Renova sobre Rio Doce: "Não há reparação que reconstrua vidas"

Contratado pela Renova, criada para tratar dos prejuízos causados pela lama de rejeitos de minério da Samarco, ex-ministro do trabalho, Paulo Paiva, fez a declaração em coletiva de imprensa sobre o assunto nesta terça-feira (22), em Minas Gerais

Publicado em 22/10/2019 às 19h34
Atualizado em 23/10/2019 às 15h40
Presidente da Renova, Roberto Waack, ao lado do  consultor da fundação, Paulo Paiva. Crédito: Larissa Avilez
Presidente da Renova, Roberto Waack, ao lado do consultor da fundação, Paulo Paiva. Crédito: Larissa Avilez

Há quase quatro anos, a lama com rejeitos de minério da Samarco invadiu o Rio Doce, no Norte Noroeste do Estado, e transformou violentamente a vida de milhares de capixabas. Depois desse tempo, o consultor Paulo Paiva, contratado para cuidar de estratégias políticas e institucionais diante da tragédia, admitiu ser impossível ressarcir e reparar todos os danos causados aos atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015.

"São vidas e histórias que foram cobertas pela lama. Por mais que se faça, com esforços e recursos, não há reparação que reconstrua essas vidas. São situações de dor que não há ação racional que possa resolver", afirmou ele, que presta serviço para a Fundação Renova, entidade criada para tratar dos prejuízos causados pela Samarco.

A declaração aconteceu na manhã desta terça-feira (22), em uma coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte (MG). Minutos antes, o presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, havia falado justamente sobre os resultados alcançados pelos 42 programas elaborados para compensar os prejuízos do crime ambiental, conforme previsto no Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC).

Durante a apresentação, Waack destacou o sistema "Pescador de Fato", que reconheceu como atingido quem vivia informalmente da pesca em Regência, no município de Linhares; e informou que R$ 1,84 bilhão já foi gasto com indenizações até agosto deste ano. Ao todo, o valor chegou para 319 mil pessoas.

Questionado sobre os impactados que ainda não foram reconhecidos e indenizados, o presidente da Fundação afirmou que este é um processo contínuo de reconhecimento. "Não sei quantos cadastros ainda estão pendentes e nem quantas são as potenciais pessoas que podem receber a indenização, mas, com certeza, são dezenas de milhares. Por enquanto, não há previsão de que esse levantamento termine", revelou.

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