Três editais para a duplicação da BR 262 serão publicados até outubro, com as obras previstas para começar nos primeiros meses de 2027. A afirmação é do ministro dos Transportes, George Santoro, que esteve no Espírito Santo na última semana de agosto para visitar as obras da BR 447 e os trechos duplicados na BR 101.
Os três editais serão licitados e contratados até o início do próximo ano.
George Santoro Ministro dos Transportes
O ministro explicou que o governo federal, via Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), está concluindo a definição dos valores de cada trecho. “Por isso, acredito em publicar os editais até outubro e começar as obras no início de 2027. Tem recurso, tem dinheiro no orçamento”, reforça Santoro.
Segundo ele, a obra da BR 262 foi dividida em cinco lotes para viabilizar sua execução e, posteriormente, a concessão da rodovia. “Assumimos a duplicação do trecho mais complicado com investimentos próprios e com ajuda do governo do Espírito Santo. Então, os três lotes iniciais são a parte mais montanhosa, de subida e descida, e que vamos licitar. Os outros dois lotes serão duplicados pela concessionária que vier a assumir a rodovia mais adiante”, conta Santoro.
O lote 1 terá quase 35 quilômetros de extensão, com custo previsto de pouco mais de R$ 3 bilhões, como adiantado por A Gazeta. O trecho vai do km 15,9, no entroncamento com a BR 101, até o km 50,8, no término da Variante da Boa Vista. Para o lote 2, de 36,1 quilômetros, o valor é de aproximadamente R$ 1 bilhão.
O segundo trecho dá continuidade à duplicação até o km 86,9, no entroncamento com a ES 368, em Domingos Martins, enquanto o lote 3 estende a duplicação até o km 120,9, no entroncamento com a ES 484. Para o terceiro trecho, de 34 quilômetros de extensão, o investimento é de quase R$ 2 bilhões.
Já os lotes 4 e 5, que serão incluídos na futura concessão da BR 262, devem custar R$ 2,6 bilhões à empresa que vencer a licitação. Ao todo, são 75 quilômetros de extensão, com o lote 4 indo até o km 157, próximo à travessia urbana de Ibatiba, e o lote 5 concluindo o trecho até a divisa de Minas Gerais, no início da ponte sobre o Rio José Preto (km 196).
Ao escolher esse caminho, os valores das tarifas de pedágios ficam próximos da média nacional, o que torna a concessão da BR 262 mais viável no futuro. “O setor privado não quer assumir o risco de realizar essas obras e não conseguir retorno depois. E também é interesse da União garantir a melhoria do fluxo para o Espírito Santo, principalmente, pela sua importância logística para a exportação”, defende o ministro dos Transportes.
R$ 8,6 bilhões
Valor total previsto para a execução dos cinco lotes da duplicação da BR 262
De acordo com Santoro, o que mais impactou no valor dessas obras e prolongou o período de análise e definição desses preços foram os estudos de engenharia e, também, dos impactos climáticos e ambientais.
“Além da duplicação, teremos diversos túneis, viadutos e pontes. É uma mudança grande. Eu comparo essa obra à (Rodovia Presidente) Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo, pela quantidade de obras grandes de engenharia a serem feitas”, argumenta Santoro. E complementa: “Essas obras precisam levar em consideração as condições climáticas que estão por vir”, alerta o ministro.
Pensamos em estruturas resilientes. Foram vários estudos contratados para ajudar a pensar em soluções de engenharia que considerem o desafio climático
George Santoro Ministro dos Transportes
Diante dos desafios de engenharia, o ministro acredita que as obras não ficarão prontas antes de 2031. “São obras complexas. Para concluir a execução, é um prazo de uns quatro anos, pelo menos”, pontua Santoro.
A estimativa do ministro, porém, ainda é otimista. Na BR 447, por exemplo, as obras no trecho entre a BR 101 e a Rodovia Leste-Oeste, que tem menos de 5 quilômetros de extensão, começaram em 2019 e têm promessa de conclusão em dezembro de 2026. O atraso se deve, principalmente, às desapropriações, que por também estão previstas para a duplicação da BR 262.
Porém, o ministro avalia que a importância dessa rodovia federal para a logística nacional pode contribuir para reduzir o período de execução da obra. “A BR 262 é um corredor fundamental para o Espírito Santo e para o Brasil. O Estado tem uma quantidade de portos relevantes ao país, e a carga (de exportação) vai para onde tem porto, não tem jeito. Então, essa rodovia, quando estiver duplicada, vai gerar uma demanda enorme de carga para o Espírito Santo”, afirmou o ministro.
A duplicação da BR 262, porém, será um grande desafio de engenharia. Como já divulgado por A Gazeta, estão previstos 50 viadutos, 28 pontes, quatro túneis, seis passarelas e 40 quilômetros de ciclovias. Até então, o maior empreendimento feito no Estado era o Contorno do Mestre Álvaro, construído sobre o solo alagadiço e mole da Serra, cujas obras duraram pouco mais de quatro anos: foram iniciadas em maio de 2019 e inauguradas em dezembro de 2023.
Para vencer esses desafios geológicos do Contorno do Mestre Álvaro, foram necessários pilares de concreto com até 50 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de 16 andares. Nesses quase 20 quilômetros de extensão, foram investidos R$ 456 milhões.
Já para os 180,6 quilômetros da BR 262, o Dnit chegou a prever um investimento estimado de R$ 8,6 bilhões, quase 19 vezes o valor do projeto erguido na Serra. Desse montante, conforme informações já divulgadas, cerca de R$ 2,6 bilhões correspondem aos lotes 4 e 5, incluídos na futura concessão da BR 262.
Dos R$ 6 bilhões projetados para os três primeiros lotes, a serem construídos com recursos públicos, parte do investimento virá da União e outra parte do governo do Estado, que se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões dos recursos do acordo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, para a primeira fase da obra.
Até o momento, estão previstos mais de 176 mil m² de obras de arte especiais, que incluem 50 viadutos e passagens inferiores, 28 pontes, seis passarelas exclusivas, 2 quilômetros de vias em túneis, 31 interseções em desnível e 24 retornos operacionais, além de 22,6 quilômetros de trechos urbanizados e 40 quilômetros de ciclovias.
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