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Acesso à internet por celular e TV cresce, mas 689 mil no ES não têm conexão

Pesquisa do IBGE aponta que o número de capixabas que usam internet vem crescendo nos últimos anos, mas ainda há barreiras a serem ultrapassadas, como a de levar o serviço para as populações mais pobres

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 14/04/2021 às 18h00
Mulher no celular
Cerca de 99,5% dos usuários acessam internet pelo celular. Crédito: Freepik

Nos últimos anos, o telefone celular tem se consolidado como principal forma de acesso à internet. Em 2019, era o meio utilizado por 99,5% dos usuários que tinham alguma conexão no Espírito Santo, sendo uma realidade em 1,2 milhão de famílias. Outra ferramenta que vem mudando a forma de consumo de internet no Estado é a chamada Smart TV, que permite o acesso pela televisão e têm caído no gosto da população, sendo utilizada por 32,7% (400 mil) dos usuários no Estado.

Entretanto, apesar de ser algo bastante difundido, a internet, que alcança cerca de 1.223.000 famílias capixabas, ainda não chegou a todos os lares. No Estado, pelo menos 222 mil casas não tinham nenhuma conexão nos meses que antecederam a pandemia, número que equivale a 15,4% do total de domicílios capixabas.

Isso significa que, em média, 689 mil pessoas no Espírito Santo, com idade a partir de 10 anos, não possuem nenhuma conexão com a internet. Ou seja, quase 17 a cada 100 capixabas ainda estão fora da era digital em pleno 2021.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019 - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad TIC), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de uma pesquisa anual sobre uso de tecnologias. 

Os números apontam para um crescimento gradativa dos domicílios com conexão a cada ano, sendo que o maior salto se dá justamente no acesso via celular. Já o uso da internet pelo computador vem perdendo espaço no Estado.

Segundo a pesquisa, os dois motivos mais apontados para a não utilização da internet no Estado foram não saber usar (49%) e falta de interesse em acessar (34,2%).

“A internet chega a quase todo lugar, mas há uma parcela muito grande da população mundial que sequer conhece, ou sabe como utilizar a internet. Muitos usam mas não têm uma experiência completa, pois só utilizam a internet para fazer o mínimo”, observou a economista Arilda Teixeira.

Ela reforça que boa parte dos usuários usa a conexão apenas como forma de lazer, a exemplo das redes sociais, que não requerem conhecimentos muito específicos. O uso para o estudo e trabalho, que avançou desde o início da pandemia do coronavírus e deve continuar em alta nos próximos anos, ainda é limitado.

“Somos um país em que a maioria das pessoas têm baixo grau de instrução. A maioria não conclui o ensino médio, poucos concluem o ensino superior. Portanto, o domínio cognitivo é baixo. A tecnologia favorece, facilita, mas exige algum grau de discernimento para usá-la. E a nossa estrutura de ensino não dá essas condições. Temos escolas gratuitas, mas não focamos nesse tipo de conhecimento."

A pesquisa do IBGE mostra que o preço do serviço e a ausência dos equipamentos eletrônicos necessários para usar a internet também são empecilhos, e foram listados por 79 mil pessoas (11,5%) como o motivo para não utilizarem a internet.

EXCLUSÃO DIGITAL AFETA OS MAIS POBRES 

Ainda que não seja a principal causa da falta de acesso à internet pelas famílias, a renda é um importante fator a ser considerado. Em média, nos lares em que não há acesso ao serviço, o rendimento dos habitantes é 40,1% menor que nos domicílios que possuem internet.

Enquanto os usuários de internet no Estado ganhavam em média R$ 1.447 mensais em 2019, quem não tinha acesso ao recurso recebia cerca de R$ 864 - valor abaixo do salário mínimo vigente em 2019, que era de R$ 998.

Para se ter ideia, 50 mil estudantes (7,9%) de um total de 627 mil no Estado não tinham acesso à conexão, que viria a se tornar fundamental em 2020, quando a pandemia levou as escolas do Estado a adotarem o ensino remoto como alternativa para não paralisar o ano letivo.

Nos lares em que havia conexão, o computador ainda era limitado. Das 1,4 milhão famílias existentes no Espírito Santo naquele ano, 803 mil, isto é, cerca de 55,5%, não tinham acesso ao equipamento

Não obstante, dos mais de 1,22 milhão de domicílios com internet no Estado, cerca de 257 mil (17,79%) acessam somente a rede móvel (3G ou 4G). Outros 965 mil também utilizam a banda larga fixa.

TELEVISÃO ABERTA AINDA É A PREFERIDA PARA ASSISTIR A PROGRAMAÇÃO

Se, por um lado, cresceu o número de usuários utilizando a televisão para navegar na internet, o número de famílias que pagam pelo serviço de TV por assinatura segue uma tendência de queda no Estado. Das 1.394.000 casas em que existia pelo menos um aparelho em 2019, 996 mil (71,44%) assistiam somente aos canais gratuitos da programação.

O número de pessoas que pagam para ter acesso a canais exclusivos na TV vem decaindo desde 2016, quando o IBGE começou a apresentar este dados. Um total de 486 mil famílias (48,8%)  alegaram que o motivo para a não aquisição do serviço é o preço elevado.

O segundo motivo, apontado por 453 mil  (45,5%), foi a falta de interesse pelo serviço. Vale observar que, nos últimos anos, serviços de streaming, como Netflix, GloboPlay, Disney +, entre outros, têm ganhado cada vez mais adeptos.

Outra mudança está relacionada ao uso do telefone. Em 2019, não havia nenhum tipo de aparelho de telefonia em 3% (43 mil) dos domicílios no Espírito Santo. O dado explica-se pela diminuição das famílias adeptas do telefone fixo, cujo número passou de 20,9% (294 mil), em 2018, para 18,8% (271 mil), em 2019.

Por outro lado, a presença de telefone móvel celular foi registrada em 95,9% (1.386.000) dos domicílios capixabas. Em 2018, eram 1.339.000, equivalente a 95,3% dos 1.405.000 lares verificados naquele ano.

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