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Galpões do IBC: Cidade da Inovação será casa de startups e negócios ambientais

Galpões do IBC: Cidade da Inovação será casa de startups e negócios ambientais

Fachada da construção será mantida, mas interior da estrutura vai ganhar dois andares, com salas, laboratórios e espaço para empreendedores, sob os cuidados do Ifes

Publicado em 9 de junho de 2025 às 11:42

Ifes recebeu o local da União e vai mudar todo o interior da estrutura, instalando salas e laboratórios

A parte dos galpões do Instituto Brasileiro do Café (IBC) entregue ao Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em 2021 pela União será totalmente reformulada por dentro. Com um investimento estimado em R$ 120 milhões, a reforma vai permitir que o espaço, situado em Jardim da PenhaVitória, tenha dois andares, sem mudar a fachada ou aumentar a altura do teto. No interior, serão instaladas salas para empreendedores, startups e pesquisas sobre descarbonização, centro de inteligência artificial aplicada e auditório para 450 pessoas.

Os galpões foram construídos no final da década de 1960, bem antes de o bairro ser tão populoso como é hoje, e era utilizado para armazenar café, na época em que o Estado estava no auge da produção do grão. Mas, anos depois, o IBC acabou sendo extinto pelo governo federal e o local foi desativado. A área então passou a ser ocupada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com a demanda menor, ficou subutilizada.

Após décadas praticamente sem uso, uma parte menor, de 6,6 mil m², foi vendida. Já a outra, com 15 mil m², foi cedida ao Ifes, que nomeou o espaço de Cidade da Inovação, prevendo transformar o local em um polo de desenvolvimento educacional e econômico. 

“Nós recebemos essas instalações em 2021. Em 2022, tivemos uma formação para todos os nossos gestores do Ifes para que pudéssemos nos capacitar e nos habilitar a discutir com a cidade qual seria o planejamento estratégico para concepção e para a operação da Cidade da Inovação”, explica o pró-reitor de Extensão do Ifes, Lodovico Ortlieb Faria.

Parte dos galpões do IBC foi vendida e a outra cedida ao Ifes
Parte dos galpões do IBC foi vendida e a outra cedida ao Ifes Crédito: Arte A Gazeta

Os galpões cedidos ao Ifes passaram por algumas obras pontuais, tendo a calçada e a pintura revitalizadas, mas as intervenções previstas para os próximos anos são mais amplas. Em 2024, a instituição se dedicou a dar andamento ao projeto de como será feita a reformulação dos galpões, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), que deve ser finalizado este mês.

A expectativa é que, até o fim do primeiro semestre, o projeto principal de reformulação do espaço seja concluído e as intervenções comecem. A primeira delas será no telhado, que é de zinco e torna o ambiente interno dos galpões muito quente. As telhas devem ser substituídas por outras que diminuirão em até 15°C a temperatura média atual do espaço.

Depois, devem ser instaladas as estruturas internas, em sua maioria compostas por vidro, aço e paredes drywall (sistema de construção a seco que usa placas de gesso e perfis de aço galvanizado). Como os galpões são altos, será possível ter dois andares de áreas destinadas à inovação no local.

Como galpões do IBC em Jardim da Penha devem ficar por dentro após reforma do Ifes por Reprodução

Ruas imaginárias encontradas no terreno

De acordo com o reitor, Jadir José Pela, durante o processo de posse, o Ifes descobriu a existência de duas ruas municipais que passam por dentro do terreno. Houve então uma nova negociação com a Superintendência do Patrimônio da União no Espírito Santo (SPU-ES) e foi acertada uma espécie de permuta.

Prefeitura de Vitória cedeu as duas ruas à União, que, em contrapartida, deu ao município uma área na Avenida Beira-Mar, no Centro, próxima à antiga loja Mesbla, que virou estacionamento, e um terreno no bairro Santa Lúcia, no antigo campo do Santa Cruz.

“Mesmo com o projeto arquitetônico pronto, a gente não podia dar prosseguimento a ele sem resolver a questão dessas 'ruas imaginárias'”, destaca o reitor. Agora, as ruas serão repassadas ao Ifes. Durante esse período, o instituto ainda reformulou a pintura dos galpões e reformou as calçadas no entorno da estrutura no bairro.

Centro de inteligência artificial aplicada

A expectativa é que a Cidade da Inovação atue em duas frentes: a economia verde, voltada à redução de riscos e escassez ambiental, e a economia azul, com foco no ecossistema marinho, podendo receber estudantes desde o ensino fundamental a pesquisadores já graduados.

“Queremos criar um centro de inteligência artificial aplicada à agricultura, à indústria, à saúde, ao comércio, à educação, enfim, a todas as possibilidades. Outro tema é a descarbonização. Criar um centro, um espaço para tratar desse tema que interessa ao Ifes, a todas as empresas do mundo. A economia circular,  as grandes empresas não sabem o que fazer com seus resíduos. Economia do mar, navegação, um centro que olhe para o mar. Os pesquisadores serão nossos, de onde estiver, de qualquer lugar, especialmente, estudantes. Queremos colocar estudantes do ensino fundamental, do oitavo e nono anos, para ter robótica, saber programação. Esses meninoss serão nossos craques lá na frente”, destaca o reitor.

Jadir José Pela afirma que a Cidade da Inovação é um projeto tocado pelo Ifes em diálogo com diversas entidades governamentais.

“A inovação puxa outros temas, como a pesquisa, importantes para o desenvolvimento do Espírito Santo. Essa iniciativa está sendo construída a muitas mãos, governo estadual, Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), Associação Capixaba de Tecnologia (Action), ArcelorMittal, Vale e começamos a conversar com a Prefeitura de Vitória. Enfim, um movimento que integra academia, empresas e governo”, aponta.

Na Cidade da Inovação vai funcionar o primeiro parque tecnológico do Espírito Santo. A iniciativa foi aprovada em um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em abril. O Ifes foi contemplado com R$ 12 milhões, recurso que vai possibilitar o parque entrar em operação.

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