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Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 16:53
Desde muito cedo, Dagmar Faísas já sabia qual caminho queria seguir: o da educação. Indígena Pataxó da comunidade de Itaúnas, no litoral de Conceição da Barra, na região Norte do Espírito Santo, ela cresceu alimentando o sonho de ser professora, um desejo que nunca se apagou, mesmo diante das dificuldades encontradas ao longo da trajetória. >
Apaixonada pelos estudos, sempre enxergou no conhecimento uma ferramenta de transformação. Em 2014, foi aprovada no curso de Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, mas as dificuldades financeiras impediram a mudança para a Capital. O obstáculo, no entanto, não foi suficiente para fazê-la desistir.>
No ano seguinte, Dagmar conquistou o segundo lugar no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), onde cursou Mecânica, área que sempre despertou a curiosidade desde o período da infância.>
Determinada a realizar o sonho de ser professora, ingressou posteriormente no curso de Física da Ufes, no campus de São Mateus. A conquista veio acompanhada de um marco histórico: aos 28 anos, ela se tornou a primeira indígena pataxó de Itaúnas a se formar em uma universidade federal, conquistando o primeiro lugar e sendo a única estudante indígena da turma.>
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Para chegar ao diploma, o amor pela educação nunca caminhou sozinho. Ao longo da graduação, Dagmar fez questão de levar consigo aquilo que a motiva: sua cultura, sua história e os saberes do seu povo. >
Essa vivência ganhou forma também no campo acadêmico e se transformou no tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Com o foco em Astronomia Indígena, o estudo foi o primeiro do curso de Física da Ufes de São Mateus a abordar essa temática, reafirmando que os saberes tradicionais e o conhecimento científico podem dialogar e se complementar.>
Dagmar Faísas
ProfessoraA trajetória de Dagmar na universidade também reflete um avanço, ainda que tímido, na inclusão de povos originários no ensino superior. Segundo dados da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a Ufes contabiliza atualmente 98 universitários que se identificam como indígenas e possuem matrícula ativa na instituição, o que reforça a importância das políticas de acesso e permanência para ampliar a representatividade indígena no ambiente acadêmico. >
Ancestralidade, representatividade e muito orgulho. Esses são os sentimentos que marcam a conquista de Dagmar ao receber o diploma universitário. >
O momento da formatura foi marcado por um forte simbolismo. Ao escolher usar um cocar durante a cerimônia, ela transformou a colação de grau em um ato de afirmação e resistência, dando visibilidade à sua identidade indígena, reafirmando suas raízes e dando voz ao seu povo em um espaço historicamente pouco ocupado por indígenas. >
Dagmar Faísas
ProfessoraO gesto foi muito além do significado pessoal, se tornou inspirador, abrindo caminhos para que outras crianças e jovens indígenas acreditem que a universidade também é um espaço que lhes pertence. >
Ao unir educação, ciência e saberes tradicionais, Dagmar não apenas realizou um sonho de infância, ela fortaleceu identidades, ampliou horizontes e provou que o conhecimento tem muitas formas, origens e vozes.>
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