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Curiosidade

Missão, treinamento? Descobrimos o que um submarino da Marinha faz em Vitória

Passagem do S41 Humaitá próximo à Terceira Ponte, no canal da Baía de Vitória, no fim da manhã desta sexta-feira (16) atraiu olhares e chamou a atenção por onde passou (e ficou); fomos atrás de respostas

Publicado em 16 de Janeiro de 2026 às 18:33

Nayra Loureiro

Publicado em 

16 jan 2026 às 18:33
Submarino
O S41 está atracado no Porto de Vitória e veio ao ES como parte da Aspirantex 2026, da Marinha do Brasil  Crédito: Carlos Alberto Silva
A presença de um submarino da Marinha do Brasil navegando calmamente no canal da Baía de Vitória, chamou a atenção de leitores, que enviaram registros do equipamento militar à reportagem de A Gazeta no fim da manhã desta sexta-feira (16). Diante da repercussão e ao fato incomum no cotidiano da capital capixaba, fomos atrás de respostas.
Segundo a Marinha do Brasil, entre os dias 10 e 30 de janeiro acontece a Aspirantex 2026, uma operação anual voltada à formação dos aspirantes da Escola Naval. Durante o exercício, os futuros oficiais recebem treinamento prático e passam a se familiarizar com a rotina e a vida a bordo de submarinos e outras embarcações.
"Ao todo, cerca de 2.400 militares estão mobilizados na operação, que inclui visitas técnicas a diversos portos do Nordeste e do Sudeste do país. Além de Vitória, a programação prevê escalas em Cabedelo (PB), Recife (PE), Maceió (AL) e Salvador (BA)", informou a corporação.
De acordo com a Praticagem do Espírito Santo, o submarino em questão é o S41 Humaitá, que saiu do Rio de Janeiro e tem como destino Salvador, na Bahia. O equipamento atracou no Porto de Vitória.
Missão, treinamento? Descobrimos o que um submarino da Marinha faz em Vitória
Ainda segundo a Marinha, diversos navios e aeronaves participam da Aspirantex, entre eles os submarinos Humaitá, o que explica o avistamento do equipamento no litoral capixaba.
Submarino
A presença do submarino atraiu olhares e incrementou o "cotidiano marítimo" no Centro de Vitória  Crédito: Carlos Alberto Silva

Sobre o equipamento

Conforme informações da Marinha, o S41 Humaitá é um dos equipamentos mais modernos e foi incorporado recentemente à corporação. Ele foi introduzido à frota naval brasileira em janeiro de 2024, tendo sido produzido no Brasil, no Complexo Naval de Itaguaí, no litoral do Rio de Janeiro.
A embarcação de 71,6 metros é movido à propulsão diesel-elétrica e faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, em parceria com o governo francês. O S41 é apenas o segundo dos quatro submarinos convencionais previstos pelo Prosub, que vêm sendo construídos desde 2008, sendo que o projeto ainda prevê a construção de um nuclear.
O S41 Humaitá é um dos submarinos mais modernos do Brasil e foi incorporado recentemente à frota naval brasileira
O S41 Humaitá é um dos submarinos mais modernos do Brasil e foi incorporado recentemente à frota naval brasileira Crédito: Divulgação/Marinha do Brasil
O submarino pode abrigar 35 pessoas e capacidade de atingir os 300 metros de profundidade. Entre suas missões, estará patrulhar as Águas Jurisdicionais Brasileiras, que formam a Amazônia Azul — por onde trafegam 95% das exportações e importações brasileiras — , e as áreas marítimas do entorno estratégico do País no Atlântico Sul. Para isso, a embarcação é capaz de deslocar 1.870 toneladas quando submerso, e alcançar velocidades de cerca de 37 km/h.
Além disso, o Humaitá possui tecnologia embarcada para operação prolongada, o que permite que o submarino fique submerso por até cinco dias, sem necessidade de emergir.
"Como um submarino da Marinha do Brasil, o Humaitá foi projetado com alta tecnologia de combate, com sensores acústicos, radares e sistemas de guerra eletrônica e de propulsão e geração de energia que, aliado aos recursos de redução de ruídos, trazem à embarcação um alto “poder de ocultação” — a principal característica de um submarino", descreve a Marinha.
Em novembro de 2025, o S41 realizou uma operação inédita na margem equatorial brasileira, a aproximadamente 120 milhas náuticas (cerca de 222 quilômetros) da foz do Rio Amazonas, durante a Operação “Atlas 2025”.
O submarino desenvolveu ações de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), que contribuíram para o aperfeiçoamento do monitoramento das águas sob jurisdição brasileira e para a formulação de novas estratégias de emprego naval. Os resultados reforçam a eficiência e o alcance da Marinha na proteção da Amazônia Azul e no fortalecimento da consciência situacional marítima do Brasil, ou seja, a capacidade de monitorar e interpretar, em tempo real, o ambiente marítimo sob sua responsabilidade.
A operação também teve como objetivo avaliar a estrutura logística e as condições de apoio necessárias à atuação de meios navais de maior complexidade em regiões afastadas de suas bases. Esses testes são fundamentais para o desenvolvimento de doutrinas operativas voltadas à mobilidade e à permanência de forças navais em áreas de interesse estratégico.
*Com informações da Agência Marinha de Notícias
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