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Volta às aulas

'Tem escola que não tem papel higiênico', diz diretora de sindicato no ES

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Noemia Simonassi, listou os motivos que justificam o posicionamento da entidade de ser contra o retorno das atividades presenciais nas escolas

Publicado em 26 de Agosto de 2020 às 08:18

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 ago 2020 às 08:18
A diretora do Sindiupes, Noemia Simonassi, em entrevista à TV Gazeta
A diretora do Sindiupes, Noemia Simonassi, em entrevista à TV Gazeta Crédito: Reprodução / TV Gazeta
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) afirma ser contra o retorno das aulas presenciais no Estado. Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta, a diretora da entidade, Noemia Simonassi, listou motivos que justificam o posicionamento da categoria. Entre eles, o fato de escolas não possuírem a estrutura mínima para receber os alunos, como papel higiênico, por exemplo.
Segundo Noemia, nem todas as escolas possuem essa estrutura precária, mas muitas ainda apresentam problemas básicos de insumos e estrutura física.
Tem escola que não tem papel higiênico, diz diretora de sindicato no ES
"Tem escola que não tem papel higiênico. Quem conhece o chão da escola sabe disso. A gente tem visitado. Tem escola que, por exemplo, o banheiro está quebrado e se joga um balde com água quando a criança faz as necessidades. Isso é um absurdo. Não estou dizendo que todas as escolas públicas são assim, muito pelo contrário, tem muita escola pública de primeira linha e qualidade. Mas tem muitas que ainda têm problema. Problemas físicos, salas apertadas, salas sem ventilação"
Noemia Simonassi - Diretora do Sindiupes
Além disso, ela destaca o fato de a escola ser um ambiente naturalmente acolhedor, o que dificulta o controle das regras que estão sendo elaboradas para o retorno das atividades presenciais.
“Ano letivo se recupera, vidas não. Nós estamos preocupados com a vida das pessoas. Os trabalhadores da educação, alunos e as famílias. As escolas realmente não têm condições de receber essas crianças para aulas presenciais. Como vamos segurar um aluno no seu quadradinho? A escola é um local onde o aluno chega e é acolhido. Ele vai querer dar um abraço na professora, no coleguinha. Então, como vamos conseguir proteger essas crianças, jovens e adolescentes?”, questionou.
A sugestão da entidade é a criação de um bloco 2020-2021, para que os alunos que não conseguiram acompanhar e assimilar os conteúdos durante o período da pandemia não sejam prejudicados.
“Na verdade, os alunos serão prejudicados se retornarem às aulas presenciais. Nós sabemos que este é um ano atípico, não conhecíamos isso [...] Nós conversamos com a Sedu, para que seja feito um bloco 2020-2021, onde o que não se recupera este ano, recupera no ano que vem”, destacou.

RETORNO DAS AULAS PRESENCIAIS

A data de retorno às aulas presenciais ainda não foi definida pelo governo do Estado. Nesta terça-feira (25), o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, informou que ainda não há como confirmar quando as atividades poderão ser retomadas. "Estamos amadurecendo o tema com o segmento escolar", disse. O governador Renato Casagrande acenou com a possibilidade de que elas possam ser retomadas, começando pelo ensino superior, a partir do final do mês de setembro.
Diferentemente do posicionamento dos trabalhadores da educação pública, o setor privado, capitaneado pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe-ES), garante que as instituições privadas já estão aptas para o retorno imediato, no dia seguinte ao anúncio do governo.

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