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Mortes por coronavírus no ES equivalem à queda de 15 aviões

Cálculo considera aeronaves com uma média de 170 passageiros, cada. Maior concentração de óbitos no Espírito Santo está na Grande Vitória

Publicado em 03/08/2020 às 11h07
Cariacica - ES - Covas abertas para enterrar vítimas da covid-19 no cemitério Jardim da Saudade em Nova Rosa da Penha.
Covas abertas para enterrar vítimas da Covid-19 no cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha, Cariacica. Crédito: Vitor Jubini

No mês em que o Espírito Santo completa seis meses desde a confirmação do primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus - no dia 26 de fevereiro-, o número de mortes provocadas pela doença chegou a 2.578, no último domingo (02). Esse total de óbitos equivale à queda de pelo menos 15 aviões, onde não haveria sobreviventes.

O cálculo considera uma média de 170 passageiros sendo transportados em uma aeronave, de modelos que estariam habilitados a pousar no Aeroporto de Vitória.

Um estrago promovido por uma única doença, como pondera a doutora em Saúde Coletiva e Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel. “É a maior tragédia do Espírito Santo, sem nenhuma dúvida”, destaca.

A comparação pode ainda ser feita com outro tipo de veículo, os ônibus interestaduais que transportam, em média, 50 passageiros a cada viagem. Desta forma, as vidas perdidas para a Covid-19, até o momento, lotariam 51 ônibus. Um acidente sem proporções se considerar o número de óbitos.

Nas redes sociais, Ethel Maciel destacou: “Imagine aviões caindo e matando todos os passageiros. Ônibus batendo e matando todos os passageiros. Entenda agora o que o vírus (coronavírus) é capaz de fazer. As maiores tragédias da humanidade foram batalhas microscópicas”.

VÃO OCORRER MAIS MORTES

Na avaliação da doutora em Epidemiologia, nos próximos meses, o número de mortes será ainda maior. Ela explica que o gráfico de óbitos apresenta um crescimento em formato de montanha e, no momento, estamos na parte mais alta. Quando começar a descida da curva, em geral, ela apresenta similaridades com a subida.

“Quando começarmos a descer a curva, ela é um espelho da subida, e você tem mais ou menos a mesma quantidade de mortes registradas na subida, se nada for diferente. A nossa previsão é de que vamos chegar a mais de 4 mil mortos. Em um Estado pequeno como o nosso, perder mais de 4 mil pessoas para uma única doença, em seis meses, é uma tragédia sem precedentes”, pondera.

Cova aberta no cemitério São Domigos, na Serra
Cova aberta no cemitério São Domigos, na Serra . Crédito: Ricardo Medeiros

MAIOR VOLUME NA GRANDE VITÓRIA

O painel Covid-19, ferramenta da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), aponta que o maior volume de mortes foi registrado em municípios da Grande Vitória, que já concentra 51,7% dos casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus.

No ranking dos óbitos, a liderança fica com a Serra, que registrou 424 mortes. Logo em seguida vem a cidade de Vila Velha, com 407. Vitória fica em terceiro, com 356, e Cariacica com 343. Juntas estas cidades totalizam 1.530 óbitos, que correspondem a 59% do total.

Se formos ainda comprar o número de óbitos com a população de algumas cidades, as vidas perdidas já corresponde a 60% da população de Divino de São Lourenço, localizado na Região do Caparaó.

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