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União mantém leilão e Galpões do IBC serão vendidos em novembro

União mantém leilão e Galpões do IBC serão vendidos em novembro

Recursos da venda do imóvel vão ajudar a reduzir o impacto do caixa do governo federal com os gastos decorrentes do controle da pandemia do novo coronavírus

Publicado em 20 de outubro de 2020 às 12:36

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Galpões do Instituto Brasileiro do Café, o IBC, em Jardim da Penha.
Galpões do Instituto Brasileiro do Café, o IBC, em Jardim da Penha, Vitória, vistos do alto. (Vitor Jubini)

A União decidiu manter o leilão dos Galpões do IBC, localizados em Jardim da Penha, Vitória. A expectativa é de que o edital de venda dos 33 mil m², por lance mínimo de R$ 35 milhões, seja publicado no mês de novembro. O espaço havia sido pleiteado pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), mas a ele foi cedido um outro imóvel, na Capital. 

Em julho, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU-ES) anunciou a decisão de vender 12 imóveis que estão localizados no Estado. Além dos Galpões do IBC, há um campo de futebol, terreno à margem da BR 101 e casas na Praia do Canto. Alguns já tiveram a sua venda viabilizada nos últimos meses. 

União mantém leilão e Galpões do IBC serão vendidos em novembro

Segundo Márcio Furtado, superintendente da SPU-ES, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que administra o local, já informou na última quarta-feira que deu início a desocupação do espaço.

A decisão de vender o espaço em sua totalidade, sem ceder parte do imóvel para o Ifes, decorre dos gastos federais com a pandemia do novo coronavírus. “O momento da economia brasileira é de muita parcimônia financeira após os elevados gastos do Tesouro no combate ao Covid-19. Nosso objetivo é maximizar a arrecadação com a venda deste imóvel para ajudar a recompor o caixa da União para 2021”, destacou Furtado.

A SPU-ES, explica o superintendente, vem tendo êxito com as vendas dos imóveis da União. “Em uma comparação com os demais Estados brasileiros, nós já ocupamos a 3ª colocação em valores vendidos, com R$ 5,5 milhões. Ficamos atrás apenas de dois gigantes, como São Paulo (R$ 191 milhões) e Distrito Federal (R$ 21 milhões), ambos com uma quantidade e valores de imóveis substancialmente superiores a qualquer outro Estado”, explica Furtado.

NEGOCIAÇÕES APÓS ANÚNCIO DE VENDA

venda dos Galpões do IBC gerou polêmica em julho, logo após o anúncio de que o leilão seria realizado. Um dos motivos era a transferência das operações da Conab para o prédio ocupado pelo Centro Cultural Carmélia, o que acabou sendo revertido e o imóvel está em processo de cessão para o governo estadual.

Galpões do Instituto Brasileiro do Café, o IBC, em Jardim da Penha.
Galpões do IBC ocupam área de 33 mil metros quadrados, em Jardim da Penha. (Vitor Jubini)

Outra proposta foi apresentada pelo Ifes, que pleiteou o uso do galpões para instalar parte de suas unidades. O projeto do instituto absorvia todo o espaço, mas a União chegou a avaliar apenas a cessão de metade do imóvel.

O pedido foi feito durante reunião com o superintendente Nacional do Patrimônio da União Fernando Anton Bispo, no dia 12 de agosto, com a participação da senadora Rose de Feitas e do reitor do Ifes, Jadir Pela. Na ocasião, ele informou que faria uma avaliação da proposta.

Após dois meses de análises, a decisão final foi pela venda do imóvel de 33 mil m², por lance mínimo de R$ 35 milhões, com edital a ser publicado em novembro. Os gastos com o controle da pandemia do novo coronavírus foi o motivador.

ATIVIDADES DA CONAB VÃO PARA O INTERIOR

Operando em Jardim da Penha desde a construção dos Galpões do IBC, no final dos anos de 1950, a Conab-ES vai transferir suas atividades para suas duas unidades no interior do Estado: Colatina e Cachoeiro.

De acordo com Kerley Mesquita de Souza, superintendente regional interino, desde o início do mês os galpões já não recebem produtos, como milho, vindo de outros Estados. Também foram suspensas as comercializações que atendiam a cerca de 500 produtores da região da Grande Vitória e entorno. “Começamos a encerrar as atividades em outubro. Não recebemos e nem expedimos mais produtos”, relatou.

A segunda etapa agora é viabilizar a transferência do maquinário existente no local para as unidades do interior. Ele estima que o trabalho deverá ser concluído até o final do ano, uma vez que depende ainda da contratação de transportadora. “Temos os equipamentos, como correias, paletes, dentre outras máquinas que vamos deslocar para as unidades de Cachoeiro e Colatina”, acrescenta.

Os 28 servidores que atuam no local também deverão ter o mesmo destino, seguindo para o interior ou para atuar na sede da empresa, em Vitória.

Em relação ao atendimento dos cerca de 500 pequenos produtores, Kerley os orienta a procurar ajuda das prefeituras de suas cidades. Ele observa que muitas administrações municipais compraram caminhões com os recursos do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que podem agora auxiliar no transporte dos produtos.

“Produtores de várias cidades já lançam mão deste recurso, como é o caso de Boa Esperança e Vila Pavão, que compram na unidade de Colatina, a uma distância de 150 quilômetros. Eles usam o caminhão das prefeituras. Alguns pagam um valor para cobrir uma parte do frete. Outros podem se unir para pagar uma carga de um caminhão, temos exemplos como este em outras cidades”, observa Kerley.

Os galpões foram construídos pelo antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC) nos anos finais de 1950. Por volta dos anos 2000 a Conab-ES assumiu a gestão das operações, e o imóvel passou para a União, que fazia a cessão gratuita do espaço para uso da companhia. Foi esta cessão que foi encerrada, permitindo o leilão do imóvel.

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