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Efeito coronavírus

Comércio do ES dá férias coletivas e tenta renegociar aluguel

Empresários do Espírito Santo já estão começando a sentir os efeitos do coronavírus nos caixas das empresas e tentando reduzir as despesas. Setor também pode ter que reduzir número de funcionários

Publicado em 22 de Março de 2020 às 12:09

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 mar 2020 às 12:09
Movimentação no comércio da Glória. Lojistas estão fechando as lojas por causa do coronavírus Crédito: Vitor Jubini
Empresários do Espírito Santo já estão começando a sentir os efeitos do coronavírus nos caixas dos comerciantes. Já há quem esteja dando férias coletivas, reduzindo a carga horária dos trabalhadores e tentando renegociar os aluguéis. O número de desempregados também deve aumentar neste período de crise. A situação ficou mais complicada com as determinações do governo do Estado o fechamentos temporário dos shoppings e do comércio que não for de serviço essencial.   
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio), José Lino Sepulcri, expõe a preocupação para este momento de crise. “Há uma grande preocupação com o desemprego. O empresário que tem uma quantidade de funcionários e não tem resultado não tem como honrar seus compromissos”, aponta.
"Ainda assim, nossa maior preocupação agora é com a vida das pessoas e em reduzir a transmissão do vírus"
José Lino Sepulcri - Presidente da Fecomércio
O número de empresas reduzindo o tempo de trabalho, ou mesmo fechando as portas momentaneamente, cresce a cada dia. 
Antes mesmo dos decretos do governo determinando o fechamento de lojas, a empresária Raquel da Cunha Melo decidiu fechar as portas por enquanto. Ela tem três estabelecimentos – tanto em shopping quanto no comércio de rua. Todas ficarão fechadas, ao menos, pelos próximos 15 dias.
“Estamos trabalhando só mais esse fim de de semana e de forma on-line. Com a situação como está fica até difícil para entregar. A gente tem motoboy, mas essas pessoas também não podem estar em risco”, pondera.
Para conseguir passar pela crise, a empresária conta que vai tentar renegociar os contratos de aluguel. “Em uma das lojas trabalhamos com uma franqueadora e ela já informou que vai prorrogar as duplicatas por 90 dias. Com os lugares que pagamos aluguel estamos sendo bem compreendidos, apesar de ainda não ter nada fechado”, comenta.
Raquel da Cunha Melo é empresária e vai fechar a loja, inicialmente por 15 dias por causa do coronavírus Crédito: Divulgação
Grandes companhias, como a Marcopolo, também estão seguindo essa mesma linha e dando férias, enviando os empregados para trabalhar em home office, ou reduzindo o horário de trabalho, como é o caso do Empório Joaquim, bistrô localizado na Praia do Canto, em Vitória.
No setor de turismo a situação também é complicada. Marcelo Bethônico, representante da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio destaca que a paralisação temporária está sendo adotada por várias empresas do setor.

MEDIDAS PARA TENTAR ATRAVESSAR A CRISE

Entre as medidas para tentar ajudar as empresas a passar pelo momento de crise o governo federal adiou o pagamento do Simples para pequenas empresas – o que já pode dar uma folga pelos próximos três meses. Além disso, já foi anunciado que o governo vai permitir que empresas cortem a jornada de trabalho e o salário dos empregados pela metade.
Segundo o advogado especialista em Direito do Trabalho, Sergio Ferreira Pantaleão, as companhias podem antecipar até 15 dias de férias individuais dos empregados, dar férias coletivas para os trabalhadores, organizar um esquema de trabalho em home office, ou utilizar banco de horas para fazer a reposição num segundo momento. Há também a possibilidade de antecipar feriados não religiosos.

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