Idosa morre em ambulância à espera de liberação de vaga em hospital no ES

A paciente era de Nova Venécia e foi transferida para o Hospital Roberto Silvares, em São Mateus.  "Ver a sua mãe morrendo e você gritando por socorro e ninguém vir fazer nada, ninguém”, disse a filha em vídeo

Publicado em 22/06/2020 às 11h13
Atualizado em 22/06/2020 às 12h35
Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, Região Norte do Espírito Santo
Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, Região Norte do Espírito Santo. Crédito: TV Gazeta/Reprodução

Uma idosa de 74 anos morreu dentro de uma ambulância enquanto aguardava por uma vaga no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, na Região Norte do Estado. A paciente, que era de Nova Venécia, foi levada ao local para ser internada. O caso aconteceu na última terça-feira, dia 16 de junho, de acordo com informações apuradas pela TV Gazeta.

A paciente havia sido atendida no Hospital São Marcos, em Nova Venécia. Segundo o hospital, a idosa foi notificada com suspeita de Covid-19 e, devido ao quadro clínico, foi solicitada a transferência para um hospital de referência no tratamento da doença.

Bastante abalada, Cristiane Celestiano da Cruz, filha da idosa, gravou um vídeo relatando a situação (veja abaixo). “Estou muito triste, muito abalada com essa situação, aquela situação não sai da minha mente. Nós saímos aqui de Nova Venécia, ela ficou internada na segunda-feira toda aqui no hospital, saímos daqui, segundo o hospital já havia a vaga dela lá, quando chegamos lá, não tinha vaga. Foi um desgaste, uma confusão, e a minha mãe ficou mais de duas horas dentro da ambulância”, relembra. 

Segundo Cristiane, durante todo o período ela pediu para que os médicos atendessem a idosa. “Eu a todo momento ia lá dentro e falando que a situação da minha mãe estava piorando, eu pedindo socorro e ninguém vinha me socorrer. Acionei a polícia, a polícia falou que eles poderiam ir até lá fazer a ocorrência, mas que não poderia interferir no procedimento do atendimento do hospital. Aí novamente a minha mãe começou a piorar, eu fui lá dentro várias vezes, falando que a minha mãe estava piorando, que era para eles agilizarem, mandarem ela para o Roberto Silvares, e nada. E aí a minha mãe começou a vir a falecer, e eu saí gritando, alguém socorre a minha mãe. Gente, ninguém vai fazer nada? Eu fui duas vezes lá, gritando desesperada”, conta.

Cristiane conta ainda que uma profissional de saúde ainda tentou reanimar a idosa, mas sem sucesso. “A técnica que estava acompanhando ela começou a fazer massagem, ela voltou, depois ela veio a óbito. Eu entrei muito em desespero, acionei a polícia falando que a minha mãe tinha vindo a óbito, foi no momento que eles chegaram. Foi nesse momento que apareceu um médico, quando a polícia já estava no local, porque até o momento não apareceu ninguém. Eu gritava por socorro, eu via um monte de gente no corredor, ninguém saiu para socorrer a minha mãe”, relata.

No vídeo em que relata a situação vivida por ela e que resultou na morte da idosa, Cristiane cobra providência e pede que isso não aconteça com outras pessoas. “Estou gravando isso aqui para que não aconteça com outras vidas, porque eu sei que está acontecendo com outras pessoas, eu sei, e eu não quero que essas pessoas passem por isso. Ver a sua mãe morrendo e você gritando por socorro e ninguém vir fazer nada, ninguém”, comenta. Segundo ela, a família vai recorrer à Justiça e espera que isso não aconteça com outras famílias.

POLÍCIA MILITAR

A reportagem de A Gazeta procurou a Polícia Militar na manhã desta segunda-feira (22), para saber se alguma ocorrência foi registrada sobre o caso e o que explica a demora no atendimento da solicitação. Por nota, a assessoria da Polícia Militar informou que uma equipe atendeu a ocorrência na madrugada do dia 16 de junho, data em que ocorreu o óbito da idosa. Veja a nota na íntegra:

“Na madrugada da última terça-feira (16), policiais militares foram acionados para ir a uma Unidade de Pronto Atendimento localizada no bairro Carapina, em São Mateus, onde uma mulher disse que tinha saído da cidade de Nova Venécia, acompanhando a mãe, que estava internada no Hospital São Marcos, mas que tinha sido transferida para a referida unidade para tratamento médico. Segundo a mulher, ela e sua mãe tinham chegado na unidade às 22h, do dia 15 de junho e que médicos e enfermeiros disseram não ter ciência da vaga disponível, ficando então a mãe da solicitante por três horas na ambulância. Por diversas vezes, a solicitante teria pedido atendimento médico para a mãe que ainda aguardava na ambulância. Uma médica foi até a ambulância, perguntou o que a mulher sentia e constatou que ela ainda conversava e estava com vida. No entanto, por volta de 1h, do dia 16 a mãe da solicitante morreu. Após a chegada da PM, um médico foi até a ambulância e atestou o óbito da mulher e retirou-se para o interior da Unidade alegando estar no meio de um atendimento. A solicitante, o motorista da ambulância e a técnica de enfermagem alegaram negligência e omissão de socorro. A solicitante foi orientada a registrar o fato na delegacia", finaliza a nota da PM.

POLÍCIA CIVIL

Diante da orientação da Polícia Militar para que a filha da idosa registre o caso em uma delegacia, a Polícia Civil foi questionada na manhã desta segunda-feira (22) sobre quais os procedimentos adotado neste caso e se a ocorrência já foi registrada, mas ainda aguarda posicionamento.

O QUE DIZ O HOSPITAL SÃO MARCOS

De acordo com o Hospital São Marcos, a transferência só ocorreu após confirmação da vaga na UPA administrada pelo Hospital Roberto Silvares. A nota diz ainda que o hospital desconhece o motivo pelo qual a internação da idosa foi recusada quando a ambulância chegou ao local.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE SAÚDE DE NOVA VENÉCIA

A Secretaria Municipal de Saúde de Nova Venécia confirmou que a paciente recebeu os primeiros atendimentos ainda no município e que após solicitação do Hospital São Marcos, uma ambulância foi disponibilizada para fazer a transferência. Uma profissional de saúde também acompanhou o processo, de acordo com a secretaria. 

VAGA NÃO ESTAVA DISPONÍVEL

Familiares da idosa alegam, em entrevista à TV Gazeta, que quando a paciente chegou ao Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, a vaga reservada não estava disponível, o que, segundo a família, ocasionou a demora no atendimento.

O QUE DIZ O HOSPITAL ROBERTO SILVARES

Em nota enviada para a TV Gazeta, a direção do Hospital Estadual Roberto Silvares lamentou a morte da idosa e esclareceu que “ao chegar na unidade em ambulância básica, o quadro clínico apresentado era diferente do perfil que estava descrito na regulação”. Ainda segundo o hospital, “foi necessário readequar o leito que estava reservado para a paciente e, por isso, o atendimento foi iniciado ainda dentro da ambulância”.

O Hospital Estadual Roberto Silvares informou ainda que “enquanto o processo de internação estava em andamento, a paciente teve uma parada cardiorrespiratória, não respondendo à reanimação e, infelizmente, evoluindo para óbito”.

Ainda segundo a direção do hospital, um processo administrativo foi aberto para verificar se houve uma discordância no atendimento e se colocou à disposição da família para prestar todos os esclarecimentos.

Com informações de Rosi Bredofw, da TV Gazeta Norte

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