pedágio muito barato após ser concedida. Isso porque o governo federal, a partir deste ano, vai adotar um novo modelo de leilão de rodovias que deve levar a um desconto nas tarifas de pedágio bem menor do que o praticado nas últimas concessões.>
Os últimos leilões rodoviários no Brasil vinham sendo feitos assim: o governo estipula uma tarifa de pedágio e vence o consórcio que apresentar o maior deságio, ou seja, o maior desconto em relação ao valor proposto. Assim, na disputa do leilão as concessionárias acabam oferecendo descontos altos na tentativa de ganhar e que acabam reduzindo muito o pedágio estimado.>
O Ministério da Infraestrutura acredita que uma nova modelagem é necessária para evitar fracassos que marcaram a terceira rodada de leilões rodoviários, quando a média de deságio no valor do pedágio oferecido pelas concessionárias vencedoras chegou a 50%. A princípio mais atrativa para os usuários, a tarifa agressivamente mais baixa acabou se tornando, na avaliação do governo, um dos empecilhos para as concessionárias bancarem o cronograma de obras e investimentos.>
A ideia do governo Jair Bolsonaro é adotar nos leilões de rodovias o modelo "híbrido", misturando na disputa menor tarifa de pedágio com maior valor de outorga (valor pago para exploração do bem público). Com isso, o Ministério da Infraestrutura pretende impor um teto de desconto de até 12%.>
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Esse novo formato será testado em ao menos dois dos sete leilões rodoviários previstos para este ano: no das BRs 262/381 entre Espírito Santo e Minas Gerais, com máximo de 12% de deságio; e no das BRs 153/414/080, entre Goiás e Tocantins, com máximo de 10% de deságio.>
No caso da BR 262, de acordo com os estudos de viabilidade já apresentados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em agosto, o valor teto do pedágio seria de R$ 8,54 para trechos de pista simples e de R$ 11,10 para trechos de pista dupla. Não se sabe, no entanto, se esses valores teto seriam alterados em função do modelo híbrido.>
Em comum, essas concessões exigirão das empresas vencedores um grau alto de investimento: R$ 7,6 bilhões no bloco das BRs 153/414/080 e R$ 9,1 bilhões nas BRs 262/381. Para os trechos que não terão esse nível de desembolso, a ideia é utilizar o modelo tradicional, ou seja, extrair das empresas no leilão o menor preço de tarifa que puderem ofertar. >
No modelo híbrido, caso haja empate nas propostas, o leilão vai para uma segunda etapa, na qual as empresas disputam o bloco de rodovias oferecendo o maior valor de outorga. Hoje, só existe uma fase, a de menor tarifa, mas sem teto de desconto. >
Ao estabelecer um percentual máximo, a pasta comandada pelo ministro Tarcísio de Freitas procura desestimular a entrada de "aventureiros" na concorrência e garantir a sustentabilidade a longo prazo dos projetos. A ideia, assim, é afastar empresas sem a estrutura necessária para arcar com o cronograma de obras da concessão.>
"Quando parte para o modelo híbrido, permite um deságio que preserva a sustentabilidade financeira. Blinda o projeto", disse a secretária de Planejamento, Desenvolvimento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura, Natália Marcassa.>
A modelagem híbrida, porém, encontra resistência de associações ligadas ao setor produtivo, que temem o encarecimento do pedágio. "Com a BR 163, conseguimos convencer o ministério de que o modelo híbrido não é a melhor opção. Mas vamos continuar com as discussões em função das outras concessões", disse o diretor executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, Edeon Vaz. Na 163, como seria um investimento baixo em comparação ao da 262, o governo desistiu do modelo híbrido.>
Como a nova modelagem ainda está na ANTT, e depois passará pela avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU), Vaz afirma que o diálogo continuará. Um técnico do Tribunal de Contas ouvido reservadamente aponta que um dos principais aspectos que a Corte deverá analisar sobre a modelagem é se ele não fere o princípio da modicidade tarifária.>
Os 180 quilômetros da BR 262 no Espírito Santo, entre Viana e a divisa com Minas Gerais, terão pelo menos três praças de pedágio segundo os estudos já apresentados. A ideia é que as cobranças sejam feitas nos municípios de Viana, Venda Nova do Imigrante e Ibatiba. Nos três locais, inicialmente o pedágio a ser cobrado é o de pista simples - estrutura atual da rodovia.>
A cobrança de pedágio na 262 , porém, só deve começar no final de 2021. O prazo estipulado para a construção dos pontos de cobrança é de um ano após a assinatura do contrato com empresa vencedora da concessão.>
A concessão da 262 prevê que a rodovia só seja 100% duplicada no ano de 2040. Para o cronograma de duplicação total em 20 anos, existem os chamados ciclos de investimento, sendo que, do trecho total, 54 quilômetros fazem parte do primeiro ciclo e devem ter pista dupla construída até 2028, oitavo ano do contrato. É o trecho entre Viana e o distrito de Vitor Hugo, em Marechal Floriano.>
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