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Empresas podem ler conversas de funcionários no WhatsApp Web

Para facilitar o dia a dia de trabalho, muitos profissionais conectam o app de mensagens no desktop da empresa. Ao fazer isso, trabalhador acaba abrindo toda sua vida para ser lida pelos seus patrões

Publicado em 10/11/2020 às 16h29
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WhatsApp: profissionais levam aplicativo para a tela do computador. Com isso, acabam abrindo suas vidas para serem vigiadas pelos patrões. Crédito: Pixabay

WhatsApp se tornou um grande aliado na rotina de muitos profissionais. Pelo sistema é possível conversar com o chefe, com colegas, clientes e manter contato com a família enquanto está no serviço. Mas a importância do app do Facebook para o dia a dia de trabalho fez com que muitos começassem a conectar a versão web no computador corporativo para facilitar as comunicações. No entanto, ao adotar essa opção, o empregado acaba autorizando, sem saber, o patrão de monitorar e de  mesmo ler as conversas privadas.

Segundo especialistas, as empresas podem ler o que empregado escreve ao utilizar no desktop do trabalho. Isso ocorre porque a maioria das organizações tem o controle das máquinas e acesso a tudo que é feito pelo colaborador, inclusive nas mensagens que ele troca com outras pessoas.

No caso do WhatsApp Web, ao acessar o aplicativo no equipamento do trabalho, mesmo com seu número particular, as conversas deixam de ser restritas somente a ele e passam a ser vistas também por quem realiza essa supervisão.

O monitoramento é feito por um software instalado no computador que dá acesso a tudo que aparece na tela da máquina. Dependo do conteúdo, o profissional pode ser prejudicado, caso ele fale mal do chefe ou faça algum comentário preconceituoso sobre algum colega.

O especialista em tecnologia e comentarista da CBN, Gilberto Sudré, explica que WhatsApp utiliza criptografia para proteger as mensagens, mas elas ficam desprotegidas quando estão abertas na tela do computador. Um software, como os utilizados para o acesso remoto das máquinas, permite um controle de tudo que é feito nos equipamentos corporativos.

“A Justiça do Trabalho já decidiu que tudo que for da infraestrutura de uma empresa pode ser monitorado, mesmo sem autorização do colaborador. Desta forma, é possível ter acesso à tela do computador e ao que a pessoa está digitando. Entretanto, se o profissional só utiliza o aplicativo em seu smartphone, não é possível fazer esse monitoramento”, explica.

Embora não haja uma legislação específica sobre o assunto, o que vale são as regras de conduta estabelecidas por cada empresa, que inclui o monitoramento dos equipamentos. De acordo com o advogado trabalhista, Henrique Fraga, cabe a cada organização estabelecer normas sobre o que pode ou não ser acessado no computador corporativo, com o objetivo de manter o funcionário focado em suas atividades profissionais.

“A empresa pode pode monitorar o uso da internet dentro dos critérios de controle de produtividade, para evitar dispersão do trabalho laboral. O que não pode é invadir a privacidade e a individualidade dessa pessoa”, ressalta Fraga.

Ele explica que no contrato de trabalho deve constar as normas da corporação e os detalhes do que podem ser monitorado. “Ao contratar, a empresa já especifica, por exemplo, que o funcionário não pode acessar sites pornográficos, fazer compras de e-commerce, entre outros. Se esse trabalhador infringe essas regras já está claro que ele cometeu um erro. O mesmo deve valer para o uso do WhastApp Web”, resume.

Se a ferramenta estiver aberta no computador, mas o acesso à maquina está protegida por senha, não é possível ter acesso às conversas.

A especialista em carreira, Gisélia Freitas, concorda com Fraga sobre as normas claras de uso do computador corporativo. Segundo ela, essas regras devem estar incluídas no contrato de trabalho e nos treinamentos.

“As pessoas estão cada vez mais conectadas e perdem a noção entre o que é pessoal e o profissional e acabam misturando as coisas. Para não ter qualquer tipo de problema, a minha dica é: não utilize a ferramenta no computador da empresa. Muitas vezes a pessoa nem sabe que está sendo vigiada. A empresa tem o direito de saber onde o profissional está navegando quando deveria utilizando a internet para trabalhar”, ressalta.

Com a Lei de Proteção de Dados, as empresas estão cada vez mais atentas quanto ao vazamento de informações sigilosas e isso inclui o conteúdo de conversas particulares. Para o advogado trabalhista, Guilherme Machado, as organizações precisam resguardar esses conteúdos, pois podem até ser responsabilizadas por danos morais.

“É fácil fazer o monitoramento do funcionário, mas o melhor é não correr o risco por conta da grande responsabilidade que a empresa assume. Por isso, grandes organizações já passaram a restringir o uso durante o horário de trabalho até como forma de se proteger”, aponta.

Para quem usa o WhatsApp para exercer suas atividades profissionais e não quer abrir mão de levar o app para o computador uma saída, segundo Gisélia, é adotar uma versão corporativa com um chip próprio ou mesmo cedido pela empresa para focar apenas em assuntos de trabalho. O "zap zap" pessoal pode ficar restrito apenas ao celular.

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