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Após 4 anos, contaminação da lama no Rio Doce e Regência está maior

Estudos da Ufes apontam que a contaminação pela lama de rejeitos de minério no Estado – no rio e no mar – está maior agora do que na época do desastre ambiental. Rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG) completa 4 anos no próximo dia 5

Publicado em 30/10/2019 às 11h58
Momento em que a lama da Samarco chegou em Regência, em novembro de 2015. Crédito: Marcello Lourenço/ Arquivo Pessoal
Momento em que a lama da Samarco chegou em Regência, em novembro de 2015. Crédito: Marcello Lourenço/ Arquivo Pessoal

O desastre ambiental no Rio Doce completa quatro anos na próxima terça-feira (5). Estudos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) revelam que a contaminação no Rio Doce e no mar de Regência, em Linhares, estão piores do que na época da tragédia, que completa quatro anos no próximo dia 5. Em novembro de 2015, ocorreu o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG), e a lama de rejeitos de minério atingiu o Rio Doce. Várias cidades mineiras e três municípios do Estado foram afetados.

O geólogo Alex Bastos, que coordena uma grande rede de pesquisa que envolve também outras universidades, disse que há mais metal na água do que no auge do desastre, quando a lama chegou ao mar de Linhares e atingiu a praia da vila de Regência.

Esse resultado é baseado em análises de amostras de água, lama e animais que foram coletadas entre setembro de 2018 e fevereiro deste ano. "Se a gente fizer uma média do que se observa ao longo do tempo, existem períodos em que o que a gente coletou, cerca de 16 coletas de momentos diferentes, em média está o dobro do que a gente coletou em novembro de 2015 na Foz do Rio Doce. Ferro e alumínio", disse Bastos.

Para os pesquisadores, não há dúvidas de que esses metais sejam da lama. "É difícil você ligar a outra fonte. Considerando para esse parâmetro, nós temos um dado muito forte que é o dado pretérito. E a gente inclusive tem dado pretérito de dois trabalhos diferentes. O aumento é real, não tem como. Aumentou muito e continua aumentando", completou.

Pesquisadores de 24 universidades estudam impactos da lama da Samarco. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta
Pesquisadores de 24 universidades estudam impactos da lama da Samarco. Crédito: Rafael Zambe/ TV Gazeta

A pesquisa ainda indica que a situação da água do Rio Doce não está melhorando. "Não só no indicador ferro. Existem outros indicadores da biota (parte viva do ecossistema) que também mostram isso. Para mim, o que é mais perigoso, o que é pior de mostrar, é que a tendência de que esse impacto crônico continue", disse Bastos.

Com informações do G1 ES

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