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Luto em Jesus de Nazareth com a morte de Dona Leninha por Covid-19

Fundadora do Instituto Mão na Massa, Maria Helena Pereira estava atuando na linha de frente para ajudar os moradores na pandemia

Publicado em 04/07/2020 às 14h39
Atualizado em 04/07/2020 às 17h15
Dona Leninha foi mais uma vítima do coronavírus
Dona Leninha (à direita) foi mais uma vítima do coronavírus. Crédito: Arquivo pessoal

A fundadora do Instituto Mão na Massa, Maria Helena Pereira, mais conhecida como Dona Leninha, morreu vítima do novo coronavírus na última quinta-feira (02). Em meio a essa perda, o bairro Jesus de Nazareth, em Vitória, está em luto pela morte dessa guerreira que marcou a vida de uma comunidade inteira. 

Dona Leninha começou a sentir os sintomas  no início de junho. Chegou a ficar 22 dias internada, mas não resistiu. O sepultamento, aconteceu na última sexta-feira (03) no Cemitério de Maruípe, em Vitória. Ele precisou ser realizado com distanciamento dos parentes, por ser o protocolo para os enterros de quem morre de Covid-19.

Dona Leninha era hipertensa, estava no grupo de risco da Covid-19. Mesmo correndo perigo, ela continuou na linha de frente, para ajudar as pessoas neste momento tão difícil. Ela também doou kits de limpeza e cestas básicas para os moradores que estavam passando necessidade por causa da pandemia.

Enterro de dona Leninha foi, vítima do coronavírus
Homenagem a dona Leninha que foi vítima do coronavírus. Crédito: Arquivo pessoal

De acordo com Fernanda Pereira, a mãe ficou internada durante 22 dias. Os primeiros sintomas não foram típicos de Covid-19. Primeiro ela teve diarreia e algumas aftas na boca. Ela conta que, em um determinado dia, ela lembrou que a mãe foi distribuir máscaras e começou a sentir calafrios. "Assim que cheguei em casa, medi a temperatura e foi constatada a febre. Minha mãe foi para a unidade de saúde e constataram que ela estava com Covid-19 havia cerca de 8 dias", lembra.

Dona Leninha voltou para casa e começou a tomar medicação, mas o quadro se agravou. Ela foi para o PA, onde aguardou cerca de oito horas por uma avaliação. Depois, esperou a vaga em um hospital e, quando foi transferida pro Hospital de Vila Velha, ainda aguardou dois dias por uma vaga de UTI. 

Diante daquela situação, Fernanda chegou a fazer um apelo nas redes sociais porque o quadro da mãe estava se agravando e ela não estava na UTI. Depois, Dona Leninha foi intubada, mas os pulmões já estavam comprometidos. Na última quinta-feira (02) ela informou amigos e familiares sobre a morte da mãe.

INSTITUTO MÃO NA MASSA

O Instituto Mão na Massa atende cerca de 300 pessoas todos os meses. Ele nasceu a partir da iniciativa de Dona Leninha em 1999. Na época, ela era agente comunitária do bairro com a filha Fernanda.

Ao longo desses anos, mãe e filha dedicaram a maior parte do tempo a ajudar as pessoas da comunidade com palavras de carinho e apoio, promovendo cursos profissionalizantes, doações de roupas, exames , festinhas, cestas básicas, atividades esportivas, serviços de beleza e palestras sobre autoestima e promoção do desenvolvimento local e  geração de renda às famílias da comunidade de Jesus de Nazareth. Agora, na pandemia, elas fizeram máscaras para distribuir aos moradores.

LEIA A MENSAGEM DE FERNANDA SOBRE A MÃE

"A saudade eterna Hoje o céu recebe mais uma estrela linda, minha mãe Maria Helena Pereira, de quem me orgulho muito e sempre vou me orgulhar. Infelizmente o coronavírus levou a minha mãe, mas as coisas que ela realizou ficam marcadas pra sempre em nossas vidas. Minha mãe, minha rainha e minha protetora, que agora está longe, mas perto e dentro do meu coração sempre. A dor é grande em saber que não receberei seus abraços e beijos e o seu colinho...

Em meio ao caos do vírus, minha mãe sempre forte e guerreira faleceu na linha de frente, não medindo forças para ajudar a quem quer que seja. Nossa família toda foi atingida, começando pelo meu tio, que rapidamente ao saber que estava com sintomas ela o ajudou com todos os procedimentos indicados, mas deus a escolheu.

Com a minha fé, sei que ele sabe o que é melhor para todos nós e a nossa hora. Minha mãe descansa em paz, assim como eu, que tenho certeza que mesmo com este distanciamento, a saudade que sinto por ela nunca passará, é eterna! E o orgulho por ter sido minha mãe me acalma, pois ela veio e realizou tudo o que precisava em sua passagem."

Mãe, te amo muito ❤ Fernanda Pereira

(Com informações de Gabriella Ribetti/TV Gazeta)

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