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Soldador morto por Covid no ES saiu de emprego para ficar perto dos filhos

Ludimar Modolo tinha só 30 anos e nenhuma doença crônica. Ele deixou esposa e dois filhos pequenos, que ainda não entendem a ausência do pai

Publicado em 19/05/2020 às 17h23
Atualizado em 19/05/2020 às 17h55
 Ludimar Modolo, 30 anos, vítima de covi
Ludimar Modolo, 30 anos, vítima de Covid. Crédito: Arquivo Pessoal

 Ludimar Modolo,  30 anos, soldador e morador de Cariacica. Filho, irmão, marido e pai de dois meninos, de 1 ano e de 6 anos.

Essas são as características que dão identidade a uma das jovens vítimas do coronavírus no Espírito Santo, doença que já tirou a vida de mais de 300 pessoas no Estado. Com boa saúde e sem ter no histórico nenhuma doença crônica, o soldador sequer ficava resfriado, conta a família. Mas ao ser contaminado pela nova doença, Ludimar ficou 13 dias internado em um leito de UTI, até o dia 23 de abril, quando os médicos noticiaram a sua morte. 

No dia 07 de abril, Ludimar começou a  sentir febre e dor de cabeça. Ele procurou o Pronto Atendimento do Trevo de Alto Lage, em Cariacica,  onde foi atendido e liberado após receber medicação, conta a irmã do soldador, Vania Modolo, de 40 anos. No dia 09, ele voltou à unidade de saúde, porém com sintomas mais fortes e sentindo falta de ar.  Precisou ser internado no Pronto Atendimento, onde aguardou por três dias para ser transferido para o Hospital Jayme dos Santos Neves, que é referência em Covid-19, na Serra.

"A partir daí só tínhamos informações dele uma vez por dia, pois ele não podia receber visita. Um médico nos disse que ele testou positivo e a cada dia vinha uma notícia pior. Dia 11 ele enfartou, no dia seguinte começou a fazer hemodiálise, os pulmões foram ficando prejudicados, até atestarem a morte cerebral", detalhou Vania, que, junto com outros familiares, fizeram uma corrente de orações sempre à meia-noite durante o tempo que Ludimar esteve internado.

 Ludimar Modolo, 30 anos, vítima de covid
Ludimar Modolo, 30 anos, vítima de Covid. Crédito: Arquivo Pessoal

Ludimar deixou dois filhos, um de 6 anos e outro de apenas 1 ano de idade, que sentem falta do pai.  "Estamos tomando cuidado para falar com eles, mas já perguntam 'onde está o papai?'". Meu irmão saiu do emprego que trabalhava embarcado porque ficava muito tempo longe dos filhos", contou Vania. 

Abalada e com muita saudade, ela faz um apelo às pessoas que insistem em sair do isolamento social: "Essa doença é maldita, ela não escolhe quem vai contaminar, ela não escolhe um idoso ou alguém com síndrome, o coronavírus pega em qualquer um. Proteja a sua família. A minha família está destruída. Peço que se conscientizem, ouçam as recomendações dos governantes para ficarem em casa. A Covid-19 devasta as pessoas, e fica só um buraco  dentro da gente", desabafou. 

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