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Obras

Início da duplicação da BR 262 fica para começo de 2027, diz ministro dos Transportes

Segundo ministro dos Transportes, três editais serão publicados até outubro; projeto prevê cinco lotes e investimento total de R$ 8,6 bilhões

Publicado em 04 de Setembro de 2026 às 17:10

Maurílio Mendonça

Publicado em 

04 set 2026 às 17:10

Três editais para a duplicação da BR 262 serão publicados até outubro, com as obras previstas para começar nos primeiros meses de 2027. A afirmação é do ministro dos Transportes, George Santoro, que esteve no Espírito Santo na última semana de agosto para visitar as obras da BR 447 e os trechos duplicados na BR 101.

Os três editais serão licitados e contratados até o início do próximo ano.

George Santoro Ministro dos Transportes

O ministro explicou que o governo federal, via Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), está concluindo a definição dos valores de cada trecho. “Por isso, acredito em publicar os editais até outubro e começar as obras no início de 2027. Tem recurso, tem dinheiro no orçamento”, reforça Santoro.


Segundo ele, a obra da BR 262 foi dividida em cinco lotes para viabilizar sua execução e, posteriormente, a concessão da rodovia. “Assumimos a duplicação do trecho mais complicado com investimentos próprios e com ajuda do governo do Espírito Santo. Então, os três lotes iniciais são a parte mais montanhosa, de subida e descida, e que vamos licitar. Os outros dois lotes serão duplicados pela concessionária que vier a assumir a rodovia mais adiante”, conta Santoro.

O lote 1 terá quase 35 quilômetros de extensão, com custo previsto de pouco mais de R$ 3 bilhões, como adiantado por A Gazeta. O trecho vai do km 15,9, no entroncamento com a BR 101, até o km 50,8, no término da Variante da Boa Vista. Para o lote 2, de 36,1 quilômetros, o valor é de aproximadamente R$ 1 bilhão.

Localização dos 5 lotes de obras que faze parte da duplicação da BR 262
Localização dos 5 lotes de obras que compõem a duplicação da BR 262, no trecho do ES. Reprodução DNIT

O segundo trecho dá continuidade à duplicação até o km 86,9, no entroncamento com a ES 368, em Domingos Martins, enquanto o lote 3 estende a duplicação até o km 120,9, no entroncamento com a ES 484. Para o terceiro trecho, de 34 quilômetros de extensão, o investimento é de quase R$ 2 bilhões.


Já os lotes 4 e 5, que serão incluídos na futura concessão da BR 262, devem custar R$ 2,6 bilhões à empresa que vencer a licitação. Ao todo, são 75 quilômetros de extensão, com o lote 4 indo até o km 157, próximo à travessia urbana de Ibatiba, e o lote 5 concluindo o trecho até a divisa de Minas Gerais, no início da ponte sobre o Rio José Preto (km 196).

Ao escolher esse caminho, os valores das tarifas de pedágios ficam próximos da média nacional, o que torna a concessão da BR 262 mais viável no futuro. “O setor privado não quer assumir o risco de realizar essas obras e não conseguir retorno depois. E também é interesse da União garantir a melhoria do fluxo para o Espírito Santo, principalmente, pela sua importância logística para a exportação”, defende o ministro dos Transportes.

R$ 8,6 bilhões

Valor total previsto para a execução dos cinco lotes da duplicação da BR 262

De acordo com Santoro, o que mais impactou no valor dessas obras e prolongou o período  de análise e definição desses preços foram os estudos de engenharia e, também, dos impactos climáticos e ambientais.


“Além da duplicação, teremos diversos túneis, viadutos e pontes. É uma mudança grande. Eu comparo essa obra à (Rodovia Presidente) Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo, pela quantidade de obras grandes de engenharia a serem feitas”, argumenta Santoro. E complementa: “Essas obras precisam levar em consideração as condições climáticas que estão por vir”, alerta o ministro.

Pensamos em estruturas resilientes. Foram vários estudos contratados para ajudar a pensar em soluções de engenharia que considerem o desafio climático

George Santoro Ministro dos Transportes

Diante dos desafios de engenharia, o ministro acredita que as obras não ficarão prontas antes de 2031. “São obras complexas. Para concluir a execução, é um prazo de uns quatro anos, pelo menos”, pontua Santoro.


A estimativa do ministro, porém, ainda é otimista. Na BR 447, por exemplo, as obras no trecho entre a BR 101 e a Rodovia Leste-Oeste, que tem menos de 5 quilômetros de extensão, começaram em 2019 e têm promessa de conclusão em dezembro de 2026. O atraso se deve, principalmente, às desapropriações, que por também estão previstas para a duplicação da BR 262. 

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Porém, o ministro avalia que a importância dessa rodovia federal para a logística nacional pode contribuir para reduzir o período de execução da obra. “A BR 262 é um corredor fundamental para o Espírito Santo e para o Brasil. O Estado tem uma quantidade de portos relevantes ao país, e a carga (de exportação) vai para onde tem porto, não tem jeito. Então, essa rodovia, quando estiver duplicada, vai gerar uma demanda enorme de carga para o Espírito Santo”, afirmou o ministro.


A duplicação da BR 262, porém, será um grande desafio de engenharia. Como já divulgado por A Gazeta, estão previstos 50 viadutos, 28 pontes, quatro túneis, seis passarelas e 40 quilômetros de ciclovias. Até então, o maior empreendimento feito no Estado era o Contorno do Mestre Álvaro, construído sobre o solo alagadiço e mole da Serra, cujas obras duraram pouco mais de quatro anos: foram iniciadas em maio de 2019 e inauguradas em dezembro de 2023.

Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo
Projeto de duplicação da BR 262, no Espírito Santo Reprodução Dnit

Para vencer esses desafios geológicos do Contorno do Mestre Álvaro, foram necessários pilares de concreto com até 50 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de 16 andares. Nesses quase 20 quilômetros de extensão, foram investidos R$ 456 milhões.


Já para os 180,6 quilômetros da BR 262, o Dnit chegou a prever um investimento estimado de R$ 8,6 bilhões, quase 19 vezes o valor do projeto erguido na Serra. Desse montante, conforme informações já divulgadas, cerca de R$ 2,6 bilhões correspondem aos lotes 4 e 5, incluídos na futura concessão da BR 262.

Dos R$ 6 bilhões projetados para os três primeiros lotes, a serem construídos com recursos públicos, parte do investimento virá da União e outra parte do governo do Estado, que se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões dos recursos do acordo de reparação pelos danos causados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG), em 2015, para a primeira fase da obra.


Até o momento, estão previstos mais de 176 mil m² de obras de arte especiais, que incluem 50 viadutos e passagens inferiores, 28 pontes, seis passarelas exclusivas, 2 quilômetros de vias em túneis, 31 interseções em desnível e 24 retornos operacionais, além de 22,6 quilômetros de trechos urbanizados e 40 quilômetros de ciclovias.

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