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Rio Doce: qualidade da água voltou ao patamar de antes da lama, diz Renova

Fundação – que rompeu um contrato que trazia respostas sobre o nível de contaminação do rio – afirma que a comparação é possível porque, anteriormente, a qualidade das águas já era analisada pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam)

Publicado em 23/10/2020 às 14h17
Atualizado em 23/10/2020 às 14h17
Imagem registrada em vídeo por drone mostra Rio Doce completamente cheio após atingir cota de inundação
Rio Doce  em Colatina . Crédito: Reprodução/Amarelo Nardoto

Responsável pela recuperação dos estragos causados pelo desastre do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, a Fundação Renova afirmou que a qualidade da água do Rio Doce, em território mineiro e no Espírito Santo, voltou ao mesmo patamar de antes de ser atingida pela lama de rejeitos de minério. A informação foi passada pelo presidente da entidade, Andre de Freitas, em encontro com a imprensa realizado de forma virtual nesta sexta-feira (23). A tragédia – que deixou 19 mortos – completa cinco anos no próximo dia 5 de novembro.

“Através do nosso trabalho e da própria dinâmica do rio, que é um ambiente bastante vivo, a qualidade da água vem se recuperando. Hoje a gente pode afirmar que a qualidade da água voltou aos patamares que ela tinha antes do rompimento. Essa água hoje pode voltar a ser consumida desde que tratada com sistema convencional, como é a realidade de outros rios do país”, afirmou Freitas.

O anúncio é feito após a Fundação Renova romper unilateralmente um contrato que garantia uma rede de pesquisa sobre o Rio Doce e municípios afetados por sua bacia, envolvendo 27 instituições, entre elas universidades públicas federais. A decisão surpreendeu a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que informou, na ocasião, que todo o trabalho que estava sendo desenvolvido pelos pesquisadores será paralisado sem ter sido concluído.

A Ufes salientou que várias pesquisas em andamento vão ser suspensas, incluindo as respostas sobre o nível de contaminação do rio após ser atingido pela lama de rejeitos de minério.

ÁGUA VOLTOU AO PATAMAR DE ANTES DO ROMPIMENTO 

De acordo com o presidente da Fundação Renova, Andre de Freitas, a recuperação dos patamares do rio foi atestada a partir de uma análise de dados gerados pelo sistema de monitoramento de cursos d’água do rio, criado pela Renova em 2017 para monitorar a bacia do Rio Doce. 

A Fundação destacou ainda que a análise de amostras de água e sedimento de diferentes pontos do rio aponta que a turbidez e a presença de metais na água registram médias semelhantes às do início de 2015, antes do rompimento da barragem de Fundão, e que as condições da bacia são similares às que eram registradas no período anterior ao desastre.

De acordo com a entidade, a comparação é possível porque, anteriormente, a qualidade das águas era analisada pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que iniciou o monitoramento em 1997. A Renova estima que, na época do rompimento, saíram cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos da barragem.

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 Rio Doce, em Regência, poluído pela lama da barragem da mineradora Samarco . Crédito: Bernardo Coutinho

Ainda de acordo com a Fundação Renova, todas as informações geradas sobre as condições do rio são compartilhadas com os órgãos públicos que regulam fiscalizam as águas do Brasil.

FUNDAÇÃO ROMPEU CONTRATO DE ESTUDOS SOBRE O RIO 

O contrato que garantia uma rede de pesquisa sobre o Rio Doce e municípios afetados por sua bacia, foi cancelado, unilateralmente, pela Fundação Renova. A decisão, anunciada no ínicio de outubro,  surpreendeu a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Segundo a Ufes, a suspensão do contrato afeta várias pesquisas em andamento, estruturas físicas em fase de implementação (como laboratórios para análises do material coletado) e a construção de uma base de dados que viabilizará respostas quanto ao nível de contaminação sofrida pelo rompimento da barragem.

Ainda segundo a universidade, a interrupção do programa sem a criação de alternativas poderá trazer consequências negativas ao deixar as autoridades públicas de proteção ao meio ambiente e promoção social desprovidas de dados essenciais para a reparação dos danos causados e para construir estratégias que reduzam os prejuízos à natureza e à população.

Durante o encontro com a imprensa, a reportagem de A Gazeta questionou a entidade mais uma vez sobre o rompimento de contrato. O presidente da Renova, Andre de Freitas, manteve a versão já mencionada pela Fundação. "Os monitoramentos vão continuar, o que nós estamos fazendo é uma troca de fornecedor", destacou o presidente.

A Renova havia afirmado que ampliará o acesso de grupos de pesquisa ao monitoramento da biodiversidade aquática nas áreas costeiras, marinha, estuarina e dulcícola do Espírito Santo, por meio da abertura de um processo seletivo nacional. “Os projetos destinam-se a uma nova etapa do monitoramento, com objetivo de aprofundar os estudos relacionados à identificação e caracterização dos impactos ao meio ambiente do rompimento da barragem de Fundão (MG) e suas respectivas medidas de reparação.”

A previsão é que a chamada pública para a nova fase do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PBMA), bem como sua implementação, aconteça ainda em 2020. “A seleção de pesquisadores e o aprofundamento dos estudos se dará em alinhamento com a revisão do Termo de Referência nº 04/2016 (TR4), conduzida pela governança externa da Fundação Renova.”

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