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Nova BR 262 terá 50 viadutos, túneis, ciclovia e passarelas no ES; entenda

Nova BR 262 terá 50 viadutos, túneis, ciclovia e passarelas no ES; entenda

Expectativa é licitar obras na Região Serrana no segundo semestre de 2026 e conceder trecho em diante até a divisa com Minas Gerais

Publicado em 26 de março de 2026 às 09:51

Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo
Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo Crédito: Reprodução Dnit

A duplicação da BR 262 deve se converter em uma das maiores obras de engenharia do Espírito Santo. Dados do projeto elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) obtidos A Gazeta dão a dimensão do empreendimento: estão previstos 50 viadutos, 28 pontes, 4 túneis, 6 passarelas e 40 quilômetros de ciclovias. A expectativa é que que o Estado tenha uma espécie de Rodovia dos Imigrantes, que corta o solo montanhoso de São Paulo.

Ao longo das últimas décadas, governo federal e estadual tentaram por diversas vezes licitar a BR 262, em um estilo de concessão semelhante ao da BR 101. Ou seja, contrata-se uma concessionária, os motoristas pagam pedágio e os recursos dessa cobrança são usados em obras de melhoria.

No entanto, todas as licitações ficaram desertas, sem interessados, visto que o projeto de duplicação da BR 262 foi entendido como muito caro e complexo, o que não seria vantajoso para as concessionárias. Desta forma, em vez de estabelecer esse formato de licitação, o governo federal optou por ele mesmo fazer a duplicação e executar a obra para só depois pensar em uma eventual concessão. Assim, os recursos para duplicar são provenientes do setor público e não da arrecadação de pedágio.

O lançamento da licitação principal, que compreende o trecho que passa pela Região Serrana do Estado, considerado como o mais difícil de ser construído, está previsto para o segundo semestre de 2026, no critério de técnica e preço. Em abril de 2026, devem ser licitadas a supervisão da obra e o cadastramento cartorial. Já a segunda parte, até a divisa com Minas Gerais está prevista para ser executada sob o regime de concessão, por ser mais fácil de ser executada.

Dificuldades de engenharia

Até então, o maior empreendimento feito no Estado era o Contorno do Mestre Álvaro, construído sobre o solo alagadiço e mole da Serra. Para vencer esses desafios geológicos, foram necessários pilares de concreto com até 50 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de 16 andares.

Não à toa, as obras do contorno demoraram quatro anos para serem concluídas. Nos 19,7 quilômetros de extensão da rodovia, foram investidos R$ 456 milhões, o que inclusive demandou uma força-tarefa da bancada federal do Estado no Congresso Nacional para reunir emendas para a conclusão das obras.

Mas a duplicação da BR 262 promete ser muito maior que a do contorno, a começar pela extensão e custo. Serão 180,6 km de vias, com orçamento estimado em R$ 8,6 bilhões, 15 vezes mais que no projeto erguido na Serra. Além disso, o Dnit prevê:

  • 50 viadutos/passagens inferiores
  • 28 pontes
  • 6 passarelas exclusivas
  • 4 túneis, totalizando 2 km
  • 176,8 mil m² de obras de arte especiais
  • 31 interseções em desnível
  • 24 retornos operacionais
  • 22,6 km urbanizados
  • 40 km de ciclovias
Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo
Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo Crédito: Reprodução Dnit

Projeto dividido em duas fases

O projeto para a execução da obra de duplicação da BR 262, no Espírito Santo, teve a elaboração dividida em duas partes, com um total de cinco lotes. A primeira compreende a Região Serrana, trecho apontado como o mais difícil da rodovia devido à pista com muitas curvas, e vai até o entroncamento da ES 484 em Conceição do Castelo. Já a segunda vai até a divisa com Minas Gerais, em Pequiá.

Dos R$ 8,6 bilhões de custo, o governo do Estado se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões do acordo de reparação dos danos oriundos do rompimnro da barragem de Mariana (MG), em 2015, para a primeira fase da obra.

  • Lote 1: do km 15,9 (Entroncamento BR 101) ao km 50,8 (Término da Variante da Boa Vista, incluindo restauração da pista existente).
  • Extensão: 34,9 km + 28,8 km (restauração).
  • Custo: R$ 3.004.524.278,03.

  • Lote 2: do km 50,8 (Término da Variante da Boa Vista) ao km 86,9 (Entroncamento ES 368 Domingos Martins).
  • Extensão: 36,1 km.
  • Custo: R$ 1.050.861.500,57.

  • Lote 3: do km 86,9 (Entroncamento ES 368 Domingos Martins) ao km 120,9 (Entroncamento ES 484).
  • Extensão: 34,0 km.
  • Custo: R$ 1.986.269.969,23.

  • Lote 4: do km 120,9 (Entroncamento ES 484) ao km 157,0 (Próximo à travessia urbana de Ibatiba).
  • Extensão: 36,1 km.
  • Custo: R$ 1.563.149.981,96.

  • Lote 5: do Km 157,0 (Próximo à Travessia Urbana de Ibatiba) ao Km 196,0 (Início da ponte sobre o Rio José Preto).
  • Extensão: 39,0 km.
  • Custo: R$ 1.021.816.445,15.

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